
MÍDIA ESPORTIVA
A "Falha" acordou
Independentemente da paixão futebolística que move muitos leitores de jornal, em que critica e entendimento da noticia dão lugar a sentimentos – o leitor acaba achando que existe perseguição, um plano mundial que visa à destruição de seu amado time –, tenho a consciência de ler, procurar entender e acima de tudo relacionar os fatos, tanto os do momento quanto os do passado que acabam se concatenando na noticia de hoje.
Eu me incluo no grupo daqueles que nutrem paixão por seu clube de futebol. Vou assistir aos jogos, me informo, opino num fórum de torcedores, mas nunca deixei a razão de lado. Sempre soube avaliar o momento e discernir os fatos. Leio Folha, Estadão ou Jornal da Tarde eletronicamente, todos os dias. Há muito tempo venho acompanhando a cobertura esportiva da FSP, primeiro como assinante, depois como "estudioso" do caso. Passei a observar sua forma "jornalística", comparando-a com a de outros jornais. A Folha busca manter sua megalomania: tudo vira "mega", "super", sem falar no denuncismo. Com o tempo passei a notar uma diferença entre os jornais, não nos fatos, mas na abordagem destes fatos. Notei que a Folha omitia pequenos detalhes, trocava palavras que mudavam a idéia de uma frase. Achei que a causa disso é querer sempre mostrar o lado ruim das coisas.
Ao mesmo tempo, passei a notar forte tendência por um clube de futebol. Fiz algumas pesquisas e pude notar que este time era sempre destaque em algum box do caderno, em colunas estatísticas, na coluna Painel F.C., na seção Dividida, na seção Contra-ataque.
Foram dezenas de mensagens ao jornal, onde sempre procurei fundamentar minha critica e não de forma gratuita. O único retorno eram as irritantes mensagens automáticas da ombudsman. Nunca fui premiado com um comentário do jornal a respeito de minhas criticas, nem para falar que eu não entendia nada, que eu era um ignorante, que eu era cego, que eu era um provável esquizofrênico sofrendo um surto de delírio. Nada.
Fui enfim premiado com o retorno do editor de Esportes, do ombudsman e da editoria de Esportes. Fui agressivo na minha critica, pois é da natureza humana gritar cada vez mais quando não somos ouvidos. Vou continuar a fazer o que sempre fiz, buscar informação de locais diferentes para poder formar a minha opinião e não recebê-la já pronta.
Tomo a liberdade de anexar dois e-mails: a minha critica à Folha e a resposta de Melchiades Filho.
Ricardo Posman
"Subject: Falha de S.Paulo, a Coisa !
Date: Tue, 27 Mar 2001 12:02:00 -0300
From: Ricardo Posman <RPosman@tokstok.com.br>
To: ombudsman@uol.com.br <ombudsman@uol.com.br>, folha@uol.com.br <folha@uol.com.br>, esporte@uol.com.br <esporte@uol.com.br>
Realmente a Falha de S. Paulo se supera. A matéria desta segunda feira, 26/3/2001 foi de uma total incoerência. A manchete de uma noticia é na maioria das vezes, ou em sua totalidade, a formadora da opinião sobre determinado fato. Muitas vezes somente esta manchete é lida e ela passa a ser a "opinião" daquele que a leu. Assim, mais do que a matéria em si, a manchete deve refletir somente a verdade da noticia, e não a opinião do jornalista que a escreveu ou do editor que a publica.
Depois deste pequeno detalhe, cabe aqui meu comentário sobre a matéria mencionada. A manchete da noticia faz a seguinte afirmação "Retrancado, Palmeiras bate São Caetano". Obviamente ao ler esta matéria seria eu informado sobre um jogo onde o Palmeiras ficou durante todo o jogo se defendendo do São Caetano e que acabou ganhando o jogo exatamente por ter jogado na retranca. Pois bem, ao ler a matéria pude encontrar tanta incoerência com a manchete que vou apenas destacar alguns pontos mais fortes, para demonstrar.
1. ‘Apesar de teoricamente terem entrado em campo com formações mais defensivas, as equipes fizeram um jogo movimentado e com muitas chances de gol.’. Aqui a noticia informa que os dois times teriam entrado na retranca, mas como dois times retrancados podem fazer um jogo movimentado e com muitas chances de gol?
2. ‘Tanto antes como depois da paralisação, o Palmeiras foi melhor. O time paulistano pressionou o São Caetano, que só viveu de contra-ataques.’
Realmente o futebol está evoluindo muito. O revolucionário esquema tático do técnico do Palmeiras, a maior novidade desde o carrossel holandês, consegue fazer com que um time na retranca possa ser melhor, pressionar o adversário que vive de contra-ataques. Como pode existir retranca se um time não é atacado?
3. ‘A equipe de Celso Roth continuou pressionando como no primeiro tempo. A pressão deu resultado aos 16min’. Aqui continua a afirmação que o time ataca, que busca o gol. Logicamente ele não poderia estar se defendendo.
4. ‘O São Caetano passou a pressionar e perder chances.’ Pressionou, acertou a trave do Palmeiras e o que mais? O Palmeiras trocou algum atacante por um zagueiro? Onde está a retranca palmeirense? Um time que ficou 2/3 do jogo atacando e buscando o gol não pode ser tachado de retrancado.
A missão do caderno de Esportes em procurar fatos que desmereçam o Palmeiras é de muito tempo sabida. A comunidade palmeirense repudia totalmente a postura parcial, tendenciosa deste jornal. Da ombudsman não espero nada além de uma resposta automática. Do editor de Esportes, nada além da prepotência e arrogância. As criticas ao jornal são constantes e contumazes mas elas não têm a "força" de fazer com que os arrogantes desçam do seu pedestal e se dirijam aos seus leitores. Nós continuaremos a critica-los, os "deuses da notícia" continuarão a nos ignorar, mas nosso trabalho ganha adeptos diariamente. As criticas a postura do jornal passarão a ser encaminhadas a outros veículos de notícias, para que seus concorrentes saibam que nós temos consciência da porcaria que este jornal é. Ricardo Posman"
A RESPOSTA
"Subject: Palmeiras x São Caetano
Date: Wed, 4 Apr 2001 13:14:26 -0300
From: "Melchiades P. Filho" <mfilho@folhasp.com.br>
To: Ricardo Posman - DTI <RPosman@tokstok.com.br>
Olá,
Há muita estupidez nas relações entre leitores e imprensa. A maioria das mensagens que recebemos não passa de gritaria de torcedores histéricos, fanáticos, bitolados, que não entendem de futebol nem de notícia, que querem uma cobertura cordata de seus times, que insistem em ver o futebol brasileiro como um mundo maravilhoso.
Mas seu e-mail foge desse molde. É agressivo, mas bem fundamentado. Por isso, quero lhe agradecer. Protestos desse tipo ajudam, sim, os jornalistas a "descerem do pedestal". Por conta de seu alerta, o texto em questão foi objeto de reunião de avaliação da editoria de Esporte e apressou mudanças na equipe que vinha acompanhando o Palmeiras mais de perto. Melchiades Filho, editor de Esporte"
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