ELEIÇÃO NO CRM-SP
Ruídos na comunicação
O Dr. Célio Levyman não menciona que, no Código de Ética Médica, há um artigo (133) que proíbe o médico de divulgar informações científicas fora de fórum médico. Para a imprensa, isto é uma mordaça. E acredito que a imprensa está (deveria estar) mais interessada nas informações científicas e técnicas sobre saúde (para melhor informar a população) do que naquelas pertinentes a políticas de corporações médicas. Além disto, o Dr. Levyman não menciona que o CFM não responde tecnicamente a dúvidas científicas e jurídicas relativas a critérios declaratórios da morte encefálica, constantes na Resolução 1.480/97 do CFM. A imprensa muitas vezes não faz a sua parte, mas também existem políticas dentro das corporações médicas que não deixam transparentes à população a forma técnica e científica de ação dos médicos. Por este motivo, acredito, muitos ruídos na comunicação (inclusive omissões) podem ocorrer.
Quando trabalhei como editora-assistente na editoria de Atendimento ao Leitor do jornal Zero Hora, em Porto Alegre, tive em mãos, inúmeras vezes, denúncias de leitores referentes a negligência, imprudência e imperícia médicas. Toda vez que tentava esclarecê-las junto ao CRM-RS (Cremers), indicavam-me um número de protocolo e iam postergando indefinidamente a resposta. Ou seja, nunca recebi respostas. Por fim, o Dr. Levyman deve saber que os donos de jornais (os empresários) muitas vezes evitam publicar denúncias contra médicos porque os conselhos de medicina são anunciantes. Aqui no RS, o Cremers anuncia na mais importante rádio – importante em termos de audiência em uma faixa heterogênea de ouvintes –, a Rádio Gaúcha, da Rede Gaúcha SAT, Grupo RBS, afiliada da Rede Globo.
Quem sabe a imprensa não aumentaria a sua cobertura junto às entidades médicas (entidades de representação política) se houvesse maior abertura delas nas questões científicas e técnicas?
Cláudia Viegas, jornalista
Celio Levyman responde
Prezada Cláudia, não posso responder sobre como age o Cremers por razões óbvias; cada estado age de uma maneira, e cada gestão eleita de CRM da sua. Quanto à divulgação de assuntos médicos, o tal artigo 103 dos CEM não deve ser tomado ao pé da letra; assim como qualquer postulado legal, códigos e leis devem ser interpretados por alguém, um juiz, um conselheiro, ou seja lá o que for, para adaptar a forma legal à situação social, aos avanços de momento – ou seja, para não ficar apenas na tal letra fria, que muda de décadas em décadas. É claro que quanto melhor e mais ampla for a divulgação de fatos científicos, em casos médicos, melhor para a população. O que está por trás deste artigo é a divulgação enganosa de fatos pretensamente científicos em meios inadequados – os cirurgiões plásticos menos cotados usam muito dessa forma de "propaganda".
O CRM, quando lá estive, nunca se furtou a atender à imprensa – posso dar nomes de jornalistas e veículos às pencas para provar, mas isso é desnecessário. Faça uma busca no Google mesmo, com meu sobrenome, e várias matérias aparecerão, com exceção das mais antigas e retiradas de arquivo ou de conteúdo fechado, como a Folha de S.Paulo. Dei várias entrevistas e escrevi artigos para a Folha. Quanto a anúncios, o CRM volta e meia dá uma matéria paga, mas em SP está longe de ser um grande anunciante; talvez seja uma questão mais afeita ao Rio Grande do Sul. E, claro, não poderia faltar a questão da morte encefálica: quantas e quantas vezes eu mesmo fui a público discutir o assunto com seu conterrâneo ora morador de São Paulo, o Dr. Cícero Coimbra. Curiosamente, a imprensa em geral procurou sempre dar mais alarde a ele ("médicos matam pacientes em UTI para servirem como doadores") do que a nós, que fizemos parte da comissão que elaborou os critérios de morte encefálica, e nada temos a ver com transplantadores. Salvo engano meu, foi você que fez matéria para o CMI sobre o debate da Comissão de Bioética da ALRS sobre morte Encefálica, não é mesmo? E eu respondi na internet mesmo! Fui convidado pelo deputado coordenador uma semana antes, por fax, e se tempo desse iria com o maior prazer a Porto Alegre participar do evento.
Quanto a denúncias e processos em CRMs e sua divulgação pública, há jurisprudência antiga considerando que os processos administrativos em conselhos profissionais devem correr em segredo de justiça; no caso de médicos, mais para proteger os pacientes do que os profissionais. Pessoalmente acho que isso deve ser revisto, juntamente com a nossa anacrônica e totalmente desatualizada Lei dos CRMs, de 1957, que, essa sim, é uma verdadeira mordaça para todas as partes envolvidas, as penas são absurdas, e nunca foi atualizada pelos nossos parlamentares, por pressão das empresas de medicina de grupo e dos militares. Quer mais detalhes? Está em curso uma nova tentativa de fazer uma lei atualizada: procure conversar com os deputados Jandira Feghalli, Jamil Murad e Arlindo Chinaglia.E pode me contactar pelo meu e-mail que eu não mordo... (C.V.)
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TV A CABO
Desrespeito ao assinante - 1
A classe média brasileira, nos últimos anos, teve de recorrer aos canais de televisão pagos para poder ter uma programação de gabarito, uma vez que os canais abertos tornaram-se, através dos anos e mudanças de direção, apelativos. Entre estes canais, contamos com notícias, filmes, artes, esportes e seriados norte-americanos dos mais variados enredos. Alguns destes, anos depois, vêm a passar na TV aberta, porém com cortes e dublagem. Exatamente por isso é que pagamos para assisti-los e, de brinde, levamos um terço dos breaks comerciais. Fato este que transtorna telespectadores, que pagam uma média R$ 100 mensais (valor do pacote advanced da Sky), aceitáveis levando-se em conta os altos preços da compra de episódios e mais uma fonte de receita para os canais, uma vez que as televisões vêm perdendo público e conseqüentemente receita para fazer investimentos.
O fato mais alarmante vem se repetindo por parte de uma emissora em particular: a Fox Brasil. Quem acompanha os seriados Nova York contra o crime (NYPD Blue) ou 24 horas, como exemplo, percebe que o desrespeito ao telespectador-assinante passa dos limites. São anunciados horários que de repente são retirados da grade de programação, ou simplesmente, de um dia para o outro, o seriado some e volta meses depois (algumas vezes não volta). O telespectador fiel tem um corte em sua saga diária, e se tiver sorte pode tentar adivinhar quando eles voltarão a ser transmitidos, ou se serão reiniciados do mesmo ponto.
Não somos contra reformulações na grade de programação. Pedimos, sim, que seja exibida uma temporada completa, e posteriormente avisado que será retirado da programação e exposto o motivo para isso. A TV é um produto, e como tal pode ser retirado dos hábitos dos seus consumidores. Quem perde é a seriedade...
Renato Auar, estudante de Jornalismo
Desrespeito ao assinante - 2
Em total falta de consideração e respeito por seus assinantes, a Net Niterói, pertencente à Televisão Cidade S/A, reformulou seus canais no dia 4 de setembro, e substituiu TV5, RAI, e Deutsche Welle por Discovery Health, Boomerang e FOX News, o que é de se lamentar, pois os novos canais não acrescentam nada e os que foram retirados eram dos mais assistidos por minha família, composta por membros dos 3 países (França, Itália, e Alemanha). Tudo feito sem aviso prévio.
Frédéric L. W. Meunier