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09/09/2003 10/10 |
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DIREITOS HUMANOS
Pelo bem da pátria
Passados cerca de 20 anos do regime militar, não há dia em que não leia na mídia críticas, infundadas ou não, ao regime militar, inferindo ou atribuindo a ele fatos de nosso cotidiano, como a tortura nos presídios. Daí concluir que todos nós, que na época podíamos ter engrossado as fileiras dos guerrilheiros do Araguaia e não o fizemos, no mínimo, pecamos por omissão. Os militares, ontem e hoje, primam pelo desejo do bem da pátria, e estão acima de qualquer suspeita, motivo pelo qual não podem ser vilipendiados com artigos que pretendem desmoralizá-los, invocando fatos atribuíveis a grupos irresponsáveis, que existem na esquerda e na direita, em qualquer tempo, mormente quando as instituições democráticas precisam de métodos heterodoxos para defendê-las. Não basta votar democraticamente, faz-se necessário uma instituição que garanta as instituições políticas e que estejam solidárias com nossos princípios democráticos inseridos na Constituição.
Paulo Marcos Gomes Lustoza, capitão-de-mar-e-guerra da reserva
Protesto contra prêmio da USP
Após ler o artigo "Incitamento ao ódio e ao preconceito", publicado por este Observatório da Imprensa em 26/8, de autoria do historiador Fábio Koifman, em que este denuncia conteúdos racistas num sítio de direitos humanos que inclusive sedia na internet a ONG Human Rights Watch, em português, dada a gravidade do assunto enviei a seguinte carta aberta à USP, na qual peço que seu reitor se posicione acerca do problema.
Carta Aberta à Universidade de São Paulo
Prezado Sr. reitor da Universidade de São Paulo,
A partir de denúncia recentemente publicada no Observatório da Imprensa pelo historiador Fábio Koifman, acabo de visitar a página da Rede DHNET de Direitos Humanos, premiada pela USP em 2002 por suas atividades.
Estarrecido pelo conteúdo racista de algumas das páginas deste website – onde se encontra o pior tipo de distorção de fatos e conceitos históricos, bem como todo um tratado anti-semita cuja falsidade e perniciosidade são conhecidos desde 1921 – pergunto-lhes se os Srs. de fato tiveram o cuidado de examinar a totalidade do referido website antes de conceder-lhes um prêmio. O conteúdo racista da DHNET está em frontal oposição ao segundo parágrafo publicado pela USP a respeito da premiação de 2002. Os Srs. escreveram:
"Alcança não apenas dos clássicos direitos civis, como também os direitos sociais, políticos e culturais de última geração. Dedica-se à promoção dos direitos de todos os grupos sociais que constituem, nesta sociedade, alvo privilegiado de graves violações de Direitos Humanos, como aqueles discriminados em virtude de clivagens sócio-econômicas, como pobreza, origem migratória, gênero, geração, raça e etnia, opção sexual, portadores de necessidades especiais." (Trecho retirado de texto publicado em <http://www.direitoshumanos.usp.br/ dhusp4/premio_vencedores2002.htm>)
Ora, num momento histórico fundamental dos direitos humanos no Brasil, em que o editor gaúcho Siegfried Ellwanger é condenado pelo STF por crime imprescritível de racismo e distribuição de material racista e de fomento ao ódio inter-étnico, é no mínimo uma ironia que a USP conceda prêmio justamente "na área de direitos humanos" a um grupo que divulga material anti-semita – como Os protocolos dos sábios de Sião (também publicado e divulgado por Ellwanger!) –, amplamente usado pelos alemães nazistas durante o 3º Reich para justificar o assassinato em massa de metade da população judaica européia.
Imagino que os Srs. entendam que a luta pelos direitos humanos deva ser uma luta isenta de doutrinações ideológicas e jogos de poder, os quais são, via de regra, os maiores inimigos dos direitos humanos. O website DHNET, no entanto, ao publicar a bandeira da Autoridade Palestina e fotografias do conflito israelo-palestino onde apenas as vítimas do lado palestino são retratadas, e onde toda a história de terríveis crimes cometidos pelas autoridades árabes palestinas (inclusive contra seu próprio povo) desde a década de 1920 é omitida, certamente não é porta-voz legítimo e confiável dos direitos humanos, já que o caráter partidário do referido website fica patente.
A Rede DHNET também deseduca seu público leitor ao falsificar informações históricas, usando termos como "nazismo" totalmente fora de contexto. Qualquer pessoa familiarizada com a história do século 19 sabe que aquilo que distinguiu o nazi-fascismo das demais ditaduras sanguinárias expansionistas foi justamente o racismo extremo, que justificava o assassinato em massa de alguns povos (ou mesmo deficientes mentais) não apenas por sua posição política, mas tão somente por terem sido considerados racialmente inferiores. Ora, por mais que se possa criticar algumas políticas do Estado de Israel, este nada tem de racista. Muito ao contrário, reúne pessoas de todas as raças e sempre praticou a tolerância religiosa e a democracia.
