09/09/2003 6/10

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SAÍDAS PARA A MÍDIA
Ética banalizada

Diante da preciosa explanação de Luciano Martins Costa, fico me perguntando se o jornalismo chegou a esse ponto por ter se auto-encaminhado para isso, esquecendo os propósitos idealistas; ou foi conduzido, por influência da sociedade, com sua volubilidade atual de valores, já que a mídia dificilmente escapa do "escravismo" dos pontinhos do ibope. A partir de qual ponto seria iniciada a caminhada corajosa de mudar? A partir de uma revolução postural, em que a verdade fosse a bandeira, independentemente do quanto a população esteja interessada nela? Quem seriam os agentes dessa mudança, se, como diz, mestres e pupilos demonstram ter a mesma "massa"?

Veja-se, por exemplo, o alarde feito pelo presidente Lula na imprensa, há meses, para os 300 medicamentos que teriam preços rebaixados – tendo ele recebido o mérito imediato dessa notícia. Quando ocorre o lançamento, na verdade, constata-se que 9.995 títulos subiram 2%, 222 subiram até 2% e, dos 150 (e não 300) que realmente terão alguma redução, as reduções já eram aplicadas nos balcões. Essa mentira deslavada não terá o desmentido na mesma proporção. E assim vão se inventando lideranças, populistas e ufanistas, que encontram amplo espaço na população para banalizar a ética.

Ao jornalismo então compete a tarefa de reconduzir a sociedade à sensatez de pensamentos e atitudes? Poder-se-á apostar que a comunidade cairá em si e aceitará esse mea-culpa, revendo seus próprios hábitos e repensando suas lideranças? Quem dará ouvidos e pontinhos a essa imprensa, ainda que seja fundamental para o desenvolvimento de um sociedade comprometida? Sinceramente, gostaria muito de saber que não são isolados os caminhos para o resgate da honestidade e credibilidade nas pessoas e nas instituições.

Diana Silveira, Nova Petrópolis, RS

 

Qual é a proposta?

Por gentileza, não ficou claro qual foi a proposta de reforma de currículo oferecida pela universidade. Nem sempre esta pode ser uma renovação para a mídia. Poderiam me esclarecer?!

Amanda Mesquita

 

Luciano Martins Costa responde

A reforma de currículo ainda não está concluída. O que algumas faculdades estão fazendo, entre elas a Unisantos, é discutir as mudanças que têm ocorrido no ambiente das mídias e na sociedade em geral, para manter os currículos adequados ao que futuramente o estudante encontrará. O que discutimos no artigo é a necessidade de reinventar radicalmente os negócios de comunicação – e aí seria necessário, por conseqüência, repensar também radicalmente os currículos – porque, no meu entender, saídas convencionais não resolverão a crise.

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Coragem para reinventar – Luciano Martins Costa

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