11/11/2003 2/10

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LINGUAGEM DE BANDIDO
No clima do "tábão"

Até malandro já não é profissional... Não só os jornalistas estão a refletir rebaixamento intelectual a níveis do antigo curso ginasial, senão primário, em alguns casos. Lógico que essa síndrome se entranha cada vez mais em todos os aspectos das relações sociais. Se um jornalista é incapaz de perceber a natureza específica das palavras (que afinal são seu instrumento de trabalho), o que dizer de mecânicos, pedreiros, e serviçais em geral? Hoje é quase impossível contratar um simples e singelo trabalho de pintura ou jardinagem, sem que seja necessário o acompanhamento permanente da "obra", se se quiser evitar um desastre. Mas, ainda mais grave pode ser o resultado quando nos sujeitamos a um tratamento médico, dentário ou estético... Vade retro!

A generalização do espírito do "tábão", do fazer-se de qualquer modo, do fazer-se pela metade, o vício de se queimar etapas ("numpricisa"), tudo isso é fato consumado, é espírito aprendido nos bancos escolares, onde não se carece de estudo para "passar de ano", onde os professores são meros servos e onde a mínima tentativa de avaliação de um aluno é considerada atitude antiquada, tendente a destruir a "auto-estima" dos pobres pupilos... Na desmoralização total do ensino, da carreira em si de mestre, de professor está a causa primeira da dissolução da ordem, do sentido de hierarquia, do respeito humano e da responsabilidade social. Já não se dá qualquer importância à valorização da experiência e do conhecimento adquiridos com real esforço.

Aprecia-se somente o que vem fácil, o passageiro, o visual, o material. Que os deuses nos ajudem! Levaremos anos para reestruturar tudo o que foi destruído. E, pior, não parece haver vontade atualmente para tanto...

Ramón A. Portal, Bauru, SP

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Nivelamento por baixo

Excelente o artigo de Ricardo Setti sobre o uso da linguagem dos bandidos pelos jornalistas. Uma verdadeira contaminação que pode fazer a todos nós, jornalistas e leitores, nos "acostumarmos" cada vez mais com este estado de violência. E isto é nivelamento por baixo! Parabéns a ele.

Rosana Ronzella Tanus

 

Texto magnífico

Ricardo, seu texto é magnífico, obrigada.

Laura Duarte de Oliveira

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Batendo melhora

Parabéns, a imprensa (maior parte) parece que não percebe a importância que tem. Estão preocupados em manchetes espalhafatosas e de retorno econômico. Todo mundo reclama dos juros, como se fossem a causa, e não a conseqüência. Por que os jornalistas não mostram as causas dos juros altos, ou seja, da ineficiência e no interesse de poucos em arrumar a casa etc.? Parabéns mais uma vez e batam forte nos seus colegas, porque se com ajuda da imprensa vai ser difícil melhorar alguma coisa, imagina sem ela.

Sergio Mello

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