JORNALISTA &. ASSESSOR
Informação vs. besteira
Muito bom o artigo o artigo "Assessor e jornalista, a separação necessária", da jornalista Bárbara Hartz [ver remissão abaixo], porém, terei que discordar. Acho que a senhora fez, assim como muitos coleguinhas, uma confusão entre o conceito de jornalista e repórter. Se o seu conceito de jornalismo for "jornalismo que se preze, pelo que se sabe, é investigativo e produz notícias para o público consumidor dos veículos comerciais", como está escrito, aqueles antigos redatores, ou copy desks, como se chamavam, eram jornalistas ou não? E a nossa imprensa que faz de tudo, menos investigação, faz jornalismo ou não?
Qual a diferença entre jornalista e repórter? Se eu não estou mais na reportagem continuou sendo jornalista? Acho que falta muita informação sobre a própria história da origem do jornalismo, aquele papo de Habermas sobre a esfera pública e assim por diante. E sobre ética, bem, é muito mais fácil falar sobre a ética alheia que da própria. É preciso estudar mais sobre o processo de produção da informação, o newsmaking, as relações comerciais e financeiras que envolvem as empresas jornalísticas, e deixar de lado esta besteira de que jornalista é "aquele que procura e diz a verdade". Verdade de quem, cara-pálida? Às vezes é mais confiável o assessor de imprensa ou aquele comunicador corporativo que se identifica como tal, e assim me permite filtrar sua informação, do que a imprensa dita séria, que faz assessoria encoberta para não sei quem. O debate é bom!
Joaquim Nogales,
jornalista, professor de Comunicação Empresarial da Unip em Brasília,
assessor de imprensa, free-lancer etc. Ah, claro, empresário, sócio-gerente
e presidente da Interactv Conteúdo Digital Ltda.
Bárbara Hartz responde
Caro professor: é o senhor quem confunde uma profissão, a de
jornalista, com as funções que um profissional da área
pode ocupar, tais como a de repórter, redator, editor etc., entre outros...
(B.H)
Basta me contratar
Questionarei, humilde e inicialmente a afirmação [reproduzida no artigo de Bárbara Hartz] do renomado colega Ricardo Noblat:
"Recentemente, o jornalista Ricardo Noblat, em artigo publicado pela revista Comunicação Empresarial, da Aberje, e pelo portal Comunique-se, acertou em cheio ao dizer que assessor de imprensa não é jornalista porque não possui a autonomia necessária para praticar o jornalismo."
Fiquei matutando com meus botões:
** Um jornalista que escreve para um jornal tem que seguir a filosofia política ou ideológica do jornal. Este profissional tem a autonomia necessária para praticar o jornalismo?
** Um jornalista que trabalha num jornal recebe dinheiro deste jornal. Este profissional tem a autonomia necessária para praticar o jornalismo?
Na minha opinião, muitos dos jornalistas que "estão" assessores de imprensa, na maioria das vezes, por falta de vagas no mercado, são mais coerentes e fiéis à sua essência investigativa do que muitos jornalistas que se escoram no poder e prestígio das redações dos veículos para os quais trabalham.
Já encontrei muitos jornalistas que trabalhavam em assessorias de comunicação de governos ou mesmo de grandes jornais que faziam questão (vergonhosa e desrespeitosamente, a meu ver) de declarar, publicamente, sua contrariedade em exercer tal função "apenas" pelo fruto advindo no fim do mês ou pela estabilidade proporcionada. Já encontrei jornalistas petistas radicais trabalhando em assessorias de governo de direita, sem nenhuma isenção e fazendo tudo o que podiam para causar ruído na informação que passavam. Era vergonhoso! Não havia fidelidade política nem ideológica!
Este profissional tem a autonomia necessária para praticar o jornalismo? É fato que existe discriminação dos jornalistas de redação com os colegas jornalistas que, na maioria das vezes, por questões circunstanciais, "estão" assessores de imprensa. E, não sei por que, mas me lembrei da senadora do PT Heloísa Helena. Julgada e castigada pelo PT, por seguir a essência de sua ideologia. É tudo uma questão de ponto de vista.
