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OUTRA IMPRENSA
Sem-terra com terra
Já li muito o que Frei Betto escreve e certamente não é desprovido de ideologia, nunca é, o que ele escreve. Fica muito fácil dizer que são todos famintos, sem-terra e sem esperanças quando se mora numa cidade grande e só se vê esse pessoal na TV. Na nossa verdade, aqui no interior, não tem sem-terra passando fome há muito tempo. Nós estamos pagando a comida deles faz tempo. Não se acham mais nem sem-terra, eis que só ainda não tem quem não tentou. Quanto à reforma agrária, em si, é óbvio que ela não atende às necessidades do país e mais dia menos dia terá de ser ampliada. Para isso será necessária uma quantidade de recursos, de que, é visível a olho nu, ainda não dispomos.
Ademir João Peruzzolo, Palmeira das Missões, RS
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ALMANAQUE ABRIL
Extremo-Norte esquecido
Há muitos comentários a fazer sobre omissões, lapsos, incompetências; e restrições a vários veículos de informação. Mas, antes de fazê-los, quero ler do professor Deonísio uma explicação (convincente!) que justifique a ausência em seus reparos ao Almanaque Abril de obras relativas ao extremo-norte do país, hoje objeto de cobiça explícita das "nações amigas", fato mais do que justificável para que se estimule uma leitura de defesa e construção de uma consciência crítica de combate à internacionalização da Amazônia.
Ruy Pinto Pereira
Deonísio da Silva responde
Meu caro Ruy Pinto Pereira, você tem razão, mas não foi somente o Norte que foi esquecido. Foram todas as regiões brasileiras, incluindo o Sudeste e, o que é mais desconcertante, o próprio estado de São Paulo. Se fizéssemos apenas o relato de todas as omissões do Almanaque Abril, somente no campo da literatura brasileira, precisaríamos escrever muito mais.
O AA, porém, não está sozinho nessa imprecisão de registros. Há poucas obras de referência em nossas letras e quase todas estão desatualizadas.
Entre as que mais se aproximam da realidade estão a Enciclopédia da Literatura Brasileira, de Afrânio Coutinho e J. Galante de Sousa (co-edição da Biblioteca Nacional/DNL, ABL e Global Editora), os livros do professor da USP Massaud Moisés (todos publicados pela Cultrix), a História da Literatura Brasileira, da professora italiana Luciana Stegagno Picchio (Editora Nova Aguilar), e os livros de Malcolm Silverman, professor e pesquisador da San Diego State University (no Brasil, publicados pela Record e editoras universitárias da UFRGS e da UFSCar).
Minha crítica teve o objetivo de levar os responsáveis pela edição do AA a uma autocrítica que resultasse na correção. Mesmo porque acho que quem compra o AA todos os anos, como eu, tem o direito de reclamar diante de erros como os que apontei. Por muito menos as pessoas vão ao Procon. Mas, descontando o tom pernóstico da resposta da diretora, apreciei sua modéstia em reconhecer as falhas. Como é uma publicação muito consultada, sobretudo nos circuitos escolares, contribui para o rebaixamento do ensino.
De todo modo, o AA omite, mas não desinforma, como vem de fazer Zilda Iokoi, professora e chefe do Departamento de História da USP, no livro O Brasil atual e a mundialização, de cuja edição o estado comprou 2.383 exemplares, distribuindo-os a 1 mil escolas, conforme denúncia do jornalista Elio Gaspari, na Folha de S. Paulo (edições de 31 de março e 7 de abril deste ano).
Pior do que isso: integrantes da confraria universitária saíram em sua defesa, endossando a resposta arrogante e cínica que a professora deu ao jornalista, quando era o caso de um mea-culpa, ao menos. (D.S.)
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