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Edição de Marinilda Carvalho
A Copa ainda é destaque. Alguns leitores reclamam da Globo, pelo excesso de tempo dedicado à chegada dos pentacampeões. Sinceramente, é difícil entender as pessoas. Reclamar da emissora logo no dia em que ela acerta? Sim, porque grande parte da população queria ver a festa do penta – o ibope registrou 28 pontos para a Globo, contra 11 da segunda colocada. Nessas épocas, quem não curte futebol deve esquecer a TV e ler um livro. Tem gente que, para não se aborrecer, nunca vê a Globo – só mesmo quando o Brasil ganha o penta! Aliás, tem gente que acha que a Globo só deveria funcionar na Copa...
Agora, muito diferente de querer assistir à chegada da Seleção foi agüentar a cobertura propriamente dita. Duas mensagens nesta edição comentam a desorganização geral. Quando a gente pensa que os vexames da cartolagem atingiram o ápice, qual! Colocam uma tal de Bia Aidar para organizar a festa. Com o marketing na cabeça e sempre acima dos interesses populares, a cartolagem deve ter pensado que a moça, por entender de cerveja (ela é da Ambev) e de politicagem (ela é assessora dos tucanos), poderia enfrentar o desafio. Pois falhou feio e achincalhou a festa de milhões de brasileiros.
Dois momentos valeram ouro na cobertura: ainda no avião, os gritos de Felipão ("Sai da frente!"), sem saber que na "frente" estavam dois ministros – que trotaram rapidinho escada abaixo. O segundo, na volta ao aeroporto, a bela resposta de Cafu à pergunta idiota, deslumbrada e servil de uma repórter: "Você imaginou que fosse sambar aqui no Parlatório?"
"Faz parte", respondeu o capitão. "Este é o único esporte para 170 milhões de brasileiros."
Ora bolas, se torturadores e ladrões já pisaram ali, por que heróicos pentacampeões brasileiros de futebol lá não sambariam? O espaço jamais teve uso tão nobre!
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Nota da Redação: O Observatório da Imprensa não publica mensagens assinadas com pseudônimo ou iniciais. Cartas só serão acolhidas quando claramente identificada sua autoria.
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MÍDIA NA COPA
Figurantes de Ivete
Achei vergonhoso e indigno o papelão de toda a Seleção Brasileira na chegada a Brasília, prestando-se a fazer figuração para a cantora Ivete Sangalo. O fato de ela ser deliciosa para alguns não me comove. Pura jogada de patrocinador, isso sim. Primeiro, a cantora subiu as escadas do avião para receber os jogadores. Depois, regeu a banda que tocava na recepção na Base Aérea. Em seguida, pôs a Seleção em seus trios elétricos e saiu desfilando com a rapaziada pela cidade com o nome Ivete Sangalo e o símbolo da tartaruga da Brahma à frente. Nos caminhões, lotados de bicões e não-se-sabe-quem, era impossível distinguir os jogadores. A Globo, claro, botou lá dentro sua repórter para perguntar (que originalidade!) dezenas de vezes "você esperava esta recepção? O que você está sentindo?" Eu estava em Brasília, em 70, na chegada da Seleção. E vi todos os jogadores passarem em cima do carro do Corpo de Bombeiros. Trocar por um trio elétrico a escolta da mais honrada instituição brasileira, exatamente no Dia do Bombeiro, é um desrespeito e só pode mesmo ser coisa de jogador que troca a camisa da Seleção pentacampeã por uma do Olodum. O som do grupo é o melhor do mundo, mas esta overdose de Olodum na Copa já encheu. Pô, Hino Nacional em ritmo de axé, não! Baiano acha que tem de baianizar o Brasil. Antes que protestem, esclareço que minha avó materna é baiana, prima de Aliomar, sobrenome Baleeiro. É sangue baiano de muitos séculos.
Mirian Macedo
Faturamento comercial
O episódio da chegada da Seleção foi realmente vergonhoso e indigno, uma armação da Bia Aidar (que organiza os eventos dos tucanos há muitos anos e agora está na campanha do Serra), da CBF (que todos sabem o que é) e da Ambev, uma das patrocinadoras da CBF. Com a cumplicidade de uma imprensa infantilizada, que oscila entre a ingenuidade e o oportunismo. Agora, em vez do faturamento político de nossas vitórias, temos o faturamento comercial descarado e o rebaixamento de nossos atletas (que aceitam isso satisfeitos, infelizmente) a garotos-propaganda.
Hélio Doyle
Hora de pensar estratégias
Quero parabenizar o excelente Alberto Dines por, mais uma vez, ter expressado com clareza a situação agonizante pela qual passa nossa mídia impressa. Sou jornalista e trabalho em um jornal semanal de Osasco. Embora tenhamos um perfil mais parecido ao de uma revista semanal, a situação não difere em nada do cenário montado por Dines em seu artigo "Jornais no banco dos reservas".
Já era tempo, sem dúvida, de os empresários de comunicação repensarem as estratégias de circulação e distribuição dos jornais. É preciso acordar para o fato de que a concorrência existe. A TV já funciona no país há mais de meio século, as rádios têm sido eficientes na caça ao público e a Internet já não está mais tão distante do povo.
Essa equivocada estratégia dos veículos impressos, sobretudo os de circulação diária, é a principal responsável pela mudança no perfil das notícias publicadas. Atualmente chegamos a um nível lamentável. Há mais espaço dedicado a noticiar o que acontece no Big Brother ou na Casa dos Artistas do que às informações que de fato interferem no dia-a-dia do cidadão.
Sob o argumento da leitura mais ágil, estamos deixando de dar a notícia ou publicando-a de forma incompleta. Isso sem falar de quando chegamos a situações, no mínimo, engraçadas. Quantas vezes não vimos manchetes obsoletas, de informações que mudaram no decorrer da madrugada, cintilarem nas bancas de jornais como se nada ainda tivesse acontecido?
Para contornar isso, os jornalistas têm de apelar à criatividade. No jornal em que trabalho a edição semanal circula aos sábados. Sob o dilema de não ficar sem a notícia da Copa e perder o assunto mais comentado da semana, apelamos por fazer uma página diferente. Escrevi a "Crônica da Vitória" e a "Crônica da Derrota" – uma ao lado da outra. O resultado da partida só viria no dia seguinte e o leitor escolheria a crônica mais apropriada.
Realmente chegou a hora de mudarmos. Será que vamos permanecer como meros operários da imprensa, ou assumiremos de fato o nosso papel social, que é o de informar (no verdadeiro sentido da palavra) o cidadão?
Maurício Khalil, Osasco, SP
Vespertinos, uma boa idéia
Muito boa a matéria "Jornais no banco dos reservas". Os jornais estão cada vez mais tratando a notícia como sensacionalismo barato. Eu também gosto de futebol, mas a prioridade tem que ser dada a quem vai governar meu país. E como esse governante vai lidar com os principais problemas do Brasil (fome, saúde, educação...)
É interessante a idéia de jornais vespertinos com qualidade.
Anderson Souza, Curitiba
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