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MÍDIA ESPORTIVA
Ética na terceira divisão
Há muito tempo Milton Neves deixou de ser um competente radialista para tornar-se um multimídia: além de apresentador de programas de rádio e televisão, é também publicitário e presidente de uma ONG chamada Santos Vivo, que tem como objetivo obter patrocinadores e alternativas para que o time da Vila Belmiro saia do buraco em que está metido. Assim, com que isenção este profissional pode tecer qualquer comentário sobre o Santos Futebol Clube, se não apenas manchá-lo, se ele apoiou a chapa de oposição na recente eleição em que o presidente Marcelo Teixeira reelegeu-se? Foi o que ocorreu no programa em questão, quando houve o bate-boca entre o advogado do clube o e jogador.
É interessante ressaltar que o Santos nunca foi um exemplo de administração, e não é o único clube do futebol brasileiro a ter problemas na Justiça com jogadores, mas o que ocorre com ele em particular é um massacre por parte de certos cronistas que insistem em realçar estes casos, dando amplo espaço para que os jogadores que estão em litígio com o clube falem aos quatro ventos, enquanto o clube não tem o mesmo espaço para mostrar seus argumentos.
Interessante é que o clube tem saído vitorioso em boa parte destas contendas jurídicas, sem contudo ter o mesmo destaque de quando elas vêm a público, num autêntico caso de síndrome de antena parabólica. Recentemente, num programa de televisão aqui de Santos, de propriedade de Marcelo Teixeira, o apresentador Aníbal Gomes fez pesadas críticas a Milton Neves, afirmando que este era o contato publicitário da empresa Unicor, antigo patrocinador do clube. Interessante é que esta mesma empresa era patrocinadora dos programas esportivos da Jovem Pan, emissora em que Milton Neves trabalha. No fim, todos se locupletam.
Há muito tempo, a imprensa futebolística paulista caiu para a terceira divisão.
Rogério Barreto Brasiliense, Santos, SP
Leia também
Milton
Neves e a baixaria – Marlus Vandelao,
Caderno do Leitor (rolar a página)
BNDES
Cony, o sofista
Li e não entendi. O Cony, em sua coluna da Folha, para justificar a publicação de um texto seu em matéria publicitária do BNDES, tergiversou sobre a inépcia dos brasileiros em ler e compreender um texto. Mas qual não foi minha surpresa, talvez menosprezando mesmo seus leitores, quando ele sofismou, "bravo". Disse que o BNDES aproveitou (e não, aproveitou-se) um texto seu, que não se refere ao banco, e o utilizou em sua matéria publicitária. Assim, eu, você, nós todos, temos que separar o texto do Cony da matéria e das intenções que a cercam. Texto puro, sem contexto. Ademais, compara este caso ao de Carlos Gomes, que teve seu tema de O Guarani vinculado ao governo Getúlio Vargas, por ter sido usado na Hora do Brasil.
Ficam no ar:
1) O que quer dizer "aproveitou um texto meu"? Significa pagar por ele? Ou tiraram proveito dele? Ou apropriaram-se dele? Pelo tom da crônica, pagaram; mesmo porque o texto (puro) foi acompanhado por fotos do autor.
2) Por que então a comparação ("mal comparando", disse ele, num ato falho...) com a, aí sim, vinculação indevida da obra de Carlos Gomes ao governo estadonovista?
3) O sofisma: Carlos Gomes estava mortinho da silva na ocasião em que o déspota gaúcho fez uso de sua obra. Já o seu Cony recebeu lá seus caraminguás por esse aproveitamento de seu trabalho.
Bem, o que acham? Será que eu não entendi nada mesmo?
Eugênio Vinci de Moraes
FANTÁSTICO
Invasão do coisa ruim
Na edição do Fantástico de domingo (7/4), a cidade de Inglis foi destaque em matéria na qual o demônio foi expulso por decreto-lei da prefeita. O horário para a exibição de tal tema – se é que isso desperta algum interesse ou curiosidade – deveria ter merecido mais atenção, pois nossos filhos ainda estão acordados e é difícil impedi-los de assistir (moro no interior do Paraná e não temos TV a cabo). Quando fui desejar boa noite ao meu filho de 8 anos ele, aos prantos, disse que estava com muito medo, referindo-se à matéria. Eu disse a ele que eram desenhos, como nos desenhos animados a que ele assiste diariamente. Ele prontamente me cortou e citou a voz no telefone. Eu, rapidamente, disse que era um trote de um vizinho para a prefeita.
Já trabalhei em televisão na época até em que a censura ainda fazia parte do seu dia-a-dia. Não sou favorável a ela, mas os detentores do quarto poder devem ter mais discernimento sobre o que veicular e a que horas veicular determinados assuntos, principalmente aqueles que vão diretamente para as cabecinhas de nossos filhos.
Jurema Gontarski
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