07/10/2003

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Edição de Marinilda Carvalho

Definitivamente não há consenso sobre a suspensão do programa do Gugu. Um leitor até apela ao "coisa ruim" para tentar convencer os oponentes de que a suspensão do Domingo Legal foi censura, sim. "É óbvio que não foi censura", diz o outro, cheio de certezas. "Virou moda afirmar que tudo é censura", desdenha um terceiro. "São tiranetes togados", decreta um quarto.

Vale reproduzir frase da carta de Nilah Blas:

Deveríamos, sim, repensar o que estamos plantando para que no futuro não venhamos a descobrir que não há nada para colher.

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LIÇÕES DO CASO GUGU
Desliguei há tempos

Parabéns pelo texto, equilibrado e justo. Deixei de ser telespectador há muito tempo e, embora tenha televisores em casa, raramente são ligados. Motivos há vários, que vão desde a programação de baixíssima qualidade e de gosto duvidoso até a hipocrisia adotada como lema pela grande maioria dos programas. Assim, para não ter que conviver com uma televisão feita para lêndeas mentais, para não ter que assistir anticidadãos como o jogador Edmundo e o pretenso cantor Alexandre Pires (culpados de crimes e omissão de socorro) serem badalados como figuras proeminentes da sociedade brasileira, deixo os aparelhos desligados. Desta forma não perco absolutamente nada, pelo contrário, ganho duplamente, conservo meus neurônios e economizo luz. A televisão brasileira é um verdadeiro e gigantesco lixo, com a elogiável exceção das TVEs.

Evandro Agnoletto

 

É tudo uma farsa

Eu gostaria que o Jornal de Debates não ficasse só no caso Gugu. Temos outros casos graves que a imprensa não divulga. Certas emissoras só colocam artistas de gravadoras multinacionais. Certos apresentadores oferecem dinheiros a calouros para desistirem. É tudo uma farsa. Certos produtores musicais só divulgam artistas se pagarem jabá. Certos programas infantis não apresentam grupos musicais infantis. Certos programas não dão chance a artistas de gravadoras nacionais. Isto é uma farsa, isto é uma vergonha... Cadê o ministro Gilberto Gil que não vê essa palhaçada, em que o picadeiro são os programas de televisão, e o telespectador fica na arquibancada?

Waldir Malvazzo

 

Plantando o vento

Sem dúvida, o caso Gugu gerou inúmeros debates sobre a questão da qualidade da televisão e a irresponsabilidade de pessoas que a usam como meio de promover-se. Entretanto, usar apenas este caso como trombeta a soar agora parece-me cena montada para derrubar este ou aquele apresentador, porque consegue alcançar audiência superior à da concorrência. O que parece justo é aproveitar o momento em que a sociedade brasileira se une para julgar e mostrar que, na verdade, a programação de muitas emissoras tem promovido a depredação dos valores éticos, morais e sociais. Na qual valores familiares são gritantemente substituídos pelo desrespeito, a violência e a inversão de valores. Deveríamos, sim, repensar o que estamos plantando para que no futuro não venhamos a descobrir que não há nada para colher.

Nilah Blas

 

Desvio de atenção

Não houve censura prévia contra o programa Domingo Legal, pelo simples fato de que a proibição da exibição foi uma punição (merecida) por algo já exibido. Uns e outros meios, de confiança questionável, tentam agora desviar a atenção do público em geral invocando o fantasma da censura prévia, talvez por medo de que suas falcatruas, tão parecidas com as criadas por Gugu, sejam igualmente punidas. Isso, sim, é uma tentativa de manipular informação. Felizmente, vemos novos tempos surgindo.

Francisco de Lima

 

Por todos os demônios!

Por todos os demônios do inferno, como ainda há quem defenda que o Judiciário possa aplicar uma punição sem a possibilidade de defesa por parte do acusado? Se não foi censura foi, no mínimo, um ato de arbitrariedade. O pior é que parece haver uma insistência entre os profissionais de jornalismo em ignorar as implicações que existem sob a superfície de todo este caso. De resto, dá para considerar este tipo de atitude não uma defesa da Justiça, mas sim uma elegia pelo Estado de Direito.

Rubens Pellini Filho

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