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LIÇÕES DO CASO GUGU
Desperdício de energia
O jornalista Alberto Dines personifica aqueles cidadãos brasileiros de boa estirpe, que têm história. Ao assumir publicamente sua indignação contra a censura e contra a privação da livre expressão demonstra o caráter no qual são moldados esses brasileiros. A democracia desse país agradece e deve muito a eles. O caso Gugu reflete essa preocupação: ao ser impedido de manifestar-se o apresentador, vozes da liberdade levantaram-se.
Epa! Mas esperem ai! O que aconteceu no passado que gerou a indignação de agora? Lembremos que, ao ser decretado o famigerado AI-5, cidadãos brasileiros, de boa índole ressalte-se, foram levados às dezenas, às centenas, aos porões escuros da ditadura. Alguns para se explicar, outros para apanhar, muitos para morrer. Lutava-se pelo restabelecimento da liberdade, liberdade de expressão, pelas garantias dos direitos do cidadão, pela democracia, ou seja, pela possibilidade de nós, cidadãos brasileiros, gerirmos nosso próprio futuro. Não queríamos que nos dissessem o que podíamos ver, ler ou opinar. Muitos heróis morreram por essa causa. Choramos diversas vezes pelos amigos desaparecidos, ou assassinados. Em novembro de 1979, aqui em Florianópolis, ocorreu a histórica Novembrada. Foi a primeira manifestação pública desde a decretação do AI-5 contra a ditadura. A polícia do general Figueiredo, o ditador de plantão, reprimiu violentamente a manifestação. Lembro de um companheiro nosso ter recebido um tiro no pé esquerdo bem ao meu lado.
Nos últimos dias, um tarado aloirado, apresentador dominical de um medíocre programa de auditório, monopoliza as opiniões dos brasileiros. Sentiu-se no direito de, ao usar a liberdade de expressão, apresentar ao público uma matéria "sem-vergonha", subestimando a capacidade intelectual das pessoas. Foi então severamente punido pelo MP e há quem ache injustiça nisso. Francamente! É desperdício de energia. Ele não é marco de nada. Não foi para isso que nossos companheiros morreram.
Alexandre Carlos Aguiar, biólogo, Florianópolis
Brincadeira ou arrogância
O Ministério Público fez muito bem. Puniu uma farsa que coloca em xeque toda a credibilidade da TV brasileira. Quem afirma que é censura só pode estar brincando, ou então faz parte daquele time corporativista de jornalistas que acha que pode tudo. Parabéns ao Ministério Público de São Paulo.
Monica Correa, jornalista, Santa Catarina
Compactuar, jamais
Parabenizo Alberto Dines por esse maravilhoso artigo sobre o caso Gugu. Não podemos compactuar com censura. Jamais.
Maria Carolina Falcone
Falta um código
O excesso de baixaria na TV nos leva, como telespectadores, a exigir mais responsabilidades com a qualidade do que é exibido. Deveria existir um código de ética específico para a TV, com regulamentações e punições às emissoras que desrespeitem os direitos dos cidadãos.
Cleonice Miranda Magna de Souza
Virou moda
Virou moda achar que tudo é "censura prévia"... Não podemos confundir censura com punição. A suspensão do programa do Gugu foi uma punição, entre tantas previstas em lei, para o mau uso que fez da concessão pública que ao SBT foi outorgada.
Dina de Oliveira Gomes
Medo de punir
A democracia é o respeito às leis! O Brasil vive um momento de crise, está com medo de punir. Temos que usar a democracia também para punir, sem confundir com "bode expiatório". Se fosse uma peça de teatro tudo bem, recinto fechado, ingresso pago etc. Mas esse Sr. Liberato induziu a sociedade ao erro! Esta é a verdadeira crise brasileira, o medo de punir.
Egberto Reynaldo, Limeira, SP
Estupidez do SBT
Eu, uma pobre jornalista que, sem recursos, veiculo uma revista séria dentro de enfoques sociais, me espanto cada vez que acontece algo do tipo Gugu. Não consigo acreditar que dentro de uma emissora como o SBT, que tem dinheiro e pode contratar profissionais éticos, se envolva com essa estupidez. Dines, eu gostaria que você estivesse em todos os canais de TV e em todos os veículos de comunicação. Obrigada pela sua existência, pois você nos dá voz.
Palmira Cassia Petrocelli, revista Circuito Social,
Indiferença do SBT
Essa gente tem o poder nas mãos porque tem dinheiro. Acontece que eles não vivem sem nós, os miseráveis. Estou me sentindo como os judeus nos campos de concentrações – rato de laboratório. Não podemos esquecer de uma coisa: os aristocratas dependem da plebe para sobreviver! Logo, se a justiça e os poderes "constituídos" são flexíveis, nós não o somos. Resta-nos a única defesa possível: o boicote ao SBT aos domingos. Diante desta atitude de indiferença com os mortais, nem os deuses vingam se os mortais decidirem não aceitá-los. Eles têm dinheiro suficiente para dobrar os pobres coitados dos servidores públicos, mas não podem dobrar a quem eles servem – o povo. Essa atitude do faraó das telecomunicações é reveladora. Somos tratados como animais enclausurados em espaços de 20, 35, 29 polegadas e alimentados com a lavagem de suas programações. É um absurdo tratar assim a quem paga a luxúria dessa gente!
Helder Corrêa Galvão
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