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FORO PRIVILEGIADO
Novo governo ajudou
Concordo com as críticas da ilustre autora, todavia, peço permissão para acrescentar que a nova lei, para ser aprovada, contou com a boa vontade do governo que assume no dia 1º, pois, devem ter pensado, "ninguém sabe o dia de amanhã". É isso aí, uma coisa é ser estilingue, outra coisa é ser vidraça. Espero que o novo presidente mude de idéia, e revogue a citada lei, que representa um incentivo à impunidade.
Rinaldo Freire de Carvalho Pires, Recife
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ESTRANGEIRISMOS
Perda dos sentidos
O que me incomoda na adoção irrefletida de estrangeirismos é que muitas vezes as "coisas" não traduzidas perdem seu sentido original e adquirem significados que enfraquecem ou anulam sua conexão com a realidade.
Exemplifico com dois termos muito utilizados por profissionais de comunicação e que demonstram diferentes tipos de preguiça mental: "mídia" e "site". Um manteve a sonoridade, o outro a grafia. Ambos, tenho a impressão, perderam suas relações.
Assim, quem trabalha com mídia, e não com media, geralmente esquece de que é, acima de tudo, um mediador. Quem assiste ou lê as mídias quase não percebe que aquilo é uma mediação.
Da mesma forma, tanto quem trabalha em sites como quem acessa um site perde o contexto de situação, de localização, expresso no original.
Bem, creio que peco na generalização, mas foi só um breve desabafo de quem se sente estranho e estranhado por querer falar mêdia e sítio.
Irineu Bardi Jr, São Carlos, SP
Sem xenofobia
Muito oportunas as observações do Sr. Henrique O. Pires Alves. Proibições pura e simplesmente não funcionam. Mas os manuais de instrução bem que poderiam ser obrigatoriamente traduzidos. Organizações públicas e privadas, associações de classe, de escolas, enfim, todos poderíamos debater e estimular o uso do língua nativa: em vez de "Air Force", Força Aérea, por que não? Sem xenofobia. Afinal, o intercâmbio entre as línguas é fenômeno intransponível.
Luiz Paulo Santana, Belo Horizonte
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Fim da polêmica
Dona Caia Fittipaldi escreveu um artigo de 17 telas em resposta às críticas que fiz a sua concepção dirigista, simplificadora e demagógica do que seja língua brasileira. Será que devo me sentir honrado? Como o simples tamanho do tarugo é crime inafiançável na internet, raros leitores terão chegado ao fim. Eu só cheguei porque meu nome, transformado em escada de maluco, era citado a cada duas linhas. Mesmo assim não posso me retirar dessa "polêmica" antes de esclarecer alguns pontos com a maior brevidade possível.
Não existe complô nenhum: os tais Lingüistas Brasileiros para a Democracia, grupo que dona Caia diz representar, não têm "espaço" na imprensa pela razão singela de que ninguém leva sua conversa a sério a essa altura. Tudo o que essa senhora diz foi dito no caderno Mais!, da Folha de S. Paulo, em abril de 2001. Na ocasião, a defesa do projeto Aldo Rebelo era assinada pelo próprio deputado – ou seja, tinha o catastrofismo e as meias verdades de dona Caia, mas faltavam os chutes na canela. A crítica, tão sóbria quanto demolidora, foi feita pelo lingüista Carlos Alberto Faraco, da Universidade Federal do Paraná. Esses artigos podem e devem ser consultados no endereço <www.artesaos.hpg.ig.com.br/outros.htm>. Era algo assim que eu tinha em mente quando cobrei do Observatório um debate de melhor nível. Mas cometi uma injustiça: contribuições como as de Mauro Malin e Henrique Pires Alves, nas quais se nota a disposição de pensar livremente sobre os estrangeirismos, ameaçam fazer com que se chegue lá.
Dona Caia admite ser falsa sua estatística sobre o analfabetismo funcional no Brasil. Ótimo. No entanto, quando diz que já se discute imperialismo lingüístico no mundo há 10 anos, volta a mostrar fraqueza com números. Discute-se imperialismo lingüístico – e no Brasil – há pelo menos 130 anos! O cronista Machado de Assis adorava ironizar as Caias do Segundo Reinado, gente apavorada com a destruição do português pelo francês, que se anunciava iminente e total. Pois é. Por incrível que pareça a dona Caia, é possível condenar o velho pendor brasileiro pela macaquice e, ao mesmo tempo, acreditar que esse papo de caçar palavras estrangeiras no discurso alheio é furadíssimo.
Um detalhe importante: não há provas de que a falta de educação de dona Caia tenha como álibi o fato de ela ser, como se proclama, uma porta-voz ungida dos "brasileiros pobres", daqueles que "nunca tiveram voz". Mesmo porque essa idéia, além de messiânica, embute o preconceito elitista de igualar pobreza e grosseria. O mais provável é que seja só um misto de debilidade argumentativa com necessidade de atrair atenção.
Para terminar, tampouco há provas de que Voltaire esteja ao lado de dona Caia nesse debate. Pelo contrário, o homem que afirmou dirigir uma única prece a Deus ("Senhor, fazei ridículos meus inimigos") não deixaria de rir diante de um vocativo como o que ela comete: "Companheiro Voltaire!". Isso, sim, devia dar multa, mas o projeto Aldo Rebelo não prevê pena para a mistificação vazada em língua nativa. Mais um de seus muitos defeitos.
Sergio Rodrigues
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