"O mais grave, porém, são as questões éticas decorrentes da possibilidade de transitar livremente de uma função a outra. São vários os jornalistas empregados em redações que prestam serviço para um cliente aqui e outro acolá, como forma de aumentar seus rendimentos. O mesmo ocorre com free-lancers. Dentro desse ambiente promíscuo, é difícil controlar se as informações de clientes ficam ou não sob um regime de sigilo profissional e em que medida a condição privilegiada de acesso a redações influencia as pautas dos veículos com notícias que deveriam ser mais bem apuradas."
Ler esta matéria e, mais especificamente, o trecho acima, hoje, me fez repensar minha carreira de 20 anos!
Eu adoraria estar numa redação! Adoraria ajudar a manter o público informado, criar questionamentos em mentes obscuras ou ignaras, ajudar no raciocínio político dos jovens, criar pautas sensacionais, pesquisar, estudar, produzir matérias polêmicas, como fiz na Rede Amazônica de Rádio e Televisão, na TV Brasília, na TV Aratu, na TV Band-BA, enfim, como fiz a minha vida toda. Mas as redações preferem a mão de obra "barata" dos novatos ou talvez a juventude das focas, sei lá... só sei que no Brasil a cultura da carinha bonita nos jornais é a vigente! Conheço profissionais competentíssimos que estão fora do mercado porque, como eu, têm mais de 35 anos. É triste, colegas! Eu adoraria deixar de ser assessora de imprensa e voltar a ser jornalista novamente. Alguém quer me contratar?
Fernanda Fernandes, 41 anos, jornalista por formação, assessora por necessidade
Contradição na assinatura
Fiquei estarrecida com a proposta de Bárbara Hartz quando diz que o jornalista que é assessor de imprensa deve se licenciar do sindicato. Com certeza o sindicato perderia uma boa parte de seu quadro de filiados com essa proposta, já que o mercado anda tão difícil com as demissões em massa nas redações. Muitos jornalistas "estão" hoje assessores de imprensa por absoluta falta de empresa e continuam, como eu, filiados ao sindicato. Agora pergunto: Bárbara, que é dona da Hartz Comunicação & Informação, portanto uma assessoria de imprensa, pode assinar ao fim do artigo "jornalista e diretora da Hartz"? Não está se contradizendo??
Eliana de Souza Lima, jornalista, Campinas, SP
Bárbara Hartz responde
Cara Eliana, em primeiro lugar, "estar" assessor de imprensa" implica limitações que discuti no artigo. Qual é o problema de ser assessor de imprensa? Há muita gente, como eu, que tornou-se assessora de imprensa por escolha e não por falta de emprego, e, posteriormente, descobriu que esta função está relacionada a outras, da área de comunicação corporativa. Você pode me citar alguma redação de jornal, revista, TV ou publicação online que possui a função de assessor de imprensa? Segundo, concordo plenamente com você que "jornalista e diretora da Hartz" é uma contradição e foi por esse motivo que escrevi o artigo. Porém, há uma distância entre identificar e debater um problema e resolvê-lo. (B.H.)
Releases melhores
Li o artigo "Assessor e jornalista, a separação necessária", da jornalista Bárbara Hartz. E me espantou o pensamento dessa jornalista em relação ao assessor de imprensa. Sou estudante do último ano de Jornalismo, me interesso muito por essa área, tanto que faço estágio em assessoria de comunicação. Acredito que um bom assessor de imprensa precisa ter conhecimentos essenciais, que ele só vai adquirir num curso de Jornalismo. Para conseguir atingir seu público e até mesmo convencer a imprensa de que o seu release deve ser publicado é preciso conhecer um pouco de teoria da comunicação voltada para o jornalismo. E se o assessor de imprensa for um jornalista ele vai pensar como tal, desta forma seu release com certeza terá mais possibilidade de chegar a ser divulgado na mídia. Os outros cursos da área de comunicação (Relações Públicas, Publicidade e até mesmo Marketing) não se aprofundam tanto na escrita de um bom texto como o Jornalismo.
