11/11/2003 6/10

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SHOW ANTIÉTICO
Regras de mentira

Concordo com Beatriz Sidou. Como pode merecer respeito e credibilidade uma televisão que se baseia em subterfúgios, no desrespeito ao direito alheio, no comportamento anti-ético, enfim? Mas, gostaria de acrescentar que isso denuncia algo pior: essas pessoas, na verdade, julgam não estar fazendo nada demais, não enxergam ilícito em seus atos. Aliás, esse é um mau exemplo que só vem reforçar todo um sistema já bem-instalado neste país, pelo qual as regras, as leis, as normas, tudo isso que rege a vida em sociedade, os direitos alheios e os nossos, bem, são consideradas coisas mais "pró forma"... Na realidade não são modelos de conduta passíveis de consideração.

Assim é com o instrutor de auto-escola que ensina perfeitamente o comportamento padrão que se deve respeitar no trânsito, mas acrescenta a ressalva de que "tem que fazer assim para passar no exame..." Depois de "tirada" a carta, bem daí a coisa é outra. E temos então um tráfego em que todos andam apoiados na esquerda (desavisados estrangeiros podem pensar que o nosso é o sistema inglês), buzina-se para chamar pessoas defronte aos prédios, estaciona-se onde for "mais fácil". E por aí se vai: desde os pequenos até os mais escabrosos e perniciosos comportamentos anti-sociais.

É um país com regras de mentira. Com urnas para reclamação nas firmas, mas sem caneta para preencher a reclamação. Mas tem a urna... Que é para obter a ISO "algum número qualquer". Vemos então que a atitude dos repórteres no caso relatado pela Beatriz só faz seguir o costume pátrio – continuam agindo lá fora como se comportariam aqui – "Ora, bolas para a proibição de filmar... ninguém deve respeitar isso mesmo...". Afinal, pra que essa regra? Às favas com ela... Não se perquire o direito do outro de não se admitir determinado comportamento. Considera-se simples "frescura". Nada que não possa ser contornado. Este é um país fake. Fundado na mentira. Na chamada "esperteza"... E nossas crianças são inoculadas diariamente com esse veneno. Mas não faz mal. Deixa pra lá. Devo estar exagerando... Deve ser só "frescura" minha, mesmo.

Ramón A. Portal, Bauru, SP

 

Jeitinho e esperteza

É muito fácil falar da falta de ética alheia, ser ético é que é difícil. O Fantástico tem uma seção "estamos de olho em você". E quem fica de olho neles? Garanto que a maioria dos espectadores nem atentou para o fato, tão habituados estamos a admirar o jeitinho e a esperteza. Somos uma nação de espertos. E de esperteza em esperteza – dar uma gorjeta para estacionar em locais proibidos, avançar o sinal se não há guarda por perto, obter um falso atestado médico para justificar alguma falta, furar fila, fotografar onde é proibido fotografar – chega-se ao desrespeito total das leis maiores. Leis se respeitam, grandes e pequenas, ou se instala a desordem, como, infelizmente, se instalou em nosso país. E não adianta culpar os "políticos", como se políticos fossem uma raça à parte. Políticos são os representantes de um povo. Antiéticos somos todos nós a cada esperteza cometida. Meu pai já me ensinava, feirante que rouba 10 centavos no quilo do chuchu se tiver a chance desviará milhões.

Sonia Sant’Anna

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Show antiético – Beatriz Sidou

 

ARMAZÉM LITERÁRIO
Somente o beabá

Conhecemos bem os meios de comunicação. Qual é o verdadeiro motivo de no Brasil estar crescendo assