11/11/2003 3/10

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LINGUAGEM DE BANDIDO
O país dos bandidos

Perfeita a matéria. O Brasil do "ano 2000" tornou-se o país dos bandidos. O linguajar do jovem de hoje é totalmente carregado de jargões vindos da cadeia. E isso os influencia profundamente. Hoje no Brasil o bandido é o herói e o policial é o perturbador da ordem pública. O jovem não acredita que o policial poderá cuidar dele melhor do que os traficantes já fazem. A imprensa tem uma responsabilidade enorme sobre isso, no sentido de que cabe a ela o processo de reeducação de nossa língua. Sabemos que o brasileiro não é um grande leitor de livros literários, preferindo ouvir rádio ou assistir à TV, sendo imensa, portanto, a influência que estes meios carregam sobre nossa população. Espero que seja dada continuidade ao processo iniciado com esse texto.

Edmar Figueiredo, Toronto, Canadá

 

Para o currículo

Fantástico! "Chega de usar linguagem de bandido", de Ricardo A. Setti, deveria ser utilizado como recurso didático em todos os cursos de Jornalismo de nossas universidades. Não sei ao certo qual seria a disciplina a fazê-lo, pois sou leigo em matéria curricular do Jornalismo, mas com certeza, como ouvinte, telespectador e leitor de notícias posso afirmar que será de grande valia para nossos futuros profissionais do jornalismo, de quem esperamos a melhor competência técnica, científica e política para a construção de um Brasil melhor para todos nós, brasileiros. Parabéns ao brilhante jornalista autor do mencionado texto.

Francisco de Assis Pinheiro

 

Não tinha pensado nisso...

Está ai uma coisa em que eu não tinha parado para pensar. Realmente, por usar tais termos com tanta naturalidade os jornalistas acabam por fazer parecer que o crime é legítimo. Excelente matéria!

Jether Santos

 

Em vez de clarear...

Plenamente de acordo com os comentários sobre o uso pelos "comunicadores" de expressões que deturpam as idéias em vez de torná-las claras.

Nilton Nascimento

 

Campanha de moralização

Gostei do artigo de Ricardo A. Setti "Chega de usar linguagem de bandido". Precisamos fazer uma campanha de moralização do linguajar da mídia. Estão estimulando a criminalidade no Brasil. É preciso dar menos importância às notícias criminosas, esquecê-las ou até mesmo tirá-las da mídia de informação. É preciso mais cultura e maior valorização às pessoas com formação profissional. Hoje no Brasil só têm valor jogadores de futebol e bandidos. Dá para entender isso?

Miguel Kassis

 

Instrumento de aprendizado

Concordo. Deve existir mais ética e mais responsabilidade com aquilo que escreve, principalmente por parte da imprensa, que é a maior formadora de opinião e instrumento de informação e aprendizado constante.

Kauana

 

Não honram a pena

Como cidadão, e pessoa de bem, venho apoiar totalmente o exposto no artigo. Infelizmente e analogamente falando, assim como policiais que não honram a farda que usam existem jornalistas que não merecem o respeito que gostaríamos que merecessem...

João Luiz Martins

 

Assunto grave

Sem qualquer margem de dúvida, esta é uma matéria que merece elogios. Estamos ficando tão acostumados a usar palavras de malandro que já sentimos dificuldades em escrever corretamente. É um assunto que considero tão grave que em breve poderemos abolir as aulas de língua portuguesa nas escolas, pois os professores perderão seu tempo tentando ensinar regras de gramática. Quando digo que é sério é porque já passei por uma situação em que escrevi um texto e meu chefe disse que a palavra que eu utilizara estava errada, tive de mudar, fui conferir num livro que eu tinha em casa e eu estava certo. É complicado porque se você for fazer teste numa empresa e seguir a regra gramatical pode ser reprovado, alegam que você acentua demais.

Laercio Lins de Melo, analista de sistemas

 

Onde está o bandido?

Li o texto e fiquei esperando até o fim surgir a menção a mais uma palavra do submundo que foi incorporada ao mundo das finanças, que é "resgatar". Ouvida rotineiramente nos meios de comunicação como sendo o ato de tentar reaver por meio de sacrifícios um ente querido vivo ou até mesmo morto levado para um cativeiro à força, para servir de mercadoria de troca por bens, ou seja, seqüestrado, o que vemos e ouvimos atualmente? Quando temos um pouco de dinheiro sem uma aplicação momentaneamente definida e não queremos que fique parada numa conta-corrente somos orientados por gerentes de banco a fazer uma aplicação financeira enquanto pensamos num melhor uso.

Quando, finalmente, depois de muita reflexão, resolvemos usar o dinheiro o que acontece? Precisamos resgatá-lo. Não podemos simplesmente sacá-lo para sair correndo cumprir compromissos com ele. E, justiça seja feita, a palavra até que é bem-empregada, porque para tirar da conta-corrente e colocar o dinheiro na aplicação financeira incide a maldita CPMF. Para voltar para a conta-corrente, mais CPMF (ou seria o resgate?). Enfim, para sacar o dinheiro da conta-corrente adivinha o que acontece? Ganha um doce quem disser "mais CPMF". Continuo me recusando a usar palavra de bandido, mas está cada vez mais difícil saber onde está o bandido.

Ivan de Almeida

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