JORNAL ESPÍRITA
Cidadania restrita
A cidadania é um conceito amplo, contudo não posso
deixar de destacar como é restrita a sua observância
em nossos dias, não apenas no que tange aos excluídos
do contexto socioeconômico da globalização,
mas também no âmbito de instituições
filantrópicas dirigidas por tiranetes de Terceiro Mundo.
O que o presidente da Federação Espírita do
Estado de São Paulo fez (e faz) contra os jornalistas que
lá trabalham não difere em nada da conduta do "líder
religioso" Jim Jones – lembram dele? –, que passava a lábia
no seu rebanho, passava a mão no dinheiro deles, até
que roubou, por fim, as suas vidas...
Gostaria de dar nota 10 ao artigo de Marcelo Fiorini. Poucas vezes
em minha longa existência tive a oportunidade de ler algo
tão tocante, pois mexeu com as minhas (quase adormecidas)
emoções, algo que me revoltasse tanto, pois ainda
não perdi a minha capacidade de me indignar, ao mesmo tempo
em que denuncia uma situação grave, que deve chamar
a atenção de toda a imprensa e até do Ministério
Público.
Noel Bavarili
Censura sutil
Li a matéria sobre o jornalista J. G. Pascale, de Marcelo
Fiorini. Quero parabenizá-lo pela elegância com que
tratou um caso tão escabroso, mostrando como é Pascale,
como se tornou um grande profissional e o que acontece com ele.
Tudo num espaço tão exíguo! Que síntese
tão maravilhosamente bem feita! Revolta-nos, no entanto,
o fato de tais atos serem praticados por diretores da Federação
Espírita do Estado de São Paulo, contradizendo tudo
o que pregam em nome de uma suposta caridade. Essas ações
não desrespeitam apenas a ética cristã, são
delitos que infringem as leis dos homens. Já lhes ocorreu
que, se eles são capazes de fazer tudo quanto fizeram contra
um jornalista, devem fazer muito pior contra pessoas menos preparadas?
Gostaria de sugerir, agora, a partir do caso do jornalista J. G.
Pascale, uma análise sobre a censura sutil, técnica,
digamos, segundo critérios de qualidade e oportunidade –
que é praticada nos grandes jornais e revistas –, e a censura
tacanha e boçal, como a que a Federação Espírita
do Estado de São Paulo praticou contra o Jornal Espírita,
ao expulsar de suas páginas grandes autores como Nazareno
Tourinho, Carlos de Brito Imbassahy, Jorge Rizzini, Iso Jorge Teixeira
e outros.
Sônia Vianna
Nostalgia da escravidão
Como entender atitudes extemporâneas como as da Federação
Espírita do Estado de São Paulo, em pleno início
do século 21, que não só cerceia a liberdade
de expressão de todo um grupo de jornalistas e escritores,
mas dá início a um processo covarde de perseguição
a um jornalista – no caso, J. G. Pascale –, utilizando expedientes
vis e inadmissíveis em qualquer empresa, muito menos numa
instituição como aquela? Na busca de uma resposta,
verificamos que alguns dos diretores daquela entidade são,
também, empresários da iniciativa privada. Ainda apegados
a modelos superados de administração, praticam uma
espécie de gestão tirana, em que o funcionário
é visto como um mal necessário, alguém que
deve ser mal remunerado e explorado ao máximo.
Como os espíritas são reencarnacionistas – e não
vamos entrar no mérito da questão religiosa –, talvez
esses diretores manifestem resquícios de vidas passadas,
quando a escravidão era praticada. (...) Imaginem, agora,
um jornalista como J. G. Pascale, propondo-se a debater temas, abrir
espaço ao pensamento crítico e, vejam que loucura,
respeitar a liberdade de expressão dos articulistas, cronistas
e entrevistados. Ah, é demais não é mesmo?
Por isso, ele precisava ser defenestrado. (...).
Independentemente do problema político, que é um
assunto interno daquela instituição, temos um problema
maior e muito sério, que é o da opressão e
o desrespeito a um jornalista – que foi, inclusive, humilhado –,
a par da supressão da livre manifestação de
idéias, esta uma conquista inalienável.
J. Silvério Santoro,
professor e escritor
Entregue à própria sorte
Estou revoltada e quero apresentar o meu mais veemente protesto
contra a Federação Espírita do Estado de São
Paulo pela injustificável perseguição que move
a um jornalista, fato revoltante em todos os sentidos, como podemos
ler na matéria de Marcelo Fiorini. Acredito que o jornalista
J. G. Pascale não está indefeso, porque uma pessoa
não pode ficar entregue à própria sorte numa
situação assim tão desesperadora. Vamos apoiá-lo.
Sandra Rossetti
Federação Espírita responde – I
Agradecemos o contato do Observatório visando ao
esclarecimento deste triste episódio e, atendendo à
solicitação, alinhamos os principais pontos relacionados
ao caso, que temos a certeza é essencialmente fomentado por
opositores da atual gestão da Federação Espírita
do Estado de São Paulo (Feesp).
Sobre o Sr. João Pascale, informamos que o mesmo, em momento
algum, sofreu qualquer tipo de ação desrespeitosa
por parte da Diretoria da Feesp, ao contrário, sempre recebeu
um tratamento ético e profissional. O respeito à sua
experiência, por exemplo, pôde ser demonstrado pelo
convite que lhe foi feito no mês de abril deste ano, para
assumir posição de destaque no processo de modernização
de nossos jornais (Jornal Espírita e O Semeador),
que incluiu a criação de um Conselho Editorial – organismo
de extrema valia em qualquer veículo de comunicação.
Como medida útil para o aprimoramento de nossos periódicos,
este Conselho Editorial recomendou a elaboração e
a formalização de critérios técnicos
e objetivos para análise e aprovação de artigos,
anúncios, reportagens etc., inclusive definindo os padrões
dos textos (formato, linguagem, tamanho).
Apesar de inicialmente mostrar-se favorável às propostas,
o Sr. Pascale, por sua própria decisão, contatou alguns
tradicionais articulistas dos jornais da Feesp, particularmente
do Jornal Espírita, informando-lhes que não
mais poderiam escrever livremente, pois os textos seriam analisados
sob outros critérios técnicos, ressaltando que a linguagem
não deveria ser ofensiva a pessoas ou a instituições.
Infelizmente alguns desses articulistas possuíam o hábito
de usar os jornais da Feesp para criticar agressivamente outras
entidades e indivíduos do próprio movimento espírita,
destoando da proposta de discussão baseada em idéias,
não em violência. Acreditamos que os nossos jornais
devam oferecer um ambiente democrático e fraterno para as
discussões doutrinárias, pautando-se por integridade,
clareza e respeito, princípios os quais abraçamos.
A partir do mês de maio, a Feesp passou a receber mensagens
eletrônicas ameaçadoras e desonrosas, criticando a
diretoria executiva e uma suposta perda de autonomia que o Sr. Pascale
tinha nos jornais. Simultaneamente, o Sr. Pascale se afastou de
suas atividades na Feesp alegando problemas de saúde. Aparentemente
existe um forte vínculo entre a revolta de alguns (poucos)
articulistas diante do recém-criado Conselho Editorial e
o início do recebimento destas mensagens inapropriadas. De
qualquer maneira, entendemos que a reação de quem
está condicionado à agressão naturalmente é
agressiva, e o teor das mensagens reflete esta situação.
Sobre o Sr. Pascale, sinceramente desejamos que logo se restabeleça
e retorne às suas atividades rotineiras.
Vislumbrando uma oportunidade para manchar a imagem a atual diretoria,
aqueles que estavam tentando articular uma chapa de oposição,
considerando que haverá eleição neste ano,
aproveitaram a existência de mensagens depreciativas contra
a Feesp para tentar atrair simpatizantes, e circulam internamente
portando estas mensagens como se fossem fatos comprovados, quando
na verdade referem-se ao comprometimento ético adotado pelo
jornal. Como este argumento não encontra aceitação
do público interno da instituição, agora as
mensagens recebidas tentam alardear falsas situações,
com alegações descabidas, como a de que agora os jornais
da Feesp estão sob a censura da Federação Espírita
Brasileira (FEB), que é a entidade mais combatida pelos articulistas
revoltosos, e que a FEB comandará a Feesp.
Apenas para esclarecimento, este fato é impossível,
pois a Feesp tem total independência no movimento espírita
nacional e internacional. Assim, quando os argumentos dos opositores
vão se esgotando, procuram criar novos. Além disso,
definir linha editorial não é impor censura.
Somos francamente favoráveis à existência de
grupos saudáveis de oposição, pois a discussão
séria de propostas e idéias é benéfica
para a própria Feesp, mas não podemos ser coniventes
com politicagem, fugindo da postura moral que se espera de um espírita.
Pela linguagem e pelo teor das mensagens recebidas é possível
verificar que se originam em pessoas rancorosas e maledicentes,
justamente o oposto do que estamos tentando promover.
Uma destas mensagens a nós enviada, assinada por alguém
que se esconde atrás do pseudônimo de Grivando Gardovin
(veja que as letras são recombinações da palavra
"vingador") [Nota do OI: a citada mensagem não foi
nem será publicada pelo Observatório], procura
confundir o leitor e fazê-lo crer tratar-se de um defensor
da atual diretoria, mas ele se manifesta com a mesma linguagem ofensiva
daqueles que atacam a Feesp, nitidamente tentando induzir à
crença de que os colaboradores da atual gestão são
também agressivos e sem compostura como os opositores. O
conhecimento do trabalho sério em desenvolvimento na Feesp
e a retidão das pessoas que o estão realizando afastam
de imediato esta comparação.
Lamentamos que o Observatório da Imprensa esteja
sendo contatado visando manobras políticas (nada éticas,
por sinal) por pessoas que, em vez de prejudicarem a Feesp, estão
ferindo a própria imagem do espiritismo. Além de lamentar,
pedimos desculpas pelas pessoas que estão fazendo isso, afinal,
elas se intitulam espíritas e na verdade estão prejudicando
a imagem da doutrina e tentando abusar do Observatório
da Imprensa colocando-o em meio a toda esta celeuma, usando-o
como veículo da cisão que buscam incentivar.
Gostaríamos de nos colocar à disposição
para qualquer esclarecimento adicional e reiteramos nosso compromisso
de transparência, postura ética e democrática
em qualquer meio de comunicação. Atenciosamente,
Avildo Fioravanti, presidente
da Federação Espírita do Estado de São
Paulo
Federação Espírita responde – II
Devo esclarecer ao Observatório da Imprensa (que
temos certeza seja um jornal sério em virtude da qualidade
das matérias aí veiculadas) que tudo isso está
ocorrendo em virtude de nos encontrarmos em ano de eleições.
E, decorrente disso, estamos sendo vitimas de ataques eleitoreiros
com a clara intenção de desestabilizar a atual diretoria.
Infelizmente, esse tipo de problema ocorre no movimento espírita.
Paciência!
Lamentamos profundamente que pessoas de boa fé estejam envolvidas
nestes boatos. Esquecem-se da responsabilidade da informação
e, infelizmente e voluntariamente, acabam sendo envolvidos pelo
"desequilíbrio" espiritual. Esta doença no espiritismo
denomina-se obsessão.
Ubirajara Nery, integrante
do Conselho Deliberativo Federação Espírita
do Estado de São Paulo
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Perseguição
a um jornalista – Marcelo Fiorini