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REBELDE A FAVOR
Incoerências do Jabor
Falta coerência ao Sr. Arnaldo Jabor. Reiteradamente ele tece comentários os mais árduos contra o imperialismo ianque, e na quinta-feira, 4 de abril, novamente desferiu duras palavras contra a política neoliberal americana em relação ao Brasil. Falou de tudo, que usamos carros americanos, telefones americanos, comemos hambúrguer com milk-shake e assistimos a filmes americanos (que na visão dele são ruins, mas nós gostamos porque já sofremos uma espécie de lavagem cerebral). Falou, em suma, que somos mesmo uma neocolônia de Tio Sam.
Eu não teria nada a discordar do Sr. Jabor, não fosse o fato de ele claramente apoiar e beatificar o candidato José Serra à Presidência. Engraçados alguns comentaristas: dão com uma mão e tiram com a outra. Será que alguém deveria explicar ao nosso respeitado "Sr. do contra" que o governo de Fernando Henrique Cardoso foi justamente o que mais escancarou as pernas (palavras dele) ao predatorismo internacional que privatizou a preço de banana nossas empresas? Enquanto isso, nos corredores das grandes redes de comunicação se traça uma forma discreta de tentar colocar o único candidato de esquerda, o do PT, no paredão, porque aprovou isso, falou aquilo ou porque quer um peso-pesado da indústria (que coincidiu ser do PL) para desfazer o medo que o empresariado tem do PT!
Não faz mal, gente! Qualquer coisa a gente diz que a culpa da Argentina estar assim é da esquerda também. Mas o que é engraçado é que nem lá nem cá os PTs estiveram no governo, então como explicar o estado de penúria de nossas pátrias? Mas, olha, meu descamisado povo brasileiro, não se preocupe não, que de um jeito ou de outro, mudando uma cara aqui e a outra ali, o poder enraizado vai dar um jeito de continuar mandando, tá? Que as crianças vão continuar sem escola e a classe média cada vez mais pobre, viu? Nem que para isso precise fazer a mesma lavagem cerebral que fazem os ianques conosco... o povo é bobo.
Carlito Gallado, Curitiba
MST EM BURITIS
Réplicas e tréplicas
Caro professor, se de um lado abusei das figuras de retórica, de outro o senhor certamente se confundiu: o que sempre dá certo no final é "o avesso do avesso". Falei em inversão da versão. Versão é uma interpretação, e pode ser uma impressão pessoal verdadeira ou falsa. Uma segunda versão derivada de uma primeira já distorcida só admite como resultado um erro agravado. Como é lógico, tal situação jamais poderia conduzir à sua "versão correta", mas apenas afastá-la ainda mais. Já o emprego do termo "inversão", ali, é pura hipérbole. E se dobrei o uso dessas palavras foi com o intuito de chegar ao absurdo mesmo, aquele de onde geralmente partem as teorias que não se sustentam e nem se provam.
Mas, se fazer supor – e argumentando com base em apenas dois jornais do RJ – que toda a mídia só se manifesta(ou) contra os atos do MST, e de maneira "orquestrada"; se, por acaso, sugerir que essa seria a voz onipresente e determinada a obliterar o entendimento das maiores causas sociais pelo povo; se fingir não ver a descomunal leniência do próprio governo com o MST – e que não é de hoje; se, ao reproduzir apenas os trechos das notícias que corroboram a já famosa teoria da conspiração contra o PT/MST e, a seguir, ainda comentá-las como se fossem corolários óbvios; se ainda tentar fazer crer a inexistência de jornalistas (ou na falta de espaço para a manifestação desses) mancomunados ou mesmo meros simpatizantes do PT, do MST e demais causas socialistas quando, ao contrário, esses constituem sim a grande maioria nas redações do país; enfim, se nada disso é sofisma, não sei o que o seria.
Quanto à frase "as voltas que a mídia dá", talvez tenha sido um trocadilho infame, mas que de fato expressa uma mentira absolutamente proposital disfarçada em cinismo e ironia: é claro que o senhor não citou qualquer movimento "pendular" da imprensa – como tampouco foi isso o que eu disse. Usei apenas outra figura de retórica que, convenientemente foi, pelo senhor levada a sério e, como era de se esperar, para o lado errado.
