|
GRAMPO-BUMERANGUE
Carta a Boechat
Alguns homens, durante a sua vida, angariam respeito e amizade públicos. Você é um deles. Quando precisamos de apoio contra arbítrios você sempre esteve do nosso lado. Nunca se acachapou diante de intimidação nenhuma. Nunca se entregou a histerias destrutivas, nem embarcou no carreirismo desenfreado. Nem construiu a sua felicidade privada às custas da infelicidade pública. Fez da notícia um sacerdócio. Por essa razão, nós que te conhecemos e te admiramos queremos, hoje, te dar um abraço.
Inês
Patrício,
UFF, mais Silvio Tendler (PUC), Leandro Konder (PUC), Angela Ganem
(UFF), Andrea Puppin (UFF), Airton Albuquerque Queiroz (UFF), Daisy
Albuquerque Queiroz, Sebastião Paixão, Rolande Paula
Fishberg, Eduardo Fishberg, (estudante de Arquitetura da UFF), Marcelo
Timotheo da Costa (doutorando da PUC), Luiz Bevilacqua (LNCC)
Baixas na guerra suja
O artigo de Luiz Garcia no Globo de 3 de julho, "Baixas na guerra suja", é uma prova cabal de quanto a imprensa teria a ganhar se se difundissem nas redações velhos princípios liberais, como freios e contrapesos e direitos inalienáveis dos indivíduos. O mecanismo dos freios e contrapesos obrigaria a frear rituais de demissão sumária, como no caso do jornalista Boechat. Os direitos inalienáveis torná-lo-iam imune à divulgação de gravações criminosas. Direito de defesa e privacidade assegurados não impediriam, antes legitimariam, qualquer julgamento emitido, a favor ou contra o jornalista.
Inês
Patrício
Grampo ajuda
Meu nome é Rodolfo, e estou fazendo faculdade de Comunicação Social. Apesar de a invasão dos grampos na mídia ser um certo crime, eles podem ser um meio importante para reportagens de cunho social. Se um grampo em Jader Barbalho provasse com suas próprias palavras que ele desviou dinheiro da Sudam, do Banpará, ou de outros negócios que praticou. talvez o PMDB não pudesse dizer que não há provas para incriminá-lo.
A questão é que talvez os plantadores de grampos não mereçam ter tal tesouro. Se tudo for feito de acordo com a lei, talvez o mundo não tenha solução mesmo, e sempre haverá o domínio da elite. Não estou convencido de que o grampo seja um crime. Pode ser usado para boas coisas e para atrapalhar. Se as escolas de Comunicação fossem melhores talvez os futuros jornalistas usassem melhor os grampos que chegam a suas mãos. Obrigado pela pagina, é de grande ajuda aos estudantes.
Rodolfo
Sousa
Hedionda matéria
Prezado Dines,
Chama a atenção a forma como o "pecado" de Boechat é tomado como um fato cuja evidência desobriga a maiores análises e comentários, sendo estes mais apropriados ao desvendamento da rede de interesses escusos que culminam na publicação de hedionda matéria. É esta a tendência dos textos sobre o assunto no Observatório. Sem dúvida a tarefa mais específica do Observatório consiste no desvendamento de uma trama cujas linhas não estão ao alcance do leitor desarmado ("você nunca mais lerá um jornal da mesma maneira").
Mas acho que há momentos em que o óbvio tem que ser falado – e repetido. A Boechat não foi dado o direito de defesa, e isto é grave. Mas... que defesa, pelo amor de Deus? Penso que o Observatório deve ir em frente com a análise, função precípua, mas sem prejuízo do vigor da indignação com as torpezas de pessoas físicas, mesmo quando essas tendem a perder foco dentro da perspectiva monumental e quase abstrata dos grandes conluios. Penso que as duas posturas, os dois momentos críticos, um mais concreto e terreno do que o outro, se retroalimentam aos olhos do leitor e trazem ainda mais contundência aos excelentes textos analíticos. Abraços,
Ronald
Iskin
Leia também
Caso
Boechat, os crimes e o castigo –
Luiz Weis
No
reino do vale-tudo – Hélio Doyle
Impressões
digitais – Alberto Dines
Aspas
– Millôr Fernandes e Ivan Lessa
Os
limites do jornalismo de investigação – Luís
Guilherme Vieira
Aspas
– Luiz Garcia
O
triste fim do jornalismo fiteiro – A.D.
Olha
o grampo, meu bem! – A.D.
Aspas
– Dora Kramer, Elvira Lobato, O Estado de S.Paulo

|