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VEJA E ESTADÃO
Leitura irritante

Concordo com os pontos de vista apontados pelos autores das duas correspondências sobre Estadão e Veja. A leitura destes dois veículos é irritante, pois são órgãos que praticam um jornalismo provinciano ao proteger seus amigos e atacar seus desafetos em comum: PT, Itamar Franco, os contrários ao modelo de globalização vigente, o Hugo Chaves, Fidel Castro e, agora, no caso de Veja, o presidente da África do Sul. Minha opinião é que a imprensa evoluiu muito no aspecto tecnológico, mas na essência, continua como no tempo do Corvo e do Bessarabiano. Veja e o Estado são os melhores exemplos.

Rogério Barreto Brasiliense Santos, São Paulo



Condenado e inconformado

Interessante o inconformismo do Grupo Estado! São numerosas as críticas, inclusive com citação de renomados juristas, de excertos da sentença contra si, mas sempre sob o viés jurídico. Em outras palavras, em nenhum momento o editorial questiona a "vocação mercantil" do grupo que, se não é condenável no plano jurídico e legal do Estado de Direito, o é sob pressupostos éticos e morais.

Condenável a atitude do atual prefeito de Porto Alegre por seu procedimento, pela sua posição de homem público; mas nada menos que inaceitável o comportamento do Grupo Estado, que assim tem se comportado em inúmeras outras questões de relevância no panorama social brasileiro, numa postura mesquinha, estreita, refém de meias-verdades e em detrimento do que deveria ser critério de todo órgão de imprensa: a imparcialidade.

É inocente senão mal-intencionado, ainda, o trecho no qual o editorial afirma que a juíza "baseou sua sentença não na Lei de Imprensa, mas em conceitos ideológicos recentemente formulados, segundo os quais o surgimento de grandes conglomerados de informação tornou obsoleto o conceito de liberdade individual de expressão vigente. Ele estaria sendo confundido com liberdade de empresa." Esse conceito só pode ser considerado "recentemente formulado" por "conglomerados de informação" como o Grupo Estado, posto que secularmente discute-se sociologicamente o conflito potencial entre liberdade e igualdade (isonomia, se preferirem), podendo portanto incluir aí a liberdade de expressão nestes parâmetros, a liberdade de expressão de uma grande corporação de mídia. Discordar do conceito, sim, mas tachá-lo incoerentemente de ideológico e dizê-lo recente, um absurdo. Ainda no que se refere a censura, um leitor pode muito bem ser censurado e "editado" ao mandar uma correspondência aos "livres" espaços de leitores dos jornais e revistas. E usei o "nome simples e bem inteligível", o termo censura, da mesma forma que o jornal afirma que "Se se fizer depender a livre expressão (...) de critério ‘ético’ externo ao emissor (...), ou do tamanho do universo dos receptores (...), estar-se-á controlando a própria expressão." Acrescentando que é necessário pensar no "tamanho" também dos transmissores: censurado sempre sou eu, ou os leitores em geral, em especial os que discordam pontualmente das posições de um órgão como o Grupo Estado; nunca o conteúdo dos seus jornais ou rádios.

Resta ainda discutir as posições do jornal: claramente pela manutenção de um "status quo" definido e restrito, que lhe permita a máxima exploração de seu potencial de lucro (algo que não se negou em todo o editorial, repito), ignorando o que deveria ser a função social de um meio de informação. Do mais, é clara a manipulação da referida eleição, quando a Rádio Eldorado indica os nomes, fecha a enquete dizendo em quem se pode votar ou não – aliás, costume nas supostas pesquisas e enquetes feitas por aí. E, afinal, quais eram os demais indicados a "Mentecapto do Século"? Entre eles estava o jornal O Estado de S. Paulo, que em meados do mesmo ano de 1998 estampou manchete em letras mais que garrafais, à primeira página, proferindo que a privatização do Sistema Telebrás geraria dois milhões de empregos?

Por fim, é necessário lembrar sempre que tal comportamento não é exclusivo ao Grupo Estado, mas sim presente na totalidade (sem exceção) das grandes empresas que controlam a imprensa escrita, radiofônica ou televisiva brasileira, que agem sempre como se o conteúdo jornalístico fosse moeda de troca em relação ao poder estabelecido: acusando quando convém, ameaçando quando necessário aos próprios interesses e louvando quando há paz em seus balancetes e auspiciosas promessas em suas metas de faturamento futuras.

Sergio Luiz do Prado, São Bernardo do Campo, SP

Nota do OI: Abaixo, a notícia sobre o processo publicada no sítio da revista Consultor Jurídico <www.conjur.com.br>, de autoria da editora-chefe, Débora Pinho:

"Troféu causa irritação

Rádio Eldorado é condenada a indenizar Tarso Genro

Débora Pinho

A Rádio Eldorado foi condenada a pagar 200 salários mínimos (R$ 36 mil) ao prefeito de Porto Alegre, Tarso Genro. Em um de seus programas, a rádio chamou-o de ‘mentecapto’ do século, referindo-se àquele que não se manca. Também o convidou para concorrer ao ‘Troféu cara-de-pau’. De acordo com o advogado do prefeito gaúcho, João Piza, a decisão mostra que os meios de comunicação não podem ser utilizados para ofender a honra alheia, ‘ainda mais por simples caprichos ideológicos de seus proprietários’.

A rádio também deverá veicular o texto da decisão na mesma quantidade de vezes em que foram divulgadas as chamadas de Tarso para o ‘Troféu cara-de-pau’. A advogada Camila Morais Cajaiba, do escritório Manuel Alceu Affonso Ferreira, que defende o Grupo Estado, informou que a rádio vai recorrer da decisão."



Manual de Redação

Parabenizo o Observatório pelo programa e reproduzo carta que enviei à redação do Estado de S.Paulo.

Paulo Mendes, Engenharia de Materiais, Embraer

Manual de Redação e Estilo

Foi uma boa surpresa achar esse Manual de Redação e Estilo do Estadão, primeiro porque me será útil, segundo porque confirma a preocupação desse jornal em escrever em bom português. Assim, aproveito para pedir que seja reparado mal constante nas notícias quando vinculadas a um certo país: quem nasce nos EUA é simplesmente ‘americano’, logo, é ‘governo americano’, ‘indústria americana’, e assim por diante; chega de falar ‘presidente norte-americano’, ‘bolsa norte-americana’. Deixem o Canadá e o México fora dessa confusão.

Há também o máximo da ‘vítima fatal’. A vítima, coitada, não é fatal, é apenas vítima. Fatal é um acidente, é um veneno. Há casos, porém, em que realmente há uma mulher fatal, mas isso é outra coisa. Ainda, ‘apagão’ é aumentativo de que palavra? Esse jornal se deixa levar por qualquer modismo, por mais absurdo que seja? Sinceramente, me é extremamente irritante encontrar tanta besteira num artigo, e por vezes eu chego a parar de lê-lo."



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