08/07/2003 10/11

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JORNAL ESPÍRITA
Cidadania restrita

A cidadania é um conceito amplo, contudo não posso deixar de destacar como é restrita a sua observância em nossos dias, não apenas no que tange aos excluídos do contexto socioeconômico da globalização, mas também no âmbito de instituições filantrópicas dirigidas por tiranetes de Terceiro Mundo. O que o presidente da Federação Espírita do Estado de São Paulo fez (e faz) contra os jornalistas que lá trabalham não difere em nada da conduta do "líder religioso" Jim Jones – lembram dele? –, que passava a lábia no seu rebanho, passava a mão no dinheiro deles, até que roubou, por fim, as suas vidas...

Gostaria de dar nota 10 ao artigo de Marcelo Fiorini. Poucas vezes em minha longa existência tive a oportunidade de ler algo tão tocante, pois mexeu com as minhas (quase adormecidas) emoções, algo que me revoltasse tanto, pois ainda não perdi a minha capacidade de me indignar, ao mesmo tempo em que denuncia uma situação grave, que deve chamar a atenção de toda a imprensa e até do Ministério Público.

Noel Bavarili

 

Censura sutil

Li a matéria sobre o jornalista J. G. Pascale, de Marcelo Fiorini. Quero parabenizá-lo pela elegância com que tratou um caso tão escabroso, mostrando como é Pascale, como se tornou um grande profissional e o que acontece com ele. Tudo num espaço tão exíguo! Que síntese tão maravilhosamente bem feita! Revolta-nos, no entanto, o fato de tais atos serem praticados por diretores da Federação Espírita do Estado de São Paulo, contradizendo tudo o que pregam em nome de uma suposta caridade. Essas ações não desrespeitam apenas a ética cristã, são delitos que infringem as leis dos homens. Já lhes ocorreu que, se eles são capazes de fazer tudo quanto fizeram contra um jornalista, devem fazer muito pior contra pessoas menos preparadas?

Gostaria de sugerir, agora, a partir do caso do jornalista J. G. Pascale, uma análise sobre a censura sutil, técnica, digamos, segundo critérios de qualidade e oportunidade – que é praticada nos grandes jornais e revistas –, e a censura tacanha e boçal, como a que a Federação Espírita do Estado de São Paulo praticou contra o Jornal Espírita, ao expulsar de suas páginas grandes autores como Nazareno Tourinho, Carlos de Brito Imbassahy, Jorge Rizzini, Iso Jorge Teixeira e outros.

Sônia Vianna

 

Nostalgia da escravidão

Como entender atitudes extemporâneas como as da Federação Espírita do Estado de São Paulo, em pleno início do século 21, que não só cerceia a liberdade de expressão de todo um grupo de jornalistas e escritores, mas dá início a um processo covarde de perseguição a um jornalista – no caso, J. G. Pascale –, utilizando expedientes vis e inadmissíveis em qualquer empresa, muito menos numa instituição como aquela? Na busca de uma resposta, verificamos que alguns dos diretores daquela entidade são, também, empresários da iniciativa privada. Ainda apegados a modelos superados de administração, praticam uma espécie de gestão tirana, em que o funcionário é visto como um mal necessário, alguém que deve ser mal remunerado e explorado ao máximo.

Como os espíritas são reencarnacionistas – e não vamos entrar no mérito da questão religiosa –, talvez esses diretores manifestem resquícios de vidas passadas, quando a escravidão era praticada. (...) Imaginem, agora, um jornalista como J. G. Pascale, propondo-se a debater temas, abrir espaço ao pensamento crítico e, vejam que loucura, respeitar a liberdade de expressão dos articulistas, cronistas e entrevistados. Ah, é demais não é mesmo? Por isso, ele precisava ser defenestrado. (...).

Independentemente do problema político, que é um assunto interno daquela instituição, temos um problema maior e muito sério, que é o da opressão e o desrespeito a um jornalista – que foi, inclusive, humilhado –, a par da supressão da livre manifestação de idéias, esta uma conquista inalienável.

J. Silvério Santoro, professor e escritor

 

Entregue à própria sorte

Estou revoltada e quero apresentar o meu mais veemente protesto contra a Federação Espírita do Estado de São Paulo pela injustificável perseguição que move a um jornalista, fato revoltante em todos os sentidos, como podemos ler na matéria de Marcelo Fiorini. Acredito que o jornalista J. G. Pascale não está indefeso, porque uma pessoa não pode ficar entregue à própria sorte numa situação assim tão desesperadora. Vamos apoiá-lo.

Sandra Rossetti

 

Federação Espírita responde – I

Agradecemos o contato do Observatório visando ao esclarecimento deste triste episódio e, atendendo à solicitação, alinhamos os principais pontos relacionados ao caso, que temos a certeza é essencialmente fomentado por opositores da atual gestão da Federação Espírita do Estado de São Paulo (Feesp).

Sobre o Sr. João Pascale, informamos que o mesmo, em momento algum, sofreu qualquer tipo de ação desrespeitosa por parte da Diretoria da Feesp, ao contrário, sempre recebeu um tratamento ético e profissional. O respeito à sua experiência, por exemplo, pôde ser demonstrado pelo convite que lhe foi feito no mês de abril deste ano, para assumir posição de destaque no processo de modernização de nossos jornais (Jornal Espírita e O Semeador), que incluiu a criação de um Conselho Editorial – organismo de extrema valia em qualquer veículo de comunicação.

Como medida útil para o aprimoramento de nossos periódicos, este Conselho Editorial recomendou a elaboração e a formalização de critérios técnicos e objetivos para análise e aprovação de artigos, anúncios, reportagens etc., inclusive definindo os padrões dos textos (formato, linguagem, tamanho).

