09/09/2003 3/10

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DESASTRE EM ALCÂNTARA
A mídia não viu o alcance

Lamento profundamente que a imprensa só tenha se preocupado com o projeto espacial brasileiro após o desastre, com 21 mortos, bem trágico como gosta a mídia. Será que até agora nenhum jornalista tinha vislumbrado a importância e o alcance do projeto de caráter civil e principalmente econômico-militar, chamando atenção para a sociedade civil? Quando vai se interessar pelo Programa Nuclear da Marinha, principalmente o desenvolvimento do combustível para nossos futuros reatores atômicos, quando não houver mais combustível fóssil no mundo? Desculpe, mas lembrar não custa que o submarino atômico brasileiro, que em 1989 estava previsto para 2003, não se sabe mais quando ficará pronto. Não tem a mínima importância, não é? Lembro que o gerador elétrico que propulsiona o motor do submarino é o mesmo que pode ser usado nas nossas termoelétricas, variando apenas o tamanho, mas a tecnologia é a mesma.

Cabe lembrar que o submarino não é uma arma atômica, apenas usa a energia atômica do combustível físsil no reator para produzir o vapor usado na turbina que aciona o gerador elétrico. Pode vir a ser uma arma atômica se portar mísseis balísticos com ogiva nuclear, em vez do convencional torpedo, mas, como já se percebeu, o problema não é fabricar a bomba, e sim seu Veículo Lançador. Estamos muito longe de ser uma potência nuclear como a Índia – que tem a bomba e o principal – um foguete que leve a bomba até o Paquistão e não possa ser interceptado pela sua defesa aérea. Podemos tranqüilamente assinar qualquer tratado de não-proliferação, pois estamos longe de ter um lançador de bombas atômicas. A bem da verdade, não estamos nem em condição de jogar pedra no inimigo, ainda bem que até agora não o temos. Isola.

Paulo Marcos Gomes Lustoza, capitão-de-mar-e-guerra da reserva

 

O assunto vai morrer?

Parabenizo-os por serem os guardiões dessa profissão que pretendo seguir. Esta matéria está no jornal Vale Paraibano, da cidade de São José dos Campos, desta sexta-feira 6/9/03. Outras mídias não mencionaram o assunto.

Aeronáutica já fala em sabotagem

São José dos Campos – Da redação

O comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro-do-ar Luiz Carlos da Silva Bueno, disse ontem durante a audiência pública do Senado que o governo ainda não descartou a possibilidade de sabotagem no acidente com o VLS-1, em Alcântara (MA). Segundo ele, no dia do acidente havia navios estrangeiros próximos à base militar em Alcântara, que foram monitorados pela Marinha e pelo Exército, que sobrevoou o local.

"Posso quase afiançar que não houve no local (base militar) nenhuma interferência externa que pudesse ter causado o acidente", disse o comandante. No entanto, ele não descartou possibilidade de sabotagem. Neste ano, a segurança da campanha de lançamento do VLS foi reforçada porque o governo já desconfiava de sabotagem. Cada pessoa que entrava na base era revistada. Também foi mantido sigilo sobre o dia do lançamento.

Um ex-diretor da AEB (Agência Espacial Brasileira) afirmou ao ValeParaibano que a segurança em Alcântara foi ampliada porque nas duas tentativas anteriores de lançamento do VLS-1 teriam ocorrido sabotagens, que nunca foram admitidas pelo governo. Na primeira, em 97, foram encontrados fios cortados e, por isso, um dos ignitores do foguete não teria funcionado após falha na rede de pirotécnicos, que aciona os motores. Na segunda tentativa, em 99, teria ocorrido uma alteração no sistema que transmite as 'mensagens' entre os estágios do foguete. Como conseqüência, um dos estágios não 'obedeceu' à ordem de separação no momento correto <http://jornal.valeparaibano.com.br/sjc/fog2.html>.

Entre os observadores dos acontecimentos globais esta hipótese foi a primeira a ser levantada. A imprensa estará se omitindo? Parece estar mais preocupada em desacreditar o governo e condená-lo pela verba restrita destinada ao programa espacial brasileiro do que apurar e olhar todos lados dos acontecimentos. Uma sabotagem estrangeira no lançamento do VLS tem significados muito importantes no cenário mundial. Pode modificar muita coisa, muitos rumos. Será que este assunto vai morrer como tantos outros que a cada dia vão perdendo espaço para novas manchetes? Alcântara cairá no esquecimento? Estará a mídia (ou o governo, ou ambos em conformidade) com medo de trazer um conflito mundial à tona?

Simone Colombo Lopes

 

Hipóteses para uma investigação

O leitor Leão Milnitsky escreveu neste Caderno um comentário que eu gostaria de responder. Disse ele, a propósito de meu artigo "As lições ocultas de uma tragédia" (remissão abaixo):

"É uma análise apoiada em tecnologia, bem fundamentada, mas, a meu ver, de risco. A prova é a base para formatar qualquer acusação. A França é uma nação pouco confiável. Não sou político, sou auditor."

Trata-se de um comentário que sugere estar o referido artigo fazendo acusação. O artigo está analisando hipóteses, com o objetivo de subsidiar dois atores distintos.

Um, a quem caiba investigar, apontando onde podem ser encontrados indícios que, existindo, juntos e com muita sorte, possam constituir prova de que houve sabotagem. E que, existindo, juntos e com algum bom senso, possam independentemente constituir prova de que houve negligência.

Dois, em auxílio ao público, oferecendo-lhe elementos de juízo sobre a competência e eficácia dos que vierem a desempenhar a tarefa de investigar o incidente, na que tange à execução da dita tarefa. Para encontrar indícios, quem procura precisa, antes, querer encontrar.

Doutra feita, um auditor deveria saber melhor que palavras como "suspeita", "provável", "hipótese", "alerta" falam antes de risco ou de trilhas investigativas do que de autoria ou de responsabilidade por crime. Não há, portanto, razão para se insinuar laconicamente tratar-se de peça acusatória.

No mais, não vejo no que a França seria diferente doutras nações no tocante à confiança que possa inspirar. Vejo, outrossim, sinais de vassalagem ou peleguismo na tentativa de se querer destacá-la pela pouca confiabilidade.

Pedro Antonio Dourado de Rezende

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