MÍDIA & GOVERNO
Aula de cotidiário
Que bom que o texto/pensamento de Muniz Sodré abrilhante o nosso OI! Se possível nos dê a aula referente ao papel da mídia neste momento de descompressão no tocante à euforia pós-posse do Lula e realidade do cotidiário a ser enfrentado, resolvido, negociado, defenestrado e tanto mais que, a ser deslindado pelo PT, em pleno exercício de governo.
J. Bamberg
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A César o que é de César
A César o que é de César Depois de haver, inúmeras vezes, manifestado minha indisposição com a "mídia" brasileira, mormente quando a vemos seguidamente cooptada pelos governos que se sucedem a cada quatro anos (oito de FHC e, agora, LuLLa), ora se faz necessário proclamar um adequado mea-culpa. E, acentuo, chego a esse ponto, de oferecer a mão à palmatória, sem baixar a guarda e proclamar haver perdido a manifesta insatisfação que ainda me causa a leitura das mais conhecidas revistas semanais, caso de Veja, IstoÉ e Época, como também de uns tantos diários de circulação em todo o país: JB, O Globo, Folha de S.Paulo e o centenário Estadão, sem esquecer o local Correio Braziliense e a audição dos dois mais "ibopados" (!) jornais de televisão, o Nacional (da Globo) e o da Record. Feito o alentado e, aparentemente, contraditório preâmbulo (vide título), há de se querer saber onde diabo fui achar as razões do presente reconhecimento da denominada "mídia" e admitir o bíblico redde Caesari quae sunt Caesaris...
Nada mais simples, porquanto, sem o concurso dessa mesma "mídia", como e quando este (eu) e outros comuns leitores (e ouvintes) iriam saber das incontáveis falcatruas, desvios de verbas, chantagens, venda de hábeas corpus etc., atos que vinham e continuam sendo praticados por ou com o apoio de autoridades constituídas?
Como seriam mantidas na lembrança do cidadão comum, dando azo a que sejam cobradas, as reiteradas e falsas promessas do então candidato LuLLa e seu PT, proclamadas por volta de 30 anos e agora renegadas? Como esquecer que se deve à mídia eletrônica, no caso, malgrado fruto de mero acaso, a imediata divulgação do imoral episódio do ministro Ricupero (não sem surpresa servindo o atual governo; caso de desconfiar se: ejusdem farinae?), mui recentemente repetido, novamente o imprevisível acontecendo!, com a eminência parda do atual regime, ministro José Dirceu? Como inteirar-se da continuação do nefasto nepotismo de antes de agora, neste austero governo do PT, conforme mostra o mais recente número de Veja?
Como saber a quanto anda o badalado projeto Fome Zero, ainda preso ao chão, a discordâncias e burocracia, a pedir óbolos a torto e a direito (lembrando a pretérita e aziaga campanha "Ouro para o bem do Brasil"), demagogicamente destinado a substituir os elementares direitos que a todos os cidadãos deviam ser assegurados, educação, saúde, segurança e plena oportunidade de trabalho, pelo filantrópico e desarrazoado vale mensal de R$ 50? Enfim, penitencio-me porque não fosse a boca aberta e ecoante da mídia, seria o caso de se perguntar em que praias andariam os ínclitos fiscais da Receita estadual do Rio, o juiz Nicolau, a advogada Jeorgina de Freitas e uns poucos (muito poucos) deputados federais e senadores induzidos aos vexatórios pedidos de renúncia?
Por último, apesar do presente reconhecimento do valor da mídia nacional, repito, malgré tout, nada de trégua à vista; vou (e devemos todos) continuar de olho nos descaminhos da imprensa escrita, falada e de outras que vierem à luz..
