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VEJA E JB
Desaparecimento da ética
Domingo, 24 de junho. O presidente de honra do Partido dos Trabalhadores, Luís Inácio Lula da Silva, é entrevistado pelo Jornal do Brasil. No mesmo dia, a revista Veja publica uma matéria "denunciando" os erros do programa televisivo do partido. Eliana Giannela Simonetti e Murilo Ramos assinam as duas páginas destinadas à oposição. "A vidraça do PT" é a manchete, cujo subtítulo revela "Programa do partido tem algumas qualidades, muitos defeitos e erros flagrantes de informação". Causa no mínimo estranheza a matéria da revista de um milhão de assinantes. A clara parcialidade e opinião dos jornalistas permeiam as entrelinhas, e em alguns momentos saltam aos olhos. Primeiramente, a matéria se propõe a corrigir, em tons de flagrante (ver subtítulo) o discurso do PT na televisão. Inclusive, para dinamizar a página, é utilizado o esquema "proposta/ problema", no qual as idéias principais do partido correspondem à proposta e a opinião dos jornalistas, ao problema.
Com rasos argumentos, Eliana e Murilo simplesmente usam critérios particulares e editoriais e se auto-intitulam capazes de esclarecer algo a alguém. Coisa nenhuma. A matéria é a nítida constatação do jornalismo de Veja, onde a ética e as prioridades da informação dão lugar a uma falta de critérios espantosa.
Qualquer estudante de Jornalismo aprende que a fonte é de extrema importância numa matéria. Mas os dois jornalistas não sabem disso. Quem é a fonte e com base em que se faz essa afirmação, por exemplo: "O programa petista demonstra arrogância diante de questões que o partido não tem a mais remota chance de alterar"?
A resposta à matéria esdrúxula de Veja é publicada, mesmo sem essa intenção, no Jornal do Brasil. Mário Sérgio Conti e Maurício Dias são responsáveis pela entrevista, cuja manchete é "Lula no poder manterá as regras do jogo democrático". Ao contrário de Veja, o JB se preocupa em ouvir uma das principais fontes quando o assunto é o PT. E essa fonte contradiz, de ponta a ponta, as sábias palavras de Eliana e Murilo, como no exemplo: "Eu quero o capital estrangeiro. Mas ele pode ser trazido em parceria. Por que o capital estrangeiro vai para a China e não questiona se a China é comunista? Tenho defendido a idéia de que a estabilidade econômica tem que estar ligada à estabilidade social."
A questão é simples. Quando se quer fazer jornalismo de verdade, ouve-se a fonte. Quando não, apela-se para o "estilo Veja de editar". Confirmação disso veio na revista, com data de 4 de julho. Lula é capa de Veja, e merecedor de nove páginas inteirinhas. Entretanto, pasmem! Em momento algum Lula é ouvido. Não há nenhum resquício de fala da fonte da matéria, a não ser em frases soltas ditas por ele "através dos tempos", como articulam os jornalistas Alexandre Secco e Rubens Valente.
O mais grave é que muitas das pessoas que lerão a matéria não vão se dar conta deste assassinato à ética. Concordarão, sem questionar, com o que diz a capa: "Na tentativa de parecer simpático e escapar da quarta derrota, o candidato do PT fala agora em fazer alianças amplas e em defender a estabilidade da moeda". O "agora" revela o que está implícito. É como se Lula tivesse mudado seu discurso só para não perder a eleição pela quarta vez. Só que a matéria não sustenta essa afirmação e de forma superficial tenta engendrar um clima de derrota. Até quando há a menção de Lula como primeiro candidato nas pesquisas eleitorais segue-se a pérola "Nada muito diferente das vezes anteriores".
Esta foi uma breve análise do que chega aos nossos olhos através da imprensa escrita. Se não é fácil peneirar o que é bom, mais difícil é engolir essa mixórdia escandalosa, de causar náuseas e muita, mas muita vergonha.
Lívia
de Souza Vieira
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Veja
e Estadão – Caderno do Leitor
CRISE ENERGÉTICA
Emergências?
Nada como uma emergenciazinha para um liberô geral de verbas. De preferência acompanhada de notícias assustadoras, muitos planos de salvação, comissões e grupos de estudos, pronunciamentos na TV – em horário nobre – e nas rádios também, cerimônias com discursos empolgados como os de campanha eleitoral, propagandas cacarejadas por toda a mídia, para dizer nada... essas coisas todas e, é claro, muitos contratos sem licitação. Onde é que estão os olhos e as vozes da nação?
Com esperança confiante, acreditamos nos profissionais da comunicação, bem mais do que nos donos das empresas de comunicação.
José
Renato M. de Almeida,
Salvador
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