10/06/2003 4/10

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CONCENTRAÇÃO E DIVERSIDADE
Vigilantes, pela liberdade

Gostei muito do artigo de Nelson Hoineff. A televisão aberta tem sua programação dependente dos anunciantes. Pagamos a conta da luz e os patrocinadores mantêm no ar programas constantemente avaliados pelo Ibope. Nossa televisão tem contrastes imensos. Produções de novelas, seriados, esporte, shows de variedade, de grande vulto. Técnica de Primeiro Mundo. No entanto, há aspectos interessantes a considerar. A forma de apresentação da notícia pode interpretar a notícia ao espectador, sem que se aperceba. Os filmes de linguagem agressiva, culto ao herói, de alto apelo erótico podem estimular comportamentos anti-sociais, narcisistas. É como apresentar o fim de semana ao público de forma a considerar o sábado mais "sexy" e o domingo mais "família". É fácil assistir à TV aberta. É só ligar o botão do televisor. As TVs educativas, a exemplo da Rede Brasil, da Rede Cultura, nos proporcionam documentários, entrevistas, filmes de arte, educação em geral, excelentes, a meu ver. Estimo que permaneçam no ar, indefinidamente. Espero aprimoramento significativo na programação das demais redes de TV aberta, para justificar o gigantismo resultante do fortalecimento dos conglomerados internacionais da mídia.

A TV a cabo é cara para nossa população, que vive assolada por toda sorte de tarifas públicas, reajustadas pelo dólar, honrando contratos de privatização. Manter a conta do celular e da TV a cabo é difícil para a média do bolso do brasileiro. A cesta de opções nas TVs a cabo devem ser individualizadas. Os pacotes devem ser eletivos. Para quem não tem criança em casa, há necessidade de pagar por quatro canais do tipo "cartoon"? Os canais latino-americanos, escandinavos, asiáticos têm oportunidade de mostrar seu mundo, sua cultura ao povo brasileiro?

A cultura deve chegar às massas, não ser de massa. Massificá-la é como anestesiar, pela tortura da violência exploratória, o cotidiano noticiado. É banalizar o sexo e a miserabilidade, com conseqüências demográficas catastróficas. É cultuar a perfeição, a excelência, o vencedor, como se a vida saudável e agradável só existisse para superdotados. Precisamos aprender a nos querer bem apesar de nossas falhas. Descontar o atraso com bom senso. Saber plantar a semente do conhecimento, da sala de aula ao jornal, à rádio, à internet e à TV. Como o Observatório da Imprensa sempre nos alerta: vigilantes, pela manutenção da nossa liberdade.

Claudia Nunes

 

Tema pouco estudado

É interessante observar que o constituinte de 1987-1988 manifestou com relação às empresas de comunicação social uma preocupação tal que tratou a possibilidade de concentração no setor em dispositivo específico, fora do alcance, portanto, da regra geral do § 4º do artigo 173: enquanto neste os expedientes concentracionistas são coibidos em razão dos efeitos de ensejarem dominação de mercado, eliminação da concorrência e aumento arbitrário de lucros, no âmbito da comunicação social a proibição é a todos os expedientes de que decorra monopolização ou oligopolização.

O tema tem sido pouco estudado entre nós, tendo a maior parte dos autores de comentários da Constituição de 1988, ao chegarem no parágrafo correspondente do artigo 220, praticamente repetido o que já se encontrava nos comentários ao § 4º do artigo 173. Aponto para a exceção de Pinto Ferreira, que versou o tema a partir da exemplificação, embora não tenha chegado a aprofundar, sob o ponto de vista teórico, em que a concentração midiática diferiria da concentração em outros setores da economia.

Ricardo Antônio Lucas Camargo

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SARNEY COLUNISTA
CE da Folha não responde

Envio-lhes cópia de mensagem que dirigi a vários jornalistas do Conselho Editorial da Folha. Nenhum deles se dignou a responder.

Rosa Lúcia Alcântara

Por que o impoluto senador do Amapá escreve regularmente na Folha e foi poupado de críticas pelo jornal, por ocasião do escandaloso acobertamento dos grampos praticados pelo seu dileto (e ternuroso) amigo ACM? Abaixo a resposta (implícita) da jornalista Mônica Bergamo e a que recebi, dias atrás, do ombudsman. Na sua opinião, qual a mais fidedigna?

1) Sarau (Ilustrada, 10/5/2003) Cecília e Abram Szajman reuniram amigos em sua casa, na quinta-feira, para um pequeno jantar em homenagem ao publisher da Folha, Octavio Frias de Oliveira. Estavam presentes alguns dos principais empresários do país. A pedido do anfitrião, o senador José Sarney fez uma saudação curta e bem-humorada. No cardápio, ovas de salmão, sopa de cogumelos, peixe e doces brasileiros. Depois do café, Hebe Camargo (e não Bidu Sayão..., acréscimo meu) cantou clássicos da canção brasileira dos anos 50. Acompanhada ao piano – e por vários dos convidados.

2) Resposta do ombudsman

Cara Senhora:

Trata-se de um ex-presidente da República, escritor e atual presidente do Congresso Nacional. Independentemente de seus atos ou de suas idéias, entendo que isso o credencia para ser colunista. Agradeço por sua manifestação e fico à disposição para novos contatos. Atenciosamente, Bernardo Ajzenberg, ombudsman, Folha de S. Paulo

 

Com asco

Abaixo, cópia da carta que envie ao Jornal do Brasil.

Ascânio Silva [enviada pelo correio]

Senhor Editor

A Nota da Redação tentando justificar a injustificável presença do inominável Sarney como articulista permanente é um primor de cinismo. O que os leitores questionam não são opiniões diferentes da linha do jornal, é a qualificação moral do articulista. Se a justificativa fosse válida, o JB deveria contratar também o Fernandinho Beira-Mar para exercer a liberdade de transmitir seu pensamento sociológico. Com asco, Ascânio Silva.

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