Em tempo: leia com menos prevenção as críticas que recebe.
Moacyr Francisco, publicitário, São Paulo
Gilson Caroni responde
Caro leitor, críticas são sempre bem-recebidas, porque são a certeza de que estamos sendo lidos. Mesmo não concordando com o teor da sua, muito me agrada a leitura. Um grande abraço. (G.C.F.)
Leia também
Do erro tático ao acerto editorial – Gilson Caroni Filho
Inversão
da versão – M. F. e G.C.F., Caderno
do Leitor (rolar a página)
COMÉRCIO DE JAÚ
Repórter dá queixa na polícia
Não raro, repórteres ingressam na justiça contra os proprietários de veículos de comunicação. Mas repórter fazer boletim de ocorrência contra o editor é, no mínimo, diferente, né? Avaliem se não vale a pena repercutir o ocorrido.
José Renato Prado
Editor é acusado de injuriar repórter
Um absurdo caso de perseguições, humilhações, maus tratos e injúrias, envolvendo duas pessoas que trabalham no jornal Comércio do Jahu, acaba de se transformar num rumoroso caso de polícia.
Por volta das 17 horas da última quarta-feira, dia 27, a jornalista Inês Ferreira, repórter do jornal ‘Comércio do Jahu’, procurou a Delegacia de Polícia para fazer uma queixa contra José Antonio Bonato (foto acima), editor daquele jornal. A denúncia registrada foi de injúria, onde a jornalista relatou vários casos de maus tratos e humilhações, que segundo ela, vinha sofrendo constantemente pelo acusado, pessoa a quem está subordinada profissionalmente na empresa onde trabalha. Para reforçar suas afirmações, Inês Ferreira levou uma testemunha, o também jornalista José Henrique Teixeira, que trabalhou no ‘Comércio’ durante 23 anos, e que, segundo afirmou, pediu demissão da empresa no mês passado por causa do comportamento violento e agressivo do editor.
Segundo foi narrado por Inês Ferreira e registrado no Termo Circunstanciado de Ocorrência Policial, ela foi funcionária do jornal ‘Comércio do Jahu’ durante cinco anos. Pediu demissão em fevereiro do ano passado e em julho do mesmo ano foi convidada a retornar ao emprego a pedido do próprio editor José Antonio Bonato. Nessa época, a repórter foi testemunha em uma sindicância da Polícia Militar, na qual envolvia o editor. Mas segundo Inês, o conteúdo do depoimento dela na sindicância não foi de acordo com o que Bonato queria e por esse motivo, acusa a jornalista, o editor passou a desmerecer o trabalho dela, chamando-a de ‘analfabeta’ e outros termos pejorativos perante todos os funcionários da redação, submetendo-a também a vários tipos de humilhação.
Ainda conforme denúncia de Inês Ferreira à polícia, o editor Bonato retirou as assinaturas dela das reportagens e há cerca de um mês, trocou propositalmente o nome do arquivo de uma matéria de saúde que ela redigiu, colocando outro nome (palavrão impublicável), causando grande humilhação a ela perante os colegas.
A jornalista também relatou na polícia que na maioria das vezes que Bonato se dirigia a ela, fazia em altos brados e constantemente a mandava calar a boca, num claro sinal de autoritarismo e desrespeito profissional.
Testemunha
Atuando como testemunha na denúncia feita pela repórter, o jornalista José Henrique Teixeira reforçou as acusações contra José Antonio Bonato, em todos os termos narrados pela colega. Teixeira disse também que após 23 anos de trabalho no jornal Comércio do Jahu pediu demissão de seu cargo porque não concordava com as atitudes do editor, que para ele ‘só presta para humilhar os funcionários na frente de todos os outros’.
José Henrique Teixeira afirma ainda que ‘tem de cabeça’ o nome de todos os funcionários da redação que pediram demissão do jornal por causa de Bonato, e que pode relacioná-los a qualquer momento. ‘São onze ao todo’, afirma o jornalista.
Lutadora
Com 41 anos, mãe de duas filhas menores, Inês Ferreira é uma jornalista respeitada e muito querida entre os profissionais de imprensa. Formada em Jornalismo e apaixonada pelo que faz, Inês afirma que o fato de ter levado a denúncia à polícia foi porque ela ‘já não agüentava mais tantas humilhações’, já que precisa do emprego porque sustenta as filhas.