Apesar de inicialmente mostrar-se favorável às propostas, o Sr. Pascale, por sua própria decisão, contatou alguns tradicionais articulistas dos jornais da Feesp, particularmente do Jornal Espírita, informando-lhes que não mais poderiam escrever livremente, pois os textos seriam analisados sob outros critérios técnicos, ressaltando que a linguagem não deveria ser ofensiva a pessoas ou a instituições.

Infelizmente alguns desses articulistas possuíam o hábito de usar os jornais da Feesp para criticar agressivamente outras entidades e indivíduos do próprio movimento espírita, destoando da proposta de discussão baseada em idéias, não em violência. Acreditamos que os nossos jornais devam oferecer um ambiente democrático e fraterno para as discussões doutrinárias, pautando-se por integridade, clareza e respeito, princípios os quais abraçamos.

A partir do mês de maio, a Feesp passou a receber mensagens eletrônicas ameaçadoras e desonrosas, criticando a diretoria executiva e uma suposta perda de autonomia que o Sr. Pascale tinha nos jornais. Simultaneamente, o Sr. Pascale se afastou de suas atividades na Feesp alegando problemas de saúde. Aparentemente existe um forte vínculo entre a revolta de alguns (poucos) articulistas diante do recém-criado Conselho Editorial e o início do recebimento destas mensagens inapropriadas. De qualquer maneira, entendemos que a reação de quem está condicionado à agressão naturalmente é agressiva, e o teor das mensagens reflete esta situação. Sobre o Sr. Pascale, sinceramente desejamos que logo se restabeleça e retorne às suas atividades rotineiras.

Vislumbrando uma oportunidade para manchar a imagem a atual diretoria, aqueles que estavam tentando articular uma chapa de oposição, considerando que haverá eleição neste ano, aproveitaram a existência de mensagens depreciativas contra a Feesp para tentar atrair simpatizantes, e circulam internamente portando estas mensagens como se fossem fatos comprovados, quando na verdade referem-se ao comprometimento ético adotado pelo jornal. Como este argumento não encontra aceitação do público interno da instituição, agora as mensagens recebidas tentam alardear falsas situações, com alegações descabidas, como a de que agora os jornais da Feesp estão sob a censura da Federação Espírita Brasileira (FEB), que é a entidade mais combatida pelos articulistas revoltosos, e que a FEB comandará a Feesp.

Apenas para esclarecimento, este fato é impossível, pois a Feesp tem total independência no movimento espírita nacional e internacional. Assim, quando os argumentos dos opositores vão se esgotando, procuram criar novos. Além disso, definir linha editorial não é impor censura.

Somos francamente favoráveis à existência de grupos saudáveis de oposição, pois a discussão séria de propostas e idéias é benéfica para a própria Feesp, mas não podemos ser coniventes com politicagem, fugindo da postura moral que se espera de um espírita. Pela linguagem e pelo teor das mensagens recebidas é possível verificar que se originam em pessoas rancorosas e maledicentes, justamente o oposto do que estamos tentando promover.

Uma destas mensagens a nós enviada, assinada por alguém que se esconde atrás do pseudônimo de Grivando Gardovin (veja que as letras são recombinações da palavra "vingador") [Nota do OI: a citada mensagem não foi nem será publicada pelo Observatório], procura confundir o leitor e fazê-lo crer tratar-se de um defensor da atual diretoria, mas ele se manifesta com a mesma linguagem ofensiva daqueles que atacam a Feesp, nitidamente tentando induzir à crença de que os colaboradores da atual gestão são também agressivos e sem compostura como os opositores. O conhecimento do trabalho sério em desenvolvimento na Feesp e a retidão das pessoas que o estão realizando afastam de imediato esta comparação.

Lamentamos que o Observatório da Imprensa esteja sendo contatado visando manobras políticas (nada éticas, por sinal) por pessoas que, em vez de prejudicarem a Feesp, estão ferindo a própria imagem do espiritismo. Além de lamentar, pedimos desculpas pelas pessoas que estão fazendo isso, afinal, elas se intitulam espíritas e na verdade estão prejudicando a imagem da doutrina e tentando abusar do Observatório da Imprensa colocando-o em meio a toda esta celeuma, usando-o como veículo da cisão que buscam incentivar.

Gostaríamos de nos colocar à disposição para qualquer esclarecimento adicional e reiteramos nosso compromisso de transparência, postura ética e democrática em qualquer meio de comunicação. Atenciosamente,

Avildo Fioravanti, presidente da Federação Espírita do Estado de São Paulo

 

Federação Espírita responde – II

Devo esclarecer ao Observatório da Imprensa (que temos certeza seja um jornal sério em virtude da qualidade das matérias aí veiculadas) que tudo isso está ocorrendo em virtude de nos encontrarmos em ano de eleições. E, decorrente disso, estamos sendo vitimas de ataques eleitoreiros com a clara intenção de desestabilizar a atual diretoria. Infelizmente, esse tipo de problema ocorre no movimento espírita. Paciência!

Lamentamos profundamente que pessoas de boa fé estejam envolvidas nestes boatos. Esquecem-se da responsabilidade da informação e, infelizmente e voluntariamente, acabam sendo envolvidos pelo "desequilíbrio" espiritual. Esta doença no espiritismo denomina-se obsessão.

Ubirajara Nery, integrante do Conselho Deliberativo Federação Espírita do Estado de São Paulo

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Perseguição a um jornalista – Marcelo Fiorini

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