MÍDIA & EDUCAÇÃO
Despreparo das públicas
Gentilli tocou numa boa ferida. Só esqueceu de lembrar que foi por causa de avaliações de condições que o governo deu por conta do despreparo de suas próprias instituições de ensino. Algumas federais nem jornal-laboratório tinham, e já começaram a reagir. Há que torcer – ou lutar? – para que este não seja mais um recuo da atual administração. Já basta o "crédito" à política de juros do poder financeiro...
André Motta Lima
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Crônica de uma morte anunciada – Victor Gentilli
Umas pobres coitadas
Quero expressar minha satisfação pela didática e esclarecedora opinião sob tão importante assunto. As pessoas devem ser informadas sobre o que realmente se discute, e não ficar na superficialidade dos temas. As grandes universidades privadas estão se apresentando como umas pobres coitadas.
Maria do Carmo
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Briga esconde assalto ao erário – Marcos Marques de Oliveira
Cota ou escola pública?
O jornalista Ítalo Ramos escreveu um longo artigo ("Um sistema para empresas de negros") sobre a questão de cotas. Gostaria de rebater algumas considerações em relação a mensagem minha ao OI ( "Pito no movimento negro"). Reclamei do fato de os chamados movimentos negros não visitarem a periferia de uma cidade como Salvador, constituída em sua maioria de negros (notem: a maioria de negros não quer dizer que existam apenas negros pobres, há brancos pobres, também). O jornalista, em seu texto, dá a entender que essa visita não adianta nada, pois as pessoas estariam muito preocupadas na luta pela sobrevivência e jamais "perderiam" seu tempo para ouvir discursos sobre cotas. Isso é verdade, tanto que comentei o fato de os alunos irem à escola pública apenas pela merenda.
Mas o jornalista deve notar que citei "ações afirmativas". O que seriam essas ações? Seria apenas a tal da "cota universitária"? Ou ações relacionadas à auto-estima do negro, sua conscientização? Seria contradição isso? Então esses projetos abrindo a escola pública à comunidade nos fins de semana são medidas destinadas ao fracasso. Nas escolas da rede estadual (ao menos na capital) há um projeto chamado "Abrindo espaços", aberto a estudantes e não-estudantes para prática de arte, dança, discussão, aprendizado. Em muitos bairros qualificados como "barra pesada" os alunos vão à escola pelas atividades culturais, pela informática, pelo esporte. Lutar por uma escola que ofereça educação, cultura e opções de lazer de qualidade é uma utopia?
Quando se fala em "palestras" as pessoas imaginam logo algo chato, muito blá-blá-blá. Vejamos a figura do professor. Se este professor continuar no esquema lousa-giz, não conseguirá chamar a atenção de seus alunos, correto? O professor deve planejar uma aula criativa, dentro de suas possibilidades e do que a escola oferece. O movimento negro, se surgir com essa mentalidade, não fará diferença alguma entre negros, brancos, ricos, pobres, remediados etc. A estratégia deve ser a mesma: chamar a atenção, fazer as pessoas esquecerem, no fim de semana, dos Faustões e Gugus nas TVs. Hip-hop, rap, beleza afro são iniciativas que valem para chamar a atenção. Algumas ações dão resultados: nas escolas municipais de Salvador já há a disciplina Cultura Baiana. No curso de pós-graduação em Literatura da Universidade Católica de Salvador existe a disciplina Literatura Africana. É um progresso.
Existe um bairro aqui em Salvador chamado Cajazeiras, com uma população maior do que a cidade de Feira de Santana, a segunda do estado. É um bairro periférico, também com maioria da população negra. Uma das principais reivindicações da população é uma faculdade. Sim, uma faculdade. Apenas pense nisso. Educação não se muda da noite para o dia, nem com lei ou decreto ou política ainda obscura, como a das cotas. Ou não há brancos pobres? Se a questão é apenas entrar na universidade, por que não oportunidades iguais de competitividade? É covardia, todos podem pensar assim. Mas eis aí a grande chance: o principal mérito dessa política de cotas foi justamente mostrar à sociedade (ou parte dela) o estado deplorável em que se encontra o ensino público no país. (...) Quantos séculos mais teremos que esperar? Ninguém sabe. Apenas sei que se não houver um plano para salvar a escola pública, teremos ainda essa discussão de política de cotas daqui a dois séculos.
Fernando Campos
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Um sistema para empresas de negros – Ítalo Ramos
Profissão ou condição?
Ser um jornalista é muito mais do que redigir um bom texto. Infelizmente, nem todas as pessoas pensam assim: é o caso da juíza Carla Rister, que tornou desnecessária a formação acadêmica para o exercício da profissão de jornalista. Para ela, o jornalismo não é profissão, mas condição humana, e todos têm direito à liberdade de expressão. Por acaso os leitores foram convidados a escrever livremente no Estado ou na Folha? Creio que, infelizmente, não. A juíza esqueceu, por distração, que há grande diferença entre publicar-se um artigo e de fato apurar uma denúncia que pode até mesmo colocar vidas em perigo, arruinar pessoas, empresas etc. Toda e qualquer pessoa pode se expressar num veículo de comunicação, seja com um artigo, uma matéria técnica. A liberdade de expressão já é há muito assegurada pela lei, e a liminar não garante acesso aos meios.
Continuar com essa irresponsabilidade jurídica é um crime contra a democracia, contra o direito que todo cidadão tem de ser informado com imparcialidade, ética, respeito e clareza.
Renan M. Albertini