LINCHA! MATA! ESFOLA!
Maioridade aos 13
A Luiz Weiss, meu caro amigo de quatro anos de ginásio:
Sou apreciador de seus artigos. Mas, me desculpe, desta vez, infelizmente, você "pisou na bola". Lembre-se de que você é judeu e sua maioridade começou com o bar mitzvá, aos 13 anos, em ato solene, pelo menos com dez varões como testemunha. Provavelmente por este motivo você se tornou um cidadão útil à sociedade brasileira.
Eu defendo aquilo que seria a volta da matéria escolar Educação Moral e Cívica (como uma matéria obrigatória no ensino fundamental, a partir da 5ª ou 6ª séries) como se fora um bar mitzvá nacional, não religioso. Porém, aproveitando, já que somos um país de formação religiosa judaico-cristã em 99% da população, os 10 mandamentos deveriam ser inseridos nessa matéria escolar, uma vez que são a base de qualquer código civil. Aí não haveria desculpa para não reduzir a maioridade penal. A sensação de impunidade banaliza o crime em qualquer idade e em qualquer classe social.
Eu me orgulho de ser um judeu de "cabeça aberta", pois considero Deus acima das religiões, e a fé acima dos dogmas. Nada está aqui por acaso, até o livre arbítrio e a lei de Moisés nos foi dada por inspiração divina.
Acredito que você também acredita em Deus, a despeito das nossas idéias dos tempos de estudante, para mim já ultrapassadas pela experiência de vida. Você também come com o suor de seu rosto.
Vamos tentar salvar nossos jovens de todas as classes sociais, porque até seus pais eles estão matando, quando deveriam honrá-los, como está nos 10 mandamentos.
Um caloroso abraço do seu colega,
José Simantob Netto
Luiz Weis responde
Se, como diz o leitor, sou "provavelmente um cidadão útil à sociedade brasileira", com certeza não foi por ter participado de um ritual religioso numa idade em que não tinha autonomia para escolher se queria participar ou não. Era, se me permite a ironia, "penalmente imputável". No mais, respeito as opiniões do meu colega de ginásio e retribuo o seu caloroso abraço.
P.S.: Desde aqueles tempos, meu sobrenome se escreve com um esse só... (L.W.)
E se fosse com você?
Só tenho uma coisa a dizer ao senhor Luiz Weis, que com o seu texto "Lincha! Mata! Esfola" deseja colocar "panos quentes" no enfurecimento do público, sensibilizado pelos crimes hediondos cometidos por adolescentes.
Senhor Luiz Weis, o senhor certamente não colocaria os tais "panos quentes" se a pessoa estuprada, violentada, assassinada e maltratada por cinco dias seguidos, fosse o seu filho ou filha. Se o assassino fosse um rapaz de 16 anos que já pode muito bem votar e responder pelos seus atos. Pimenta nos olhos dos outros é refresco de groselha, não é mesmo, senhor Luiz Weis?
Como mulher e mãe, sou solidária à luta do Dr. Ari Friedenbach, assim como fui ao empenho e às conquistas da escritora Glória Perez.
Em sua própria nota, senhor Luiz Weis, fiquei sabendo que o Dr. Ari Friedenbach fala em trabalho na prisão, para que os detentos paguem pelas despesas que temos com eles. Eu não tinha conhecimento desse pronunciamento, mas de qualquer forma esta colocação fez com que eu admirasse ainda mais o Dr. Ari Friedenbach, porque o trabalho dignifica o homem. Se eu trabalho para sobreviver, por que o senhor acha que um detento não deve trabalhar para ganhar o seu prato de comida? As padarias comunitárias, as fábricas de cartões e o artesanato são atividades que os detentos desenvolvem na prisão e que além de contribuírem para o seu crescimento pessoal, ajudam no sustento de suas próprias famílias, que se encontram desprovidas. O trabalho na prisão pode sim contribuir para que o Estado seja ressarcido pelo que despende com eles. Por que não? Por acaso trabalhar é indigno, senhor Luiz Weis?
Vou me valer de uma frase antiga do saudoso cantor Cazuza: "O trabalho é mais importante que o amor porque é o trabalho que nos dá dignidade suficiente para amar". Por isso não concordo com suas críticas ao Dr. Ari Friedenbach ou qualquer jornalista exaltado que seja. Lembre-se, senhor Luiz Weis, que nós jornalistas somos pais também.
Sandra Saruê
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