ENTREVISTA / MUNIZ SODRÉ
Platão, conhecimento e opinião
Na entrevista de Muniz Sodré chama a atenção a seguinte passagem:
"Uma coisa é o verdadeiro, outra é o verossímil, o que parece verdade. O verdadeiro é chato e a imprensa já é verossímil há muito tempo porque busca credibilidade, não a verdade. Ela quer ser crível e para isso ausculta a comunidade. O problema é que a imprensa está tecnicamente se isolando muito. O país está em uma crise desgraçada, vem uma revista e bota na capa como é que mulher goza! E fica discutindo quem é que goza mais, se o homem ou a mulher, se é melhor você tomar alho, Viagra ou coisa nenhuma. Isso tem alguma importância, mas os médicos já resolveram. É uma alienação completa. A imprensa escrita diária empurra o leitor para o entretenimento, o Caderno B, somos tomados pela cultura do espetáculo. A realidade tende a ser espetacularizada."
Logo me veio à mente a discussão presente na República de Platão acerca da distinção entre o conhecimento e a opinião, e de como esta última se mostra tentadora no desviar o homem na perscrutação daquele, justamente porque se mostra mais fácil e agradável seguir o deleite dos sentidos do que manter a rigorosa disciplina na constante pesquisa do fato, para além da conveniência. Deixando de lado o debate sobre estar Platão entre os inimigos da democracia ou não, ou entre os precursores do socialismo ou do fascismo – muita tinta já se escreveu sobre isto –, o que interessa, mesmo, é retomar a distinção, até mesmo no sentido de rastrear as raízes das decisões tomadas a partir da diversão, a partir do espetáculo, a partir, enfim, do "achismo". Realmente, é chatíssimo tentar esmiuçar as coisas, explicá-las honestamente a um interlocutor que não as conheça: ele prefere uma resposta satisfatória, não uma resposta certa. Como se algo que ocorre independentemente da vontade humana – a realidade – pudesse ser ordenado de acordo com a lógica do ser humano. Para que haja tal ordenação, é necessário o pleno controle da realidade, e este somente se dá por dois meios: ou quando se tem poder sobre o restante dos seres humanos em redor ou quando a realidade é imaginada, pois o criador tem pleno domínio sobre o destino de suas criaturas, a não ser que as dote do poder de autodeterminação.
Ricardo Antônio Lucas Camargo, doutor em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais, membro da Fundação Brasileira de Direito Econômico.
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CAPA CAPITAL
Anúncios e lulismos
Quanto temor para dizer que a Carta Capital vendeu a capa, isto sim! Quando saiu a segunda "sobrecapa", mandei uma carta-frase que dizia "Pô, lular já foi grave! Agora, vender a capa..." Não publicaram. Ok, eles decidem. Eu também já decidi: não renovo a minha assinatura. Como também não vou renovar a assinatura da Caros Amigos. Estes veículos que "lularam" estão é cheios de anúncios do governo (BB, Caixa, Petrobras etc) e de prefeituras e governos do Partido dos Trabalhadores. É só dar uma espiada nestes dois e também no Pasquim.
Jornalismo a favor? Faça-me o favor! E de novo, vale Millôr: jornalismo é oposição, o resto é armazém de secos e molhados.
Mírian Macedo
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Capa Capital – Paulo Rebêlo
ANÚNCIO DE VEJA
Os personagens certos
Desde há muito que Veja se reduziu a mero instrumento para candidato a universotário se preparar para passar em atualidades no vestibular... Não há mais texto, mas muita imagem. Mesmo porque a moçada só vê as figurinhas mesmo...
Mas a revista sabe o que faz para atingir seus objetivos comerciais. Percebam que os vencedores de nossa sociedade, que são as Gentes ali estampadas, rotineiramente não passam de personagens iletrados, basbaques e superficiais. Como nata em leite podre... Tal qual a linha editorial dessa marafona de nossa imprensa.
Ramón A. Portal, Bauru/SP
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Quem são, segundo seus anunciantes – Breno Costa