FÁBRICA DE DIPLOMAS
Alunos discriminados
Sou aluna no curso de Jornalismo da Faculdade Estácio de Sá em Belo Horizonte. Quero fazer alguns comentários sobre o artigo "Fábrica de diplomas", de Alberto Dines.
Quanto à postura dos empresários, não me surpreendo, pois vivemos em um regime capitalista e é comum certas atitudes publicitárias; quanto ao ensino, gostaria que você fizesse uma visita à faculdade e verificasse se realmente a instituição é séria, se os professores estão insatisfeitos com o ambiente de trabalho e se os alunos têm ou não que se esforçar para receberem um diploma.
Quero deixar claro que sou apenas uma universitária e pago minha faculdade. Eu estou muito satisfeita com ela, uma vez que tenho um excelente corpo docente, jornalistas atuantes em Belo Horizonte, mestres e um campus muito bem estruturado. Não estou questionando sua posição em relação à atitude dos donos da empresa e sim a maneira pela qual você se referiu à instituição, dando a impressão de diminuir o valor do diploma conquistado com muito esforço, de ambas as formas, tanto financeira quanto intelectual. Peço-lhe por favor que, antes de fazer certos comentários, pense que nós alunos podemos sofrer uma forte discriminação no mercado de trabalho.
Dênia Aparecida Ribeiro
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A.D. responde
BAIXARIA NA TV
Vida imita a arte
Escrevo esta carta como um desabafo sobre as condições morais da sociedade brasileira, que está tomando um rumo angustiante. Por que temos tanta pornografia de modelos e atrizes globais, tanta exposição de crianças e adolescentes fazendo sexo e namorando na mídia e, finalmente, por que os bandidos possuem tantos direitos e tão poucos deveres?
Por que os nossos representantes, eleitos para manifestar a nossa vontade, não a deles, não querem ouvir a sociedade a respeito da maioridade penal aos dezesseis anos? Nossas leis são uma vergonha, uma afronta à vítima, que, além de morta ou agredida, ainda tem a família, ou a própria, que conviver com o fantasma da impunidade, essa humilhação constante de ver que a dor não passa e a sociedade esqueceu o crime que o agente cometeu com tanta rapidez. Isto nos tira a sanidade, levando a questionamentos do tipo: será que estou louca? Só eu vejo gravidade no que esta pessoa fez? Aí converso com as pessoas e vejo que elas têm o mesmo sentimento, será que ninguém nos ouve? Neste ponto vêm as respostas.
O Brasil faz leis utópicas, são leis do "dever ser", não do que realmente é. Não vejo um outro país tão desprovido de pragmatismo como o nosso. Não se fazem leis para a nossa realidade, mas para o que o mundo acha que somos e devemos ser, baseadas em tratados, convenções, acordos, que não são celebrados por nós e pior ainda, muitas vezes não satisfazem nossas necessidades.
É como dizer para alguém que ele deve ser assim ou assado, mas nunca perguntar o que ele quer ser; então esta pessoa, logicamente, além de não se identificar com o ideal estabelecido, sente prazer em transgredi-lo, por considerar isto uma afirmação da própria vontade, do próprio caráter. Penso que parte desta premissa a satisfação que os nossos criminosos sentem em delinqüir, uma vez e outra, e mais outra...
Nossa mulheres, quando em destaque na mídia, expõem-se como atrizes pornôs, mas estas mesmas atrizes o fazem em um meio onde isto é permitido e em locais fora do alcance de maníacos e estupradores-assassinos, deixando esta condição de fragilidade para as nossas colegiais, universitárias, donas-de-casa, que longe dos holofotes são forçadas a satisfazer a luxúria destes homens despreparados, desprovidos de afetividade pela figura da mulher, que crescem assustadoramente em número. Todo ato gera uma reação, ou essas mulheres pensam que estão isentas da acusação de rechear o imaginário masculino de situações altamente eróticas e depois não colher os louros da iniciativa, deixando para as outras o ônus de fazê-lo, até mesmo sob violência?
Combatemos a pedofilia mostrando minisséries de televisão onde crianças vão ao baile funk, fazem sexo, trocam de parceiros como adultos. Qual é a diferença então? Sexo entre crianças é permitido? Devemos parar de ter posturas contraditórias ao nosso discurso. Não dá para se fazer acreditar desta maneira. Ser coerente é fazer exatamente o que se pensa, quando não o fazemos, nos corrompemos! Afinal não é isto que fazem os fraudadores, hipócritas e corruptos que infestam nossa sociedade?
Leis que correspondem à realidade. Condutas coerentes com o que é moral, justo e ético. Erotização para quem quiser buscar por ela, não para quem está de pijama e pantufa e crianças na sala, zapeando entre os canais para achar algum programa de qualidade para a família; pensar na vítima como a parte mais fraca, sugiro a mudança do princípio criminalista in dubio pro reu, para in dubio pro vítima e finalmente ter todo o cuidado na elaboração das leis, visando equilibrar os direitos e deveres da classe de pessoas a que a lei se refere. Será que isto é pedir demais para uma sociedade que tem como ideal continuar a existir?
Renata Faria Villela Araujo, universitária, 26 anos, Rio de Janeiro
COPEL / PAULO PIMENTEL
Socorro!