Mariana Ianishi, formanda em Jornalismo
Bárbara Hartz responde
Cara Mariana, concordo plenamente com você que, para exercer a função de assessor de imprensa, é necessário ter conhecimentos de jornalismo e, quanto mais o conhecer, melhores serão as possibilidades de desempenhar bem as suas atividades e ter sucesso do ponto de vista de resultados. Porém, não são atividades que se confundem. Aprofundar essa discussão, a meu ver, vai ajudar muito a definir qual é a formação adequada para o assessor de imprensa. (B.H.)
Que os sindicatos trabalhem
Gostaria de dar os parabéns e agradecer a Bárbara pelo artigo sobre o papel do assessor de imprensa. Acho fundamental que alguém levante essa questão. Já trabalhei em redação (Folha de S.Paulo) e atuo (por opção) há oito anos como assessora de imprensa, e gostaria de fazer algumas observações sobre o excelente artigo de Bárbara.
Concordo com a autora em quase todos os pontos. Entretanto, gostaria de levantar as questões:
** Quando o assessor de imprensa escreve um press release ou sugestão de pauta, ele não necessariamente está fazendo jornalismo. Embora esses textos pareçam muito com o texto jornalístico, de fato, guardam diferenças fundamentais. Entretanto, eu pergunto: e quando o assessor de imprensa escreve uma publicação? Então ele deixa de ser assessor e passa a ser jornalista? Por que o próprio sindicato dos jornalistas exige que as publicações corporativas sejam escritas por jornalistas (talvez até tenha surgido daí essa necessidade de as empresas contratarem jornalistas para serem assessores de imprensa, uma vez que se trata, na maioria das vezes, da mesma pessoa cumprindo as duas funções – divulgação do cliente e elaboração de notícias para informativos corporativos)?
** Outra pergunta: o sindicato de relações públicas costuma exercer vigilância ferrenha em todas as empresas ou instituições que contratam alguém com o cargo de relações públicas, sem que esse profissional tenha se formado nessa especialidade e sem que tenha o registro profissional de RP. Será que eles poderiam fazer algum tipo de acordo com o sindicato dos jornalistas, para que o assessor de imprensa possa ser filiado ao sindicato de relações públicas, deixando de ser sindicalizado, a partir de então, ao dos jornalistas e sem sofrer perseguições do seu antigo sindicato, se por acaso estiver elaborando uma publicação corporativa?
Acho ótimo que Bárbara tenha tocado nesse assunto, pois a experiência que eu tenho como assessora é, na verdade, uma experiência de circular entre interdições. Minha opinião é que os sindicatos deveriam estar mais atentos à realidade do mercado de trabalho e dar mais apoio aos profissionais, em vez de persegui-los.
Como sugestão: o sindicato de RP poderia criar uma prova, ao estilo da OAB, para testar os conhecimentos do jornalista aspirante ao título de RP e, após a aprovação, conceder-lhe o direito de atuar na área (até porque há muita gente que sai nas levas de demissões das redações e cai de pára-quedas em assessorias, sem saber escrever um press release ou fazer um plano de comunicação, organizar uma coletiva ou mesmo elaborar um relatório). O próprio sindicato proporia uma bibliografia. Mas acho que os formandos em Relações Públicas deveriam fazer a mesma prova para trabalhar como assessores de imprensa. Pois o texto informativo de um press release é bem específico e diferente do texto escancaradamente publicitário que os RPs costumam escrever quando estão em assessorias. Assim, a prova poderia afinar as diferenças e exigir mais qualidade dos cursos de graduação em geral.
Marcia Caetano
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