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Edição de Marinilda Carvalho
– Lula foi maltratado no Roda Viva.
– O quê? Não vi nada disso, ele foi até muito bem tratado.
– Bem, o clima era cordial, sem rapapés, fiquei emocionado.
– Os entrevistadores foram desrespeitosos porque Lula não se dá ao respeito.
– Ora, Lula é um homem simples, trata daquele jeito o FHC, o Serra, o Brizola.
– Pois o programa mostrou a que ponto chegou a falta de respeito no país.
– Não, ficou provada a inadequação do Lula à Presidência.
– Nada disso, ficou provada é a ingenuidade do Lula...
Parece conversa de botequim? Pois são as cartas dos leitores repercutindo o artigo "Vexame no Roda Viva", de Luiz Weis, publicado na edição passada, que atraiu muitos comentários, cada um diferente do outro. Fenômeno raro aqui no caderno, já que a maioria dos leitores costuma apoiar maciçamente um ponto de vista.
Desse jeito a leitura fica, no mínimo, mais instigante.
Concordam?
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Nota da Redação: O Observatório da Imprensa não publica mensagens assinadas com pseudônimo ou iniciais. Cartas só serão acolhidas quando claramente identificada sua autoria.
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RODA VIVA & LULA
Vocação para a coisa menor
Verdadeiro e preocupante. A tentativa de desqualificar via tratamento inadequado não é coisa nova nos órgãos da imprensa no Brasil. O pior é que a campanha e o Lula passam, mas as ações discriminatórias continuarão em todos os setores da vida nacional, confirmando a nossa vocação para a coisa menor, para a futilidade como valores preferenciais das pessoas. Que pena...
Celso Sá, Niterói, RJ
Cordialidade sem rapapés
Seria irrelevante a sua observação (afinal, respeito propriamente dito não se resume a formas de tratamento) se não atentássemos para o fato de que os cidadãos no mundo e, particularmente, no Brasil, em suas relações tratam e são tratados segundo seu status socioeconômico-profissional-político, e que tal tratamento, por si só, representa e/ou carrega uma atitude preconceituosa, para mais ou para menos. É um processo que tanto tem de inconsciente quanto de muito, muito sério, merecendo, por parte dos profissionais de imprensa, todo o cuidado. Não houve desrespeito à pessoa de Lula, e vê-los em franco debate, jornalistas de um lado, candidato à Presidência de outro, num clima de cordialidade sem rapapés, deixou-me francamente emocionado.
Em última análise, todos deveriam ser chamados de "Senhor", dispensando-se assim os títulos "nobiliárquicos" (que não deixam também de ser uma propaganda subliminar), apresentando, evidentemente, o currículo completo do cidadão.
Luiz Paulo Santana, Belo Horizonte
A culpa é do Sr. Lula
Concordo plenamente com a opinião manifestada. Entretanto, o Sr. Lula, em quase todas as entrevistas que dá aos diversos meios de comunicação, em nenhum momento se refere ao presidente Fernando Henrique com a mesma formalidade. Sempre que se refere a uma pessoa chama-a pelo nome: "o Brizola" (não seria governador Brizola ?), o Covas (não seria governador Mario Covas?). O Sr. Lula apenas usa alguma formalidade para se referir aos integrantes de seu partido: "companheiro José Dirceu, companheiro José Rainha. Creio que o tratamento dado por alguns jornalistas, mesmo que de maneira errônea, foi devido a essa informalidade com que o companheiro, deputado ou Sr. Lula dispensa aos seus interlocutores.
Sergio Dedecca
Inadequação revelada
O jornalista Luiz Weis, com o seu artigo ("Ô Lula"), apenas revela a inadequação do candidato a presidente com respeito ao cargo. Digo isso sem querer diminuir a figura do ex-torneiro mecânico, exemplo de inteligência iletrada, talvez o maior político do Brasil na atualidade. Lembremo-nos do exemplo do polonês Lech Walesa. Lula ficaria muito melhor apoiando, por exemplo, um Aloísio Mercadante ou um Tarso Genro, mesmo que não os elegesse. A popularidade não é tudo; é preciso estar preparado para o que se pretende. Assisti ao programa e vi como ele tem dificuldade de articular respostas a questões mais profundas (endividamento externo, política de comércio internacional, conflitos globais etc.). Vamos torcer por ele, mas para outras funções. Seria horrível ter que escolher em segundo turno o bom sujeito despreparado, para não ficar com o neoliberal da corriola representada pelo FHC, ou algum populista sem-vergonha.
Gervásio G. Bastos
Faltou finesse
Apesar de não simpatizar nem um pouco com o Sr. Lula, concordo no que tange à matéria. Todos os entrevistados devem ser respeitados e receber tratamento correto, pois são convidados, e é de bom tom que o anfitrião trate convidados com finesse, nunca ofendê-los ou destratá-los. Gostei muita de sua matéria.
Maria Aparecida Fabiano, analista de sistemas
Faltou etiqueta
Concordo com o senhor sobre nossa falta de respeito e etiqueta. Estamos vivendo um momento de abertura de privacidade total e sem contestação. Um raro exemplo foi o seu texto. É nas pequenas coisas que percebemos qual caminho traçamos.
Nelson Niero
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