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CASO TIM LOPES
Treinamento de polícia
Em relação à morte de jornalistas investigativos e considerando que a cada dia fica mais próxima a atuação profissional desses jornalistas à dos investigadores policiais, já não seria tempo de universidades e empresas de comunicação inserirem em seus programas acadêmicos e de treinamento, respectivamente, noções básicas de segurança no exercício da profissão, a exemplo do que é habitual no quadro da polícia, embora ainda que de maneira precária? Pelo que podemos ver até o momento, a atuação profissional de ambos é praticamente a mesma. O que difere são os órgãos empregadores e as finalidades, pois o do jornalista visa o lucro, além da informação (quase sempre nessa ordem); o do investigador, visa a justiça. Nos países capitalistas, é fácil imaginar qual dos dois profissionais sofre mais pressão no exercício da profissão.
Jussara Moraes
Fim da polêmica
A polêmica sobre os desdobramentos do caso Tim Lopes continua. Estou enviando anexo com a resposta do jornalista Osvaldo Maneschy às mentiras do presidente do Sindicato dos Jornalistas do Rio, que dá bem a idéia da prática pouco democrática de Nacif Elias de cortar a palavra de oradores "indesejáveis" em assembléias, no caso vestindo totalmente a camisa da TV Globo, um fato grave, no nosso entender, pois depõe contra o Sindicato um presidente da entidade ficar ao lado do patronato.
Quanto ao Dines, ninguém está querendo "crucificar" ninguém, e "bom jornalismo" é um conceito que varia de um para outro observador. Para nós, por exemplo, bom jornalismo é o jornalismo crítico, que tenta não aceitar passivamente o que os poderosos querem nos enfiar goela adentro. Não aceitar o esquema do pensamento único neoliberal é também peça fundamental para o exercício do bom jornalismo.
Nosso objetivo foi cumprido, ou seja, o de questionar o cinismo global que faz tudo para evitar assumir um mínimo de culpa no cartório em qualquer coisa que aconteça de errado, haja vista o lamentável caso Tim Lopes. Sugiro ao Observatório da Imprensa ouvir o que tem a dizer a jornalista Cristina Guimarães sobre os comentários feito por Ali Kamel. Ninguém negou que o OI a ouviu. Mas ela não foi ouvida depois do depoimento do diretor-executivo da Central Globo de Jornalismo, Ali Kamel, que reafirmamos ter sido pouco ético. Cordiais saudações,
Mário Augusto Jakobskind
***
Resposta do jornalista Osvaldo Peres Maneschy a Nacif Elias Hidd Sobrinho, presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro
Rio, 2/7/2002
Prezado Nacif Elias:
Tomei conhecimento de sua resposta a Mario Augusto Jakobskind – em nome da Comissão de Ética do Sindicato – ontem, após o ato na ABI pela memória de Tim Lopes. Sobre o fato de colegas diretores do Sindicato não terem visto nada no pronunciamento de Ali Kamel na Cinelândia e no programa Observatório da Imprensa que desabonasse o comportamento profissional de Cristina Guimarães, gostaria de assinalar que, além desses diretores, outros 250 jornalistas pelo menos estiveram na Cinelândia e é importante ouvi-los também.
Kamel afirmou que só tomou conhecimento de que Cristina pedia garantias de vida à Rede Globo de Televisão através da advogada dela, já iniciada a ação trabalhista contra a emissora. Portanto, ela estaria mentindo quando afirmou que pediu ajuda e ninguém lhe deu ouvidos. E, na Cinelândia, disse que Cristina teve papel secundário no trabalho da equipe da Globo ganhadora do Prêmio Esso de Jornalismo do ano passado pela matéria "Feira das Drogas". Bom, se isto não é desabonar, é o quê?
A respeito da reunião na sede do Sindicato do dia 17/6/2002, gostaria de lembrá-lo, presidente, que provoquei o assunto Cristina Guimarães quando Kamel falava das providências da Globo – blindando carros de reportagem e comprando coletes à prova de bala para seus jornalistas – a partir do episódio Tim. Pedi aparte, expliquei que não ficara convencido com os argumentos que apresentara na Cinelândia e na tevê, pedi que explicasse melhor porque a emissora não protegera Cristina – a ponto de ela hoje viver escondida.
Kamel disse que ninguém na emissora sabia que Cristina se sentia ameaçada, nem seus colegas da mesa ao lado, e que o editor-geral, Schroeder, tomou conhecimento do assunto no dia 12 de novembro através de e-mail da própria Cristina, que Schroeder reenviou a ele, Ali Kamel, com a pergunta "você sabia?" Ainda segundo Kamel, foi ali que tomou conhecimento da questão. Disse também que a emissora tem em sua folha de pagamentos mais de 20 agentes de segurança, que nada custaria à Globo colocar um ou mais agentes à disposição da Cristina. Disse também que, preocupado com o assunto, ainda ofereceu a Cristina seus préstimos junto ao então secretário Josias Quintal, para que ela passasse a ser protegida pela própria polícia.
Enfim, Kamel reafirmou o que dissera antes, acrescentando que estava amplamente documentado e que não podia entrar em maiores detalhes devido ao processo que a própria Cristina abrira contra a emissora, por estar em sigilo de Justiça. A bem da verdade, presidente, lembro que tentei fazer nova intervenção após Kamel, mas isto não me foi permitido. Você não me deu a palavra, embora tenha me inscrito para falar com o secretário da mesa, Ivan Acioly, decisão que foi reforçada pela Janice Caetano – que também estava na direção dos trabalhos.
Destaco este ponto porque em sua carta ao Mario Augusto afirma que "Ali Kamel fez uma exposição sobre os fatos relacionados ao caso Cristina Guimarães, e não foi contestado em nenhum momento por qualquer dos presentes, entre outros, o autor da denúncia feita na reunião do Conselho Administrativo da ABI (...), jornalista Oswaldo Maneschy".
Reitero: a bem da verdade, que fique registrado que tentei contestar as palavras de Kamel, mas a mesa – presidida por você, presidente – não permitiu que falasse de novo. Atenciosamente, Osvaldo Peres Maneschy, conselheiro da ABI
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Texto oportuno
Parabéns para o autor do texto. Oportuníssimo.
Luiz Carlos Santana, TV Senado, mestrando em Comunicação na UnB
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É fácil falar
Infelizmente estamos num círculo vicioso, em que uma atitude aparentemente "inocente" está ligada à pirataria, que está ligada ao contrabando, que está ligado ao narcotráfico e assim por diante. É impossível explicar a uma pessoa que ganha salário mínimo que o CD pirata que ela compra gera criminalidade, se ela, além de comprar uma obra do seu ídolo, também está ajudando alguém que não tem emprego e "se virando como pode". É impossível mostrar a milhares de brasileiros que assistem ao Ratinho que no programa ele usa uma linguagem chula e de baixo nível, engraçada para muitos. A "Dona Hebe" é outro desastre, muitas de suas opiniões são sem fundamento. E o pior de tudo, formam opinião.
Fabiana Cassim
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