José Maria Leitão, médico
Inativos e marajás
Suspeita e odienta a campanha que a mídia, principalmente a eletrônica, e mais especificamente a Rede Globo, está promovendo contra a imagem dos aposentados. Referem-se ao aposentado como um usurpador, um aproveitador, ou um parasita da sociedade. De triste memória, o presidente passado declarou que os aposentados eram "vagabundos", e recebeu discretas reprimendas. Por que discretas? Simples, a declaração, embora grosseira, foi de agrado geral dos fascistas e preconceituosos.
Agora a campanha tomou maior vulto. E o pior é que está conseguindo contaminar não só os miolos moles contumazes, mas toda a sociedade. O presidente operário está à frente da orquestra, com seus festejados aliados. E quem, do seu próprio partido, insiste em manter a coerência da época de oposição é ridicularizado com adjetivos que exprimem repulsa, como radicais, revoltados, insanos, inconseqüentes, incongruentes etc... E de novo a grande mídia se encarrega disso.
Para que as reportagens sobre os aposentados tenham maior impacto, descobrem, não se sabe como, mas sem dúvida, com a complacência ou auxilio de órgãos do governo, meia dúzia de aposentadorias milionárias, fruto de aberrações jurídicas e administrativas, e fazem um estardalhaço absurdo, dando a impressão que todos os aposentados se igualam àquela situação. Relembremos a campanha contra os marajás na época que queriam eleger e enaltecer Collor de Mello. Apoiaram-se, também, no fato de existirem funcionários públicos em situações excepcionais. (...) Relembrem ainda que tudo isso, na época, foi um preparativo para abrir caminho para as privatizações; e conseguiram seus intentos. Todos os trabalhadores públicos e das estatais, até os mais modestos, carregam até hoje a pecha de "marajás". Estas injúrias abriram caminho para a maior entrega de uma nação ao capital estrangeiro de que a história da humanidade tem notícias.
Estes canalhas inviabilizaram o Brasil como nação. É só questão de tempo para o resultado confirmar o que digo. Só que não estão ainda satisfeitos; os vampiros querem mais. Querem agora explorar o setor da previdência complementar. E para auferirem lucros fabulosos com mais esta modalidade de usurpação, promovem de todas as maneiras estímulos à supressão de direitos, para que, na época de se aposentar, os trabalhadores que conseguirem chegar lá vivam apenas alguns poucos anos, deixando para traz uma poupança que acumularam durante suas vidas laborais.
Há poucos dias, após muitas insistências de pessoas ou instituições que conseguem, no meio de toda esta canalhice generalizada, manter ainda a dignidade, cobraram a divulgação da lista dos grandes devedores da previdência social. Pasmem: o total das dívidas, inclusive de grandes empresas (privadas e privatizadas), instituições do próprio governo e prefeituras, somam o equivalente a 50 vezes mais do que se arrecadaria com a contribuição dos aposentados para sanear a previdência. Devem à previdência social a "bagatela" de 180 bilhões de reais. Mas a estes não é permitido cobrar, executar ou manchar suas imagens nos meios de comunicação; e nem a estes interessa. São sócios em vários empreendimentos escusos. É muito mais fácil cobrar a conta, mesmo não sendo sua, dos aposentados.
A você, que está se deixando influenciar por está covarde e vil campanha, preste atenção em como, nos noticiários de TV, eles se referem aos aposentados. Nunca enaltecem os serviços por eles deixados, os exemplos de capacidade técnica e intelectual e estrutura moral que transmitiram aos que hoje dão continuidade aos seus encargos. Não, o tratamento é sempre depreciativo, como se fardo pesado fosse o aposentado para esta sociedade. "Que morram logo. Este é o mote: inativos. A palavra por si só não é depreciativa, quando usada com outras definições. Mas insistir somente neste adjetivo para definir o aposentado enseja desconfiança. Perdoem a frase dura e chula, mas diante de tanto escárnio não encontrei outra à altura da indignação.Vem a vontade insustentável de um desabafo: neste caso, para os detratores, impostores e preconceituosos: "Inativas são as p.q.p."
Paulo Roberto de Figueiredo