Os líderes palestinos, por sua vez, são descendentes ideológicos do ex-mufti Hajj Amin al-Husseini (parente e mentor de Yasser Arafat), o qual, aliado de Hitler durante a Segunda Guerra Mundial, foi responsável pelo batalhão muçulmano SS da Bósnia, que exterminou milhares de ciganos, sérvios e judeus (para informação histórica a respeito, entre por favor em <http://emperors-clothes.com/gilwhite/israelpt.htm>). Diante desta evidência, dois pontos ficam claros: 1) a associação do nazismo real com a história do Oriente Médio sempre foi resultado da aliança dos países árabes (especialmente da então liderança palestina) com a Alemanha nazista contra a ocupação britânica. Associar nazismo à política de Israel é desinformação histórica máxima. 2) Um dos direitos humanos básicos é o direito à educação. Se DHNET deseduca seus leitores, ou fomenta a violência – como na "poesia" de guerra santa (jihad) publicada por eles em uma das páginas de seu website referidas abaixo – então não podem ser porta-vozes premiados dos direitos humanos.
Além disso, a posição oficial da Igreja Católica – parceira fundamental da Rede DHNET –em relação aos judeus, desde o Concílio Vaticano II, é de reconciliação histórica e correção da parcela de seus ensinamentos que levou tantos cristãos ao longo dos últimos 1.650 anos ao ódio anti-judaico e, em conseqüência, à tortura e ao assassinato de judeus. A divulgação de material racista como os Protocolos, em associação ao nome da Igreja é, portanto, também, um ataque à própria Igreja.
Numa época em que o antigo protesto nas ruas perdeu quase inteiramente sua função sociopolítica e que tal função foi assumida por organizações não-governamentais (ONGs) cujo financiamento por parte de grupos não-isentos, ou mesmo governos nacionais, compromete sobremaneira sua isenção, qualquer grupo ou ONG que se intitule "defensor dos direitos humanos" deve ser fiscalizado por todos. Talvez o exemplo mais pungente da necessidade de tal fiscalização seja o papel deletério e vergonhoso desempenhado pela ONG Human Rights Watch na Guerra da Iugoslávia, quando esta ONG, financiada por governos das potências ocidentais, terminou por apoiar fundamentalistas islâmicos secessionistas na Bósnia contra os sérvios locais.
Por fim, mediante as evidências acima apresentadas, peço ao Sr. a gentileza de explicar o paradoxo da premiação em questão. Desde já agradecido, Alexandre J. Eisenberg.
Link para as páginas racistas da Rede DHNET de "direitos humanos"
Entre em <http://www.dhnet.org.br/inedex.htm>. Daí, clique em "Dicionário dos Sentimentos Humanos." Em seguida, clique em "Indignação." Nesta página já aparece a bandeira da Autoridade Palestina à direita, em cima, uma fotografia de palestinos sob ataque israelense, bem como a comparação totalmente infundada do premier israelense com Hitler e dos judeus com alemães nazistas. Daí clique em "Chamada dos Ausentes." Aqui aparecem duas fotografias. Uma contendo uma criança palestina em região ocupada por Israel e outra contendo uma criança judia sob domínio dos alemães no Gueto de Varsóvia.
O intuito é obviamente a comparação. Não há, no entanto, nenhuma foto de crianças e mulheres israelenses despedaçadas diariamente por homens-bomba palestinos financiados pela Autoridade Palestina, assim como não há fotos de "alemães despedaçados por judeus", já que isto nunca ocorreu, o que comprova a total impropriedade da comparação. Nesta mesma página há uma "poesia" de conteúdo altamente violento, clamando por guerra, e, o pior, um link para Os protocolos dos sábios de Sião na íntegra!
Este libelo, forjado pela polícia secreta tzarista em fins do século 19 na Rússia, com fins políticos escusos, foi amplamente usado pelos nazistas para justificar o Holocausto, por Stalin em sua paranóia homicida e pelos países árabes desde o fim do Império Otomano até hoje, com vistas à expulsão dos judeus de sua terra ancestral. Para uma história completa e documentada dos Protocolos (em inglês), entre por favor em <http://emperors-clothes.com/antisem/protocols-1.htm>. Em português, um resumo da história dos Protocolos, bem como o perfil dos divulgadores do libelo no Brasil, pode ser lido em <http://www.midiajudaica.hpg.ig.com.br/ especiais/protocolos/protocolos.htm>.
Alexandre J. Eisenberg, doutorando, bolsista da Capes
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Incitamento ao ódio e ao preconceito – Fábio Koifman
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