A matéria abaixo saiu na edição de 5/12 do jornal Folha de Londrina. Mostra os gastos da Copel com a campanha de divulgação do Luz Fraterna, programa do governo Roberto Requião que dá energia elétrica de graça para famílias de baixa renda. A campanha foi feita sem que a licitação da Comunicação Social tenha acabado.
O presidente da Copel, Paulo Pimentel, também é presidente do Grupo Paulo Pimentel de Comunicação. TV que retransmite o sinal do SBT e os jornais Estado do Paraná e Tribuna do Paraná. Os jornais do presidente da Copel receberam juntos 44 mil reais e a televisão 600 mil reais. Ele deu dinheiro para ele mesmo. Além disso o Presidente da Copel assinou convênio isentando as empresas de rádio e tv do pagamento da conta de energia elétrica em troca da veiculação de mensagens de emergência da companhia de energia do Paraná.
Socorro...
Alexandre Teixeira
Folha de Londrina, 5 dezembro 2003
Campanha do Luz Fraterna custou R$ 3 milhões
Curitiba – A divulgação na mídia da campanha Luz Fraterna, do governo do Estado, custou R$ 3 milhões para a Companhia Paranaense de Energia (Copel), de acordo com informações obtidas pela Folha. A campanha foi lançada há cerca de três meses em jornais, rádios e tevês no Estado, e durou em média 15 dias, de acordo com o secretário de Estado da Comunicação Social, Airton Pisseti.
Através do Luz Fraterna um dos principais projetos do governo Roberto Requião (PMDB) , o governo do Paraná paga a conta de luz das famílias de baixa renda que tenham consumo mensal de até 100 quilowatts/hora. São beneficiados cerca de 700 mil paranaenses (incluindo consumidores da zona rural).
No total da campanha, foram distribuídos exatos R$ 3.099,282,58, sendo R$ 864,1 mil para cerca de 120 emissoras de rádio; R$ 272,9 mil para 38 jornais; e R$ 1,962 milhão a 19 emissoras de tevê. A Folha procurou a Comunicação do governo e a Copel para conferir os valores, mas não obteve a confirmação oficial até o fechamento desta edição. A campanha foi veiculada em caráter de emergência, conforme explicou à Folha o secretário da Comunicação, Airton Pisseti. Como a licitação para contratação de agência de publicidade e propaganda ainda não saiu, o governo do Estado escolheu os veículos por critérios técnicos, segundo Pisseti. Foi levada em conta a circulação e a audiência dos veículos. "A campanha foi para esclarecimento da população (sobre o Luz Fraterna), em caráter de emergência. O Tribunal de Contas (TC) do Estado nos autorizou a fazer a divulgação", disse o secretário, em entrevista por telefone na tarde de ontem.
O TC confirmou, através da assessoria de imprensa, a consulta feita pelo Palácio Iguaçu antes da divulgação da campanha. A autorização para a campanha foi aprovada pelos conselheiros em setembro. Fernando Augusto Mello Guimarães foi o conselheiro-relator.
Conforme a lista obtida pela Folha, a Gazeta do Povo recebeu R$ 45,9 mil; O Estado do Paraná R$ 22 mil e Tribuna do Paraná R$ 22 mil; e a Folha de Londrina R$ 7,8 mil. A 96 FM em Curitiba recebeu R$ 120 mil, de acordo com a listagem. Outras rádios do interior receberam valores bem menores, próximos a R$ 3 mil. Nas tevês os valores são maiores. As grandes emissoras, como a Globo e o SBT, receberam cerca de R$ 600 mil cada.
O PIOR SHOW DO PLANETA
Ação contra RBS
Por infelicidade do destino ou azar mesmo, eu também estava no show do planeta naquela noite de terror. Lendo o artigo escrito pelo Gustavo Cabral sobre a desgraça que se abateu sobre aqueles que lá estavam, me senti novamente indignada com o descaso da RBS na época. Revoltante demais.
Fui ao show acompanhando meus filhos adolescentes, com o único objetivo que era o de proteger minha filha, então com 13 anos. Meu filho de 16 já não me preocupava. Não pretendo aqui transcrever todo o sofrimento e pânico pelo qual passamos. Mesmo por que isto ainda me faz muito mal. Estou até hoje me tratando com antidepressivos. Cheguei mesmo a desmaiar com a pancada de alguma coisa em minha cabeça. Tivemos escoriações nas pernas e mãos. Dois dias após o acidente começou o meu calvário.
Nem sei quantas vezes me levaram para o hospital sem conseguir respirar, achando que morreria. Foram três meses totalmente fora do ar. Foram dezenas de médicos, exames... Diagnóstico: Distúrbio de Stress Pós Traumático (PTSD). Tentei entrar em um acordo com a RBS para me ressarcirem do tratamento, e mesmo depois de passar por um psiquiatra da empresa que confirmou o diagnóstico eles simplesmente ignoraram o caso. Conseqüência, hoje movo uma ação contra eles que por incrível que pareça parou no tempo. Gostaria imensamente de contatar pessoas que estavam lá naquela noite e que se machucaram. De repente através de Gustavo Cabral eu consiga.
Sandra R Giacomozzi Foschiera
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