VIOLÊNCIA JUVENIL
Pela pena de morte
O brutal assassinato dos jovens traz à tona algo que há muito tempo todos nós estamos "empurrando com a barriga", pois quantas vezes nos preocupamos somente com futebol, academia, dinheiro e consumo moderno? Entretanto, não sabemos em quem votar, em quem votamos, não nos preocupamos se o outro foi a vítima daquele assalto ali na esquina; na verdade falta-nos consciência social. Creio que o menor que vota e mata pode e deve ser julgado com rigor e penso na pena de morte como única saída (ainda que cruel e desumana). Acredito também ser muito difícil sua implantação, pois menores presos não votam. E assassinos mortos não geram verbas que podem ser desviadas, como ocorre nos presídios desse vergonhoso país.
Sem perseverança não se pode mudar a corrupção.
Maryanna F. Oliveira, digitadora, Belo Horizonte/MG
Perguntas que não querem calar
Quem se atiraria de um precipício caso a pena de morte ou a prisão perpétua fossem instituídas no Iraque, ops, no Brasil?
O que há por trás, de verdade mesmo, nesses que estão sob os direitos humanos?
Por que o governo não discute o controle da natalidade, para mim a mais urgente das questões?
Por que o secretário da segurança de São Paulo é contra a pena de morte, mas disse, numa boa, que só ontem mataram sete bandidos?
Por que estou com tanto medo dos políticos?
Por que os políticos mentem tanto?
Por que há tantos bandidos e tantos assassinos soltos?
Por que eles são tão covardes?
Para que serve o estatuto do desarmamento?
Para que serve o renda mínima se estão matando sem roubar nada?
Para que serve o renda mínima se estão matando, uma vez, duas vezes, três vezes? Sim, o mesmo assassino, sendo livre e matando novamente?
Por que para as famílias dos assassinos parece não haver responsabilidade nenhuma?
Será que a desculpa de sempre, de que são excluídas, não as faz ter base moral nenhuma?
E os ricos que mataram e estão soltos, e numa boa?
Base? Moral?
Dinheiro sim, e muito, é disso que os políticos gostam de discutir, sobre aumentos, um nº bem alto na frente, com um montão de zeros atrás. Essa é a base para eles.
Enquanto não houver mudança de comportamento, nada irá mudar. Querem fazer do Brasil como um fusquinha todo incrementado, daqueles malucos que se endividariam até os tubos, deixariam a família morrer de fome, pra incrementar o seu fusquinha. Claro que o Brasil é maravilhoso, é um país que não precisa de retoques, mas só fizeram isso com ele, incrementaram tanto, que só está sobrando sangue, suor e a fonte das lágrimas parece que já secou, já nem a temos, como a água. De quem é a culpa da falta de água, de São Pedro? Essa é outra verdade que precisa ser dita. Já passamos do tempo de brincar, pelo menos os adultos, ou não?
Gostaria que para o próximo programa já tivessem inventado uma cadeira que desse um choque de lucidez em alguns dos entrevistados, mas quem sabe consigam fazer isso com aquelas perguntas bem fortes? Aquelas que são muito mais fortes do que as respostas? Dá pra imaginar a que tipo de entrevistados estou me referindo.
Vera Aparecida Baraza
Justiça para poucos
Tem razão o jornalista Alberto Dines sobre o comportamento da grande imprensa em relação a temas de interesse público em geral. Comparemos apenas dois casos, certamente que o episódio dos assassinatos dos jovens Liana e Felipe desencadearam um debate que o assassinato de Galdino Pataxó não desencadeou, aquele dirigido a questão da criminalidade juvenil e, acrescento eu, à impunidade.
A primeira coisa a saber é por que a comoção midiática e nacional frente a dor dos pais de classe média é maior do que diante de uma mãe índia devido a horrenda morte do filho. Está claro que a vida de quem tem mais vale mais, assim como também vale mais a liberdade de quem tem mais. No Brasil impunidade não tem idade, tem conta bancária, essa é a primeira grande questão. Não se pode imaginar que um alto executivo da Shell fosse queimado vivo num banco de praça como índios ou mendigos, afinal ele dorme seguro em sua mansão, se a mansão é violada e ele é assassinado surge um caso "expecional".
Podemos ainda tentar imaginar que Liana e Felipe fossem dois jovens favelados, negros, que tivessem dado uma "escapadinha" de fim de semana num sítio abandonado e fossem mortos com muitas atrocidades. Pelo clássico comportamento da imprensa tupiniquim, não gozariam de tantas páginas de noticiário até terem seus corpos encontrados por acaso (seus pais não disporiam de recursos para superar a incompetência e má vontade da polícia com filhos de pobres). As versões incluiriam de imediato ligações com o tráfico, uso de drogas e crime por vingança, afinal eram dois jovens negros e favelados, nada mais "natural", não é mesmo? Sejamos realistas, a revolta e o desejo de vingança dos pais dos supostos jovens negros e favelados teriam um tratamento jornalístico bem menos extenso do que tiveram os pais de Liana e Felipe, menos até que o dedicado às mães de Acari.
Os assassinos dos jovens Liana e Felipe, quatro adultos e um menor de idade, foram isolados do convívio social de acordo com a lei, eu disse todos. Até agora, ninguém foi beneficiário de habeas corpus ou coisa que o valha, nenhuma juíza considerou as provas e as confissões insuficientes para prendê-los e interpretou o assassinato como "não intencional", o que ocorreu no caso dos jovens que queimaram vivo o índio Galdino Pataxó.
Foram cinco os criminosos na morte de Liana e Felipe, quatro eram homens feitos, mas o destaque da imprensa é só para o menor; não há destaque para os quatro adultos, ou seja, a maioria da quadrilha. Não é no mínimo estranho?
Mas o tema da violência juvenil ganha contornos dramáticos apenas quando ultrapassa o perímetro das classes alta e média, se circunscrito ao seu "habitat natural", o subúrbio e a favela, não é tema para debate nacional, apenas vira filme e tenta concorrer ao Oscar, motivo de orgulho nacionalista.
Bem, se privilegiássemos o tema da impunidade e como ela atinge mais ricos do que pobres, talvez chegássemos à raiz do ascenso de todas as formas de violência em nossa sociedade, não só a juvenil. Começando pela impunidade do governo que não cumpre suas obrigações constitucionais e usa do mais descarado fisiologismo para mudar a constituição, suprimindo direitos e diminuindo suas responsabilidades com as necessidades da maioria da população num país terceiro-mundista tremendamente desigual.
Cabe perguntar: quando foi cumprido de fato o Estatuto da Infância e da Adolescência? Como os excluídos de tudo poderão punir os governos que descumprem a constituição e abandonam milhares de crianças e jovens à miséria e a ignorância tornando-os reféns de um mundo cada vez menos racional e mais erotizado e violento? Por que essas questões são desprezadas pela mídia e a sociedade?
Diferente do que possa imaginar uma mente maniqueísta, não estou indiferente à dor dos jovens assassinados e suas famílias, apenas não sou seletiva em relação à dor humana, ou terei que me render à demagogia vigente admitindo que vale mais a desgraça que tem mais páginas nos jornais ou que vitima os que têm a pele mais clara e freqüentam os ambientes menos miseráveis.
Quero justiça para os assassinos todos, inclusive os que assassinam milhares com uma simples canetada; quero justiça para os estupradores todos, inclusive os estupradores de manicures; quero um debate sobre violência juvenil que inclua as gangues de classe média que aterrorizam a sociedade há décadas e nunca foram tema pra grandes discussões sobre reforma de leis sobre maioridade penal; quero justiça para todos e não para alguns. Se eu não agir assim, então eu nunca estarei buscando justiça, estarei apenas praticando casuísmo político.
Gostaria imensamente que a mídia fizesse um debate assim.
Wilma Pessôa, socióloga, Universidade Federal Fluminense
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Preservemos a razão
Parabenizo Paulo Afonso Graner Fessel por seu artigo "O medo midiático".
Não podemos perder a racionalidade de modo algum.
À cultura do medo, do consumismo no país, podemos somar a da desmotivação da sociedade frente à impunidade judicial, ao corporativismo institucional, a enxurrada de dados estatísticos e pesquisas acadêmicas, sem a resolução das questões apontadas nos Institutos de Pesquisa, por quem de direito.
Muito discurso, muita retórica, muita cobrança e nenhuma transparência.
Na realidade, o Estado e não apenas o desemprego, quando temido, encarado como não transparente em suas decisões, pode ser um fator de peso na crescente sociedade informal brasileira.
A mídia está interessada em explicar, sem alarde, mostrar os prós e contras na política, e, fazer refletir o impacto das medidas provisórias, das emendas constitucionais, das ações judiciais, das empresas nacionais, multinacionais, na vida do cidadão comum, de seus leitores, por exemplo?
Ou simplesmente apresentar mudanças radicais, em surtos diários, nas sombrias perspectivas por que poderão passar os cidadãos brasileiros?
As matérias jornalísticas evidenciam muitas vezes, o abuso da autoridade do Estado e, ao leitor, nenhuma saída constitucional.
Eu espero dos jornalistas, professores, educadores, homens da mídia, uma sincera reflexão do social em suas carreiras.
Não vejo saída digna e civilizada sem o olhar e a defesa do bem comum.
Claudia Nunes
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O medo midiático – Paulo Afonso Graner Fessel