09/12/2003 4/10

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VIOLÊNCIA JUVENIL
Final lamentável

Lamentável o fecho do artigo de Carlos Alberto Lungarzo, professor aposentado da Unicamp. Afirmar que a sede de justiça das vítimas de crimes violentos praticados por menores está sendo usada para desestabilizar o governo Lula, ainda por cima insinuando nazismo e fascismo nessa atitude, é, sem dúvida, absurdo. Se não for profunda estultice, trata-se de um cinismo abjeto. Que o sr. Lungarzo escolha entre as hipóteses, porque não há meio termo. Ao ver que o cidadão que escreve isso foi professor universitário, percebo o quanto o Brasil não tem mesmo conserto. Quantas gerações o sr. Lungarzo não deformou, moral e intelectualmente, no tempo em que exercia o ofício de professor? O Brasil ainda precisará de muito tempo para curar-se desse tipo de doutrinação marxista que ocupa todos os nichos do sistema educacional no país.

José Maria e Silva, Jornal Opção <www.jornalopcao.com.br> Goiânia/GO

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"Civilização", pena de morte e recorrências – Carlos Alberto Lungarzo

 

Brilliant!

Brilliant analysis... Which has always characterized Walter’s work. Paired with the linguistic ability to present intellectual examination in an accessible to all, humorous manner. Way to go Walter!

[Tradução do OI: Análise brilhante... O que sempre caracterizou o trabalho de Walter. Junto a uma habilidade lingüística que traz análise intelectual de forma acessível e bem humorada. Bom trabalho!]

Lisette Fernandez, Toronto, Canadá

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O processo alucinado da contradição – Walter Falceta Jr.

 

Análise dos leitores

A introdução: "... Um toque, só para não perder o hábito: não caberia à mídia, por sua vez – e não apenas aos sociólogos –, dar uma cavoucada em torno desse broto de ódio que germina em toda parte? Parece uma coisa muito séria, a julgar pela amostra das cartas do leitores do OI. Ou a imprensa andará tão distante do leitor que nem se interessa mais por seu estado de espírito?" (Caderno do Leitor, edição 252)

Extratos: "... da escassez de exemplos positivos familiares, de modelos de pessoas públicas íntegras para se espelhar / não valorizarmos os pontos positivos que queremos ver numa sociedade/ plebiscitos e referendos... podem ser uma "forma perversa" de exercício democrático/ responsável por ele deverá ser responsabilizado criminalmente/ é extremamente vantajoso que o menor continue inimputável, e neste contexto dá para se
desconfiar/ não consigo achar justificativa para que "pessoas ... tenham o direito de cometer atos tão bárbaros/ ele nunca passou por uma situação como a dos pais da Liana e do Felipe..."

Origens dos extratos (OI, 25/11/2003):

"O buraco é mais embaixo, aliás bem debaixo do nariz empinado da desigualdade social, da ausência de valores morais, da escassez de exemplos positivos familiares, de modelos de pessoas públicas íntegras para se espelhar, dentre otras cositas mas". Cristina Rebouças

"Vamos pensar nisso e veremos que somos, sim, responsáveis, mas responsáveis por não valorizarmos os pontos positivos que queremos ver numa sociedade que deixaremos para nossos filhos e netos!" Marilena Occhini Siviero

"Por que a mídia não leva ao público a idéia de que plebiscitos e referendos, conforme as questões em jogo, podem ser uma ‘forma perversa’ de exercício democrático?" Artur da Silva Bernardes

"Entendo que se um menor pratica algum crime o responsável por ele deverá ser responsabilizado criminalmente". Luiz Carlos da Cruz, professor e analista de sistemas

"Ora, para determinadas correntes de pensamento criminoso é extremamente vantajoso que o menor continue inimputável, e neste contexto dá para se desconfiar". Samuel Nunes

"É evidente que é necessário mudar muita coisa neste país, pois temos problemas sociais graves, mas, infelizmente, no meu simples modo de ver as coisas, não consigo achar justificativa para que ‘pessoas’, se é que podemos considerá-las assim, tenham o direito de cometer atos tão bárbaros como estes que estamos presenciando quase que diariamente".
Erica Cristiane

"A questão levantada pelo autor nem deveria ser levada em consideração, muito provavelmente ele nunca passou por uma situação como a dos pais da Liana e do Felipe".
Marcus Viana

Comentário:

Pista 1: escassez de exemplos positivos familiares, de modelos de pessoas públicas íntegras para se espelhar / não valorizarmos os pontos positivos que queremos ver numa sociedade.
A falta do herói é irreparável para a educação das crianças e jovens. O herói nos ensina a lutar contra o que achamos errado até à vitória final. Ensina-nos a vencer o medo. Os pais, nossos deuses, nos dão os poderes divinos para vencer o medo e a dor e chegar à vitória. É preciso, portanto, que o lar seja um Olimpo, para que nós possamos crescer como humanos que têm a força divina para lutar contra o mal.

Quem são nossos heróis hoje? Quais são os nossos deuses?

Alguém aí já se perguntou por que cinco adultos ajudaram um adolescente a estuprar e matar uma jovem e depois se mandaram e deixaram a bomba com o jovem?

Pista 2: casuísmo e emocionalismo

Há muito e muito tempo que administramos o Estado sem que haja um projeto de sociedade. Sem que nos decidamos por aquilo que consideramos prioritário para a vida da nação brasileira. As decisões têm sido casuísticas e emocionais/personalistas, como destacado na edição das cartas. A revolta contra a dor é usada como pano de fundo para nos
esquivarmos de nossa própria omissão/culpa. Neste ponto é bom ressaltar que nossa cultura considera que a dor/trabalho/doença/morte é punição para nossa culpa original pelo recebimento do fogo/sabedoria ("Qual Prometeu me amarraste um dia...").

Sobra pouco espaço para o funcionamento da razão e para o exercício de amor/fraternidade.

Pista 3: o automatismo

Criamos os jovens para comprar, comer, transar, cursar a universidade, ganhar muito dinheiro e ter filhos. E reforçamos nossas aulas (!?) com o exemplo cotidiano de vida vazia de afeto e de presença viva.

Quem consegue ganhar dinheiro segue o curso sem problemas, quem não consegue, mata os pais, mata quem puder para conseguir grana. Quem é pintoso e dinheiroso transa com quem quer, quem não é, estupra, mata, conquista na marra. Quem tem poder, manda, quem não tem, corrompe para ter poder na marra. E assim por diante.

Quando a barra pesa, chora, pede perdão, se droga, foge.

São apenas pistas da tragédia que há muitos anos vem sendo prevista pelos que entendem de educação e de formação moral da sociedade. Ou as origens do broto do ódio. A ignorância de si mesmo é a origem do ódio.

Vera Silva, psicóloga em Brasília

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Caderno do Leitor, edição 252

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