CONCENTRAÇÃO
E DIVERSIDADE
Vigilantes, pela liberdade
Gostei muito do artigo de Nelson Hoineff. A televisão aberta
tem sua programação dependente dos anunciantes. Pagamos
a conta da luz e os patrocinadores mantêm no ar programas
constantemente avaliados pelo Ibope. Nossa televisão tem
contrastes imensos. Produções de novelas, seriados,
esporte, shows de variedade, de grande vulto. Técnica de
Primeiro Mundo. No entanto, há aspectos interessantes a considerar.
A forma de apresentação da notícia pode interpretar
a notícia ao espectador, sem que se aperceba. Os filmes de
linguagem agressiva, culto ao herói, de alto apelo erótico
podem estimular comportamentos anti-sociais, narcisistas. É
como apresentar o fim de semana ao público de forma a considerar
o sábado mais "sexy" e o domingo mais "família". É
fácil assistir à TV aberta. É só ligar
o botão do televisor. As TVs educativas, a exemplo da Rede
Brasil, da Rede Cultura, nos proporcionam documentários,
entrevistas, filmes de arte, educação em geral, excelentes,
a meu ver. Estimo que permaneçam no ar, indefinidamente.
Espero aprimoramento significativo na programação
das demais redes de TV aberta, para justificar o gigantismo resultante
do fortalecimento dos conglomerados internacionais da mídia.
A TV a cabo é cara para nossa população, que
vive assolada por toda sorte de tarifas públicas, reajustadas
pelo dólar, honrando contratos de privatização.
Manter a conta do celular e da TV a cabo é difícil
para a média do bolso do brasileiro. A cesta de opções
nas TVs a cabo devem ser individualizadas. Os pacotes devem ser
eletivos. Para quem não tem criança em casa, há
necessidade de pagar por quatro canais do tipo "cartoon"? Os canais
latino-americanos, escandinavos, asiáticos têm oportunidade
de mostrar seu mundo, sua cultura ao povo brasileiro?
A cultura deve chegar às massas, não ser de massa.
Massificá-la é como anestesiar, pela tortura da violência
exploratória, o cotidiano noticiado. É banalizar o
sexo e a miserabilidade, com conseqüências demográficas
catastróficas. É cultuar a perfeição,
a excelência, o vencedor, como se a vida saudável e
agradável só existisse para superdotados. Precisamos
aprender a nos querer bem apesar de nossas falhas. Descontar o atraso
com bom senso. Saber plantar a semente do conhecimento, da sala
de aula ao jornal, à rádio, à internet e à
TV. Como o Observatório da Imprensa sempre nos alerta:
vigilantes, pela manutenção da nossa liberdade.
Claudia
Nunes
Tema pouco estudado
É interessante observar que o constituinte de 1987-1988
manifestou com relação às empresas de comunicação
social uma preocupação tal que tratou a possibilidade
de concentração no setor em dispositivo específico,
fora do alcance, portanto, da regra geral do § 4º do artigo 173:
enquanto neste os expedientes concentracionistas são coibidos
em razão dos efeitos de ensejarem dominação
de mercado, eliminação da concorrência e aumento
arbitrário de lucros, no âmbito da comunicação
social a proibição é a todos os expedientes
de que decorra monopolização ou oligopolização.
O tema tem sido pouco estudado entre nós, tendo a maior
parte dos autores de comentários da Constituição
de 1988, ao chegarem no parágrafo correspondente do artigo
220, praticamente repetido o que já se encontrava nos comentários
ao § 4º do artigo 173. Aponto para a exceção de Pinto
Ferreira, que versou o tema a partir da exemplificação,
embora não tenha chegado a aprofundar, sob o ponto de vista
teórico, em que a concentração midiática
diferiria da concentração em outros setores da economia.
Ricardo
Antônio Lucas Camargo
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SARNEY COLUNISTA
CE da Folha não
responde
Envio-lhes cópia de mensagem que dirigi a vários
jornalistas do Conselho Editorial da Folha. Nenhum deles
se dignou a responder.
Rosa
Lúcia Alcântara
Por que o impoluto senador do Amapá escreve regularmente
na Folha e foi poupado de críticas pelo jornal,
por ocasião do escandaloso acobertamento dos grampos
praticados pelo seu dileto (e ternuroso) amigo ACM? Abaixo a
resposta (implícita) da jornalista Mônica Bergamo
e a que recebi, dias atrás, do ombudsman. Na sua opinião,
qual a mais fidedigna?
1) Sarau (Ilustrada, 10/5/2003) Cecília e Abram Szajman
reuniram amigos em sua casa, na quinta-feira, para um pequeno
jantar em homenagem ao publisher da Folha, Octavio
Frias de Oliveira. Estavam presentes alguns dos principais empresários
do país. A pedido do anfitrião, o senador José
Sarney fez uma saudação curta e bem-humorada.
No cardápio, ovas de salmão, sopa de cogumelos,
peixe e doces brasileiros. Depois do café, Hebe Camargo
(e não Bidu Sayão..., acréscimo meu) cantou
clássicos da canção brasileira dos anos
50. Acompanhada ao piano – e por vários dos convidados.
2) Resposta do ombudsman
Cara Senhora:
Trata-se de um ex-presidente da República, escritor
e atual presidente do Congresso Nacional. Independentemente
de seus atos ou de suas idéias, entendo que isso o credencia
para ser colunista. Agradeço por sua manifestação
e fico à disposição para novos contatos.
Atenciosamente, Bernardo Ajzenberg, ombudsman, Folha de S.
Paulo
Com asco
Abaixo, cópia da carta que envie ao Jornal do Brasil.
Ascânio Silva [enviada pelo correio]
Senhor Editor
A Nota da Redação tentando justificar a injustificável
presença do inominável Sarney como articulista
permanente é um primor de cinismo. O que os leitores
questionam não são opiniões diferentes
da linha do jornal, é a qualificação moral
do articulista. Se a justificativa fosse válida, o JB
deveria contratar também o Fernandinho Beira-Mar para
exercer a liberdade de transmitir seu pensamento sociológico.
Com asco, Ascânio Silva.
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Sarney
articulista, Sarney assunto
– Alberto Dines