Inês Ferreira afirmou também que, por diversas vezes tentou acomodar a situação com Bonato, deixando claro para a direção da empresa que tomaria medidas contra o editor, caso essas situações injuriosas continuassem. Mas a reação de Bonato, segundo Inês Ferreira, era mais desrespeitosa ainda, porque ele zombava dela a cada vez que ela se sentia incomodada.
Posição do Sindicato
Para o jornalista Alcemir Carmo, secretário do interior do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo, ‘as denúncias contra Bonato são graves e já foram representadas ao Conselho de Ética do Sindicato pela jornalista Inês Ferreira. O Sindicato vai tomar providências’.
Carmo afirma que Bonato exerceu durante anos a profissão ilegalmente, sem ter registro de jornalista, e só conseguiu o registro recentemente, com base numa liminar da Justiça, concedida pela juíza Carla Rister, da 16ª Vara Cível da Justiça Federal em São Paulo, que suspendeu a exigência do diploma de jornalismo para o exercício da profissão.
‘O Sindicato está lutando para cassar essa liminar, e assim que conseguir, todos os registros concedidos serão cassados, inclusive o de Bonato’, afirmou o sindicalista.
O outro lado
O editor José Antonio Bonato foi procurado pelo jornal A Notícia no local onde trabalha, por volta de 12 horas de quinta-feira, dia 29. A pessoa que atendeu a ligação, identificada como Michelle, afirmou que ele estava ocupado e não podia atender ao telefone. Até às 13 horas, quando a edição seguiu para a gráfica, ele não tinha retornado nossa ligação.
A Notícia também procurou falar com o médico e vereador Raul Bauab Filho, um dos proprietários do jornal ‘Comércio’. Bauab Filho foi localizado no Hospital Santa Edwiges, em Campinas, mas ele não pôde atender a ligação porque estava realizando uma cirurgia. Segundo a pessoa que atendeu a ligação em Campinas, no telefone celular do médico, ‘a cirurgia iria demorar muito e só terminaria no fim da tarde’."
[ A Notícia – www.anoticianet.com.br/ ]
José Antonio Bonato responde
Sobre fatos contra mim veiculados pelo Observatório da Imprensa
Em 2002, o Observatório da Imprensa republicou texto de A Notícia, semanário de Jaú, interior de São Paulo, com acusações contra mim sem se dar ao trabalho de ouvir o outro lado.
Não fui ouvido nem pelo Observatório nem pelo semanário, que deixou de existir em 2003, no exato momento em que o Ministério Público requisitara abertura de inquérito para apurar possível envolvimento da Prefeitura de Jaú na viabilização do jornal, com uso de equipamento e mão-de-obra públicos, fatos que eventualmente podem caracterizar crimes de peculato e improbidade administrativa.
Entre os nomes que formavam essa mão-de-obra paga pelo dinheiro do contribuinte usada num jornal particular estava, segundo a suspeita do Ministério Público, o senhor José Renato de Almeida Prado, autor do texto republicado pelo Observatório da Imprensa em 2002 contra mim.
Almeida Prado trabalhava na Secretaria de Comunicações da Prefeitura, sob o comando do jornalista Mário Schwarz, irmão do editor de A Notícia, Paulo Ricardo Schwarz. Este conduziu o marketing da campanha do prefeito João Sanzovo Neto (PSDB) em 2000. Finda a campanha, fundou A Noticia, sem respeitar os mandamentos da Lei de Imprensa – portanto tratava-se de publicação clandestina – a razão social da empresa é A Notícia – PS Promoções e Reportagens S/C Ltda...
Vamos às acusações: eu teria ofendido uma jornalista na redação do Comércio do Jahu, o mais antigo jornal da cidade no qual fui editor, e ela procurado a polícia. É quase a verdade. O contexto: eu e Inês Ferreira nos dávamos muito bem no trabalho havia uns cinco anos. Ela deixou o jornal para trabalhar na TV de Bauru. Lá, perdeu o emprego, chamei-a de volta –amigos são pra essas coisas.
De volta à redação passou a criar conflitos não só comigo, mas com outros colegas –fato que deveria constar em uma reportagem isenta. Me desacatou inúmeras vezes. Um dia perdi a paciência e discuti com ela. A reclamação de Inês na polícia não deu em nada (nem podia). Ela passou, depois, a escrever para A Notícia..., uma publicação, repita-se, clandestina, na qual trabalhou sem carteira assinada e sem assinar os textos – entrevistados confirmam isso.
A Notícia, no curto tempo que durou, se dedicou a atacar inimigos do prefeito e jornalistas que julgava serem aliados desses inimigos. Até aí, tudo bem. Mas não ouvia nunca o outro lado.
O editor Paulo Ricardo Schwarz foi condenado por injúria, difamação e calúnia nesse curto período. Ele escreveu, sem provar, que existia caixa 2 e "esquema" na Fundação Educacional Dr. Raul Bauab, controlada por Waldemar Bauab, ex-prefeito e adversário do prefeito atual (Sanzovo, reeleito).
Na sentença, o juiz João Roberto Casali da Silva, da Primeira Vara, escreveu, no dia 23 de agosto de 2003, o seguinte sobre Schwarz: "o querelado, abusando da liberdade própria da nobre profissão por ele exercida, usou seu veículo de comunicação social como forma de ataque ao querelante, atribuindo-lhe a prática de crime, de fatos desonrosos e ofendendo sua honra".
E outras ações contra Schwarz estão em curso na Justiça de Jaú. O fato de A Notícia ser clandestina poderá transferir a responsabilidade civil pelas agressões à gráfica que imprime o Jornal da Cidade, de Bauru, conforme estabelece a Lei de Imprensa. Foi o Ministério Público Federal que descobriu, em pedido de explicações, ter sido A Notícia impressa no Jornal da Cidade, uma vez que o semanário de Jaú não informava, em seu expediente, o local de impressão –determinação legal.
O texto veiculado pelo Observatório da Imprensa a meu desfavor cita uma testemunha dos supostos maus-tratos (sic) praticados por mim contra subalternos: José Henrique Teixeira.
Teixeira, que é radialista, foi processado por mim pelas declarações e condenado por injúria na Quinta Vara do Fórum de Jaú. Assim que o processo baixar do Tribunal de Justiça, para onde o réu apelou da sentença, vou processá-lo por danos morais.
O texto veiculado pelo Observatório também diz que o Sindicato dos Jornalistas ia me convocar para o Conselho de Ética por causa das queixas de Inês Ferreira. Essa convocação nunca aconteceu.
A Notícia me acusou de praticar "ilegalmente" a profissão de jornalista. De fato não sou formado em Jornalismo, mas bacharel em Filosofia pela USP. Trabalhei oito anos na Folha de S.Paulo, entre a reportagem e a edição, e dez anos no Comércio do Jahu, como editor. São 18 anos de profissão sem ter sido, uma única vez, condenado judicialmente.
Posso afirmar seguramente que nenhum jornalista procurou, em Jaú, honrar sua profissão como eu, exercendo-a com ética e, principalmente, com independência. Posso arrolar quantas testemunhas o Observatório da Imprensa desejar para provar isso.
Não poupei nem mesmo o dono do Comércio do Jahu, Raul Bauab Filho, ex-vice-prefeito e ex-vereador e meu ex-patrão, de reportagens negativas, uma vez que se tratava de homem público. Nem a ele nem ao chefe do clã dos Bauab, o ex-prefeito Waldemar Bauab, condenado e inocentado por acusações. Nem aos aliados desses políticos, entre os quais o ex-deputado Cândido Galvão, condenado recentemente na Quarta Vara por suposto desvio de R$ 1 milhão da Santa Casa de Jaú.
Espero que o Observatório da Imprensa, que eu respeito, embora quase nunca tenha tempo de acessá-lo, me dê a oportunidade de me manifestar sobre esses fatos. Vivo de minha profissão. Um dos poucos programas na TV do Observatório que vi foi um espaço aberto a Ibsen Pinheiro, no qual se defendeu de falsas acusações veiculadas pela mídia. Espero que o Observatório da Imprensa me proporcione a mesma oportunidade.
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