09/09/2003

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Edição de Marinilda Carvalho

O fato mais marcante da semana não foram as votações da reforma tributária na Câmara, como insiste a imprensa. Foram as manifestações estudantis em Salvador, pela novidade, pela espontaneidade, pela energia.

Para a imprensa, um não-fato.

Apenas dois leitores comentam o assunto aqui no Caderno (há três artigos fortes na seção Feitos & Desfeitas). Mas as duas cartas são contundentes: que jornalismo é esse, feito nas redações, fora das ruas? Será que a imprensa não vê uma das maiores capitais brasileiras, com aproximadamente 3 milhões de habitantes, parar quase por completo há dias? Ou ela dorme propositadamente?

São perguntas dos leitores. Respostas para <obsimp@ig.com.br>.

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Nota da Redação: O Observatório da Imprensa não publica mensagens assinadas com pseudônimo ou iniciais. E se reserva o direito de solicitar ao remetente o número de seu telefone para eventuais checagens de informação. Cartas só serão acolhidas quando claramente identificada sua autoria.

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ESTUDANTES EM SALVADOR
Nada na imprensa

Esta semana procurei nos vários jornais do país informações sobre o movimento dos estudantes de Salvador contra o aumento das passagens de ônibus que parou a cidade. Fiquei admirado por nada encontrar. Isto me fez refletir sobre o papel do jornalismo brasileiro. Que não informa, que não consegue apurar, os repórteres presos nas redações não conseguem enxergar o que acontece fora delas (imagine em outros estados?). Que vive de emissoras de rádio tentando informar-se. Que repassa notícias sem conferir as fontes. Que jornalismo é este? Sem ética, sem princípios, cada vez mais tendencioso. Repórteres que não conseguem ver nada fora das suas pautas. O lugar certo para jornalistas não seria fora das redações?

Carlos Brito

 

Omissão suspeita

Venho demonstrar minha indignação com a imprensa nacional. Moro em Salvador, onde ocorrem manifestações estudantis contra o aumento das tarifas de ônibus. Esta manifestação já parou a cidade inteiramente por dias consecutivos, e ao ver o noticiário na TV, nos sítios mais importantes e nos jornais de cobertura nacional, fico impressionado com o descaso.

Temos aqui uma verdadeira manifestação popular, que representa a indignação da sociedade, que vem "engolindo" calada sucessivos aumentos de energia, telefonia, combustíveis, entre outros. Acho que fico ainda mais desconfiado, e me pergunto que interesses estes meios de "informação" estão tentando defender ou com os quais estará comprometida. Será que a imprensa não vê uma das maiores capitais brasileiras, com aproximadamente 3 milhões de habitantes, parar quase por completo há dias? Ou ela dorme propositadamente? Como se dá tanto espaço a notícias mais fúteis e sem tanta importância social, em vez de dar destaque a um movimento desta natureza, que beneficiará toda a sociedade? Acho que a imprensa tem que esquecer que o Brasil não é somente Rio e São Paulo. Indignado,

Roberto Augusto da Silva

 

DATA ERRADA
O 11 antes do 7

O Globo de hoje, 7 de setembro, dia da Independência do Brasil, tem na primeira página o seguinte: uma charge, de cerca de 5 cm x 5 cm, mostrando que D. Pedro I deixou um grande abacaxi para os brasileiros ao declarar a Independência; uma chamada, com foto, 5 vezes maior que a charge, comentando sobre o 11 de setembro. Pergunto: por que o jornal não mostra fotos sobre a Independência do Brasil no Dia da Independência? Por que mostra somente a charge do abacaxi? Por que o jornal dá primazia (depois da manchete usual sobre crime e polícia) ao 11 de setembro, sabendo que no dia 11 de setembro teremos enxurrada de fotos e reportagens?

Sou assinante do Globo. Busquei na internet outros jornais, e vi que JB, Folha e Estadão dão mais destaque ao 11 de setembro do que à Independência do Brasil. Isso no Dia da Independência! No 11 de setembro, metade das páginas dos jornais vão falar sobre (claro!) o 11 de setembro. O que se pretende com isso? O capital estrangeiro já domina nossos jornais, ou nossos jornalistas e editores já não sabem distinguir corretamente? A gente corre o risco de ver na televisão o verde-amarelo do Empire State Building mais noticiado do que o verde-amarelo de celebrações nacionais.

Vagner Fracassi, Rio de Janeiro

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