MÍDIA E TRANSGÊNICOS
Que Brasília nos ouça
Parabéns ao Observatório e ao jornalista Cláudio Cordovil pelo excelente e lúcido artigo. Espero que as autoridades de Brasília responsáveis pela atualização da legislação de biossegurança consultem o Observatório.
Silvio Valle, pesquisador da Fiocruz
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Muita informação e pouco conhecimento – Cláudio Cordovil
SEMIÓTICA À LULU
O indignado e seu idioma
Tem-se noticiado aqui e ali o caso do cantor que se irritou com o ocorrido (ou seria não ocorrido?) durante determinado programa vespertino-dominical de TV. Tudo bem que muitos considerem isso fofoca, e não notícia, isso não vem ao caso mesmo, porque fofoca "vende bem". Não quero entrar no mérito da discussão entre o artista e o apresentador, o que me assusta é como a reclamação do artista foi "representada" em sua página internete.
Digo "representada" porque aquilo não pode ser chamado de escrita! Veja um trecho:
"Aquilo era duplamente novidade p’ra mim,era o trabalho d divulgação d meu primeiro compacto e eu tinha quase nenhuma experiencia ou traquejo neste exercicio d ‘ser artista’,alem d tudo não sabia,como continuo ñ sabendo,quase nada sobre esportes,e o d vcs era um disputadissimo programa sobre futebol,señ me engano."
Este tipo de semiótica pode ser tolerado em conversas informais nos chats da internete, mas francamente, Sr. Lulu, não era o caso!
Ioquir Afonso Sotile, analista de informática, Curitiba
ORIENTE MÉDIO
A crítica e a crítica a Israel
Entendo a colocação do Sr. Roldão a respeito da crítica a Israel publicada no Observatório da Imprensa. Pensava como o autor até ler artigo "A Palestina é a nossa terra e os judeus são nossos cães" http://emperors-clothes.com/gilwhite/israelpt.htm. Após ler este artigo, muito bem documentado, em que fontes tanto de livros históricos consagrados (os quais fui conferir) como das mais diversas mídias (as quais também conferi) são mencionados, permitindo ao leitor acompanhar os argumentos, mudei de opinião no seguinte sentido: o problema não está em criticar Israel. O problema está numa enorme distorção dos fatos e na separação irreal e forçada entre o problema palestino e a postura histórica dos países árabes. Há uma postura preponderantemente neofascista na esquerda atual, que separa aspirações nacionais árabe-palestinas do fundamentalismo islâmico que está por trás de tais aspirações.
A verdade me parece ser a seguinte: há uma enorme quantidade de jornalistas, ativistas políticos e outros que ignoram por vezes os fatos mais básicos dos últimos 120 anos de história daquela região, e até mesmo da situação dos judeus nos mundos cristão e islâmico nos últimos 1.000 anos. Por mais que Israel cometa erros políticos – alguns graves, como os assentamentos –, o problema da maioria das críticas que hoje se faz a Israel é que tais críticas estão imbuídas de uma ideologia marxista antiamericana que atribui a Israel e ao sionismo histórico um papel totalmente falso, completamente desconectado da realidade. O surgimento de Israel não tem nada a ver com os EUA nem foi determinado por uma ideologia "socioeconômica" – sempre houve desde seu início judeus de esquerda e de direita.
O que torna a crítica a Israel algo mais complicado que a crítica a outros países hoje é o fato de que a parcela internacional (não-judaica) de contribuição a sua formação (ou seja, das potências européias de então) se deveu mais à culpa cristã pelas atrocidades cometidas contra os judeus europeus (que então atingiam um grau insuportável) que ao reconhecimento político do nacionalismo judaico. Mas o mundo islâmico, o qual, embora sempre tenha tratado os seus judeus como cidadãos de terceira classe e sem direitos políticos, por nunca ter chegado ao grau de perversidade da Cristandade, não via nenhum sentido em que a antiga terra de Israel – por eles conquistada quando da expansão islâmica – voltasse ao antigo jugo judaico original.
Em outras palavras, o que está em jogo na verdade são antigos sentimentos e preconceitos religiosos (mesmo o anti-semitismo racial, que só surgiu no século 19 como contrapartida "atéia" ou "racional" ao tradicional anti-semitismo cristão, tem origem religiosa, uma vez que a colonização de países orientais por parte dos europeus só veio a confirmar, especialmente através da lingüística, a veracidade de parcela substancial da genealogia bíblica). O que se vê hoje no Oriente Médio é uma conseqüência do embate histórico das civilizações cristã e islâmica, cuja cosmogonia é totalmente judaica, ou seja, toda a cosmogonia cristã e islâmica é judaica, mas suas mitologias não o são. Esta é uma contradição insolúvel. Só a real secularização do Islã e da Cristandade (e dos judeus também, obviamente, embora o impacto religioso dos judeus no mundo seja zero) é que pode trazer paz à região. Estamos muito longe disso...
Para terminar, o que não podemos é sair por aí mentindo ou repetindo besteiras infundadas, as mais brandas dizendo que Israel comete crimes que nunca cometeu (como a palhaçada da mídia sobre o genocídio que nunca houve em Jenin), e as piores dizendo que os judeus dominam o capitalismo mundial e estariam por trás de tudo de errado que existe no mundo (Stalin, do lado comunista, dizia a mesma coisa, embora muitos judeus, sendo Trotsky o mais conspícuo, estivessem na vanguarda da revolução!). A crítica a Israel – assim como a qualquer outro país – é saudável desde que fundamentada na realidade dos fatos, sem distorções históricas ou de cunho ideológico. O que se vê, no entanto, é que é tão fácil distorcer (na mídia) a realidade da região que até os EUA se aproveitam do neofascismo anti-semita que tomou conta da esquerda para fingir imparcialidade, lançando mão dos roadmaps da vida...
Alexandre Eisenberg
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