07/10/2003 7/14

Envie para um amigo  Procure no arquivo

LIÇÕES DO CASO GUGU
Correção geral

A tendenciosidade de Veja, pelo que deduzo, é pró-interesses da endogenia. Vamos aproveitar o debate aberto pelo Gugu (indiretamente, é claro) e exigir uma correção da mídia de massa. Veja está fazendo terrorismo. Que cidadãos somos nós que não conseguimos fazer cumprir aquilo que mais afirmamos que somos? O mercado das trocas simbólicas está se valendo da falta de tempo das massas para verticalizar questões e ficamos na agulha hipodérmica. Muito ótimo o artigo de Altino Machado.

Jussara R. Araújo, médica, São Paulo

Leia também

Equívocos de uma apuração apressada – Altino Machado

 

Esclarecimento feliz

O texto de Ana Lúcia Amaral foi extremamente feliz, porquanto trouxe ao conhecimento dos que não são propriamente versados no Direito Constitucional um problema que se coloca no caso Gugu e que foi objeto da dissertação de Mestrado de seu colega do Ministério Público Federal, Domingos Sávio Dresch da Silveira, que é justamente o da observância dos princípios do artigo 221 da Constituição Federal sem que se possa falar na censura prévia, vedada no artigo 220 da mesma Constituição. Acresceria, outrossim, que o episódio da Veja, narrado neste mesmo Observatório, nº 244 [ver remissão abaixo], mostra quão menos efetiva é a possibilidade do contraditório – isto é, da defesa pelo atingido – quando se depende da boa vontade do titular do controle sobre o meio de comunicação para o seu exercício. Foram, pelo que ali se lê, apontados erros de fato pelos atingidos, e foram solenemente desprezadas as informações em nome da conveniência do que se veicularia.

Ricardo Antônio Lucas Camargo, advogado em Porto Alegre

Leia também

Princípio constitucional não é mantra – Ana Lúcia Amaral

 

Mais suspensões

Parabéns ao texto de Nilson Lage sobre a questão do Domingo Legal. Ainda assim, acredito que a punição que a Justiça deu ao programa foi merecida. Se houvesse impunidade ficaria apenas o dito pelo não dito. A punição serviu para marcar o debate, marcar os envolvidos e mostrar que a televisão não pode ser palco de palhaçadas. Só ressalto que a mesma punição deveria ter sido dada antes ao Ratinho, quando ele exibiu cenas de espancamento de uma criança, também caracterizando incentivo à violência. Também deveria ter sido punida a rede de televisão (da qual não me recordo o nome) que exibiu um suicídio. Por deixar passar tantos fatos impunemente chegamos aonde chegamos, não acham?

Tatiana Learth Junqueira, Recife

Leia também

Exorbitâncias na tela e na toga – Nilson Lage

 

Ao conjunto da obra

Quando algum malandro, desses de rua, bate uma carteira com a intenção de encontrar dinheiro para as pedras de crack ou um "baseadinho" e é preso o que significa? Quando um pai de família desesperado e desempregado rouba com revólver em punho um outro pai de família para alimentar os filhos e é preso o que significa? Quando alguém liga para sua casa e ameaça sua família de morte e após descoberto é preso o que significa? Significa que essas pessoas foram "censuradas" pelas leis que pretendem trazer ordem a esta balbúrdia. O apresentador Gugu há muito tempo vem ludibriando seus telespectadores com uma quantidade de quadros absurdos em seu programa. Forja situações, cria bandidos, faz teatro popularesco de quinta categoria... Merece ser censurado? Ainda não... Mas a partir do momento em que Gugu autoriza matéria com prováveis bandidos do PCC ameaçando a vida de cidadãos, sejam eles celebridades ou não, a coisa muda de figura. O apresentador mereceu ser censurado pela sórdida e infeliz idéia de autorizar a apresentação da tão discutida matéria. Além do mais, censura pelo conjunto da obra.

Marcos Leandro e Silva, Bauru, SP

 

Coro descontente

Toda a imprensa reunida, ao mesmo tempo e ao vivo, deveria perguntar ao presidente o que ele acha da volta do AI-5, e citar os nomes de Garotinho, do juiz Renato Mehana Khamis e da desembargadora Zélia Maria Antunes Alves. Só isso!

Pedro Uehara

 

Mereço respeito

Só ocasionalmente vejo o programa do Gugu. Vi por acidente este, e acreditei, porque achei que uma emissora como o SBT não se prestaria a uma farsa desse tipo. Tudo bem se ao fim do programa tudo ficasse esclarecido, mas não gostei de ser partícipe de uma brincadeira, afinal creio que mereço mais respeito como telespectador. Uma vez desmascarada a farsa, creio que a punição já é suficiente, e a audiência vai mostrar o julgamento do programa. Para que serve o seletor de canais?

Regis Baldino

Leia também

Precedente auspiciosoO Estado de S. Paulo

 

Detalhe a acrescentar

Caberia acrescentar ao parágrafo final da nota da Abert a frase: "(...) exceto se investidas pela mesma sociedade civil da autoridade necessária para fazê-lo, como é o caso dos integrantes do Ministério Público, observadas as disposições legais."

Ficaria assim: "Ninguém, independentemente do cargo que ocupe ou do poder a que pertença, tem o direito de decidir o que a sociedade pode ou não saber, ler, ouvir ou assistir, exceto se investidas pela mesma sociedade civil da autoridade necessária para fazê-lo, como os integrantes do Ministério Público, observadas as disposições legais." Seria cômico, se não fosse trágico.

Luiz Paulo Santana, Belo Horizonte

Leia também

Abert e MP divergem sobre censura

 

Corte pela raiz

Foi censura, não foi censura?, pergunta o OI sobre o episódio envolvendo o Domingo Legal. A questão básica é esta: continuaremos com punições brandas ou o mal será cortado pela raiz?

César Dorneles

Leia também

Tesoura togada ataca outra vez – Alberto Dines

Mande-nos seu comentário


Observatório | Índice da edição | Busca
Objetivos | Purposes | Edições anteriores
Modo de Usar | Banca | Jornalistas na Net | Equipe