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SANTOS vs. MÍDIA ESPORTIVA
Código do Torcedor pra valer

É saudável que alguém de São Paulo (decantado como o novo templo do futebol mundial pela mídia, com o que, absolutamente, não concordo, haja vista o rebaixamento de 50% dos clubes da capital), como Odir, denuncie os esquemas de favorecimento de determinados clubes na "grande imprensa". Até as arquibancadas dos estádios sabem que o Diário de SP privilegia o Palmeiras, a Globo endeusa Corinthians e Flamengo e toda a mídia do Rio (exceção, talvez, feita à Rádio Tupi) é flamenguista, de usar camisa do clube por baixo das roupas civis durante transmissões esportivas. Sou vascaíno e, desde longos anos, quando comecei a acompanhar o futebol, tenho sido obrigado a agüentar nossos valorosos jornalistas desmerecerem e ridicularizarem as conquistas do Vasco, disseminar mentiras, futricas e boatos para desestabilizar o clube e inviabilizar contratos de patrocínio e contratações de jogadores, ao mesmo tempo em que exaltam qualquer vitória, por mais banal que seja, do Flamengo, ou saúdam as inúmeras bicheiras que têm chegado à Gávea nos últimos tempos como craques.

Os chavões do "manto sagrado", da "raça rubro-negra", dos "40 milhões de torcedores", do "time de chegada" já não convencem nem mesmo à torcida deles. Ora, pensem num time que conquistou seu último brasileiro há 10 anos e sua última Libertadores há mais de 20, vivendo de títulos domésticos menores e constantemente ameaçado pelo rebaixamento: se fosse o Vasco, seria o fracasso personificado. Como é o Flamengo, agarram-se ao tricampeonato carioca, que só vale alguma coisa quando é ganho por eles. O Caixão 2002, como batizaram o Estadual deste ano, logo viraria a "epopéia do Tetra", alguma coisa heróica, uma odisséia de Titãs se o Clube da Gávea vencesse.

Mas, de resto, tudo isto já é sobejamente conhecido. Tome-se por referência a torcida descarada de Galvão Bueno pelo Corinthians durante a final, com o mesmo papo requentado de "poder de superação" do "Timão" após o segundo gol, e seu quase-choro ao narrar o quarto gol do Santos. Mas, não fique tão triste, Odir. Não é apenas a você que as atitudes ditatoriais são impostas. Nós, torcedores, também somos obrigados a engolir jogos como Corinthians x Figueirense ou Flamengo x Paysandu, enquanto Vasco x Grêmio ou São Paulo x Cruzeiro jogam, às 22h (!) ou às 15h (!!!), com o Show do Intervalo mostrando entrevistas exclusivas (hahaha!) com os "craques" Liédson ou Deivid.

Minha última esperança é que o novo governo crie um "Código do Torcedor" pra valer, não estas bravatas (microônibus do estacionamento para o estádio... quem vai pagar por isto?) das vestais do jornalismo esportivo, que se criaram no esquemão da CBF e da ditadura e agora arrotam moralidade pra cima de nós, mas um que me permita liberdade de escolha na hora de assistir aos jogos do meu clube (e não o monopólio atual), que faça com que os jogos do meu time sejam transmitidos de maneira equânime (e não Flamengo na quarta e Corinthians no domingo, como hoje) e em horários decentes, não ditados pelo término da novela ou pelo início do Faustão. Talvez, assim, meu filho não seja obrigado, como eu, a ir trabalhar com um walkman, porque a Globo colocou a final do Brasileiro (Vasco x São Caetano) às quatro da tarde de uma quarta-feira, nem ter que chegar em casa para ver a festa pela internet, porque a dita emissora cortou a transmissão quase sem esperar o fim da partida para transmitir O cravo e a rosa ou coisa que o valha...

Sergio Viana, Brasília

 

Não assisto mais

Não sei quem é ou quem são estes jornalistas mencionados, mas estes descasos assistimos nos programas esportivos de domingo, quando temos estômago para isso. Odir, está muito difícil torcer para o Santos, a avalanche de informações de outros clubes num mesmo programa chegou a ser vergonhosa. Por esse motivo, e pela parcialidade dos jornalistas, que nada produz de bom para a imprensa esportiva, faz muito tempo que deixei de dar ibope a estes programas... não assisto mais. Eu mereço coisa melhor!

Alvarenga

 

Sensacional

Li e reli sua crônica. Vivo de tudo aquilo que você falou. Só me sobrou uma palavra: SENSACIONAL. Parabéns pelas palavras, além de duras foram muito bonitas. Pena você ter perdido a batalha. Torço por seu novo emprego, e obrigado por ser santista e não ter vergonha de assumir.

Betho Gilavoli

 

Delícia

Odir Cunha, seu artigo é uma delícia, e tomara que seu Santos continue a encher de alegria a todos nós brasileiros. Só quero pedir um favorzão: posso continuar a detestar o Flamengo e o Cruzeiro?

Humberto Crivellari

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A vingança pelo futebol – Odir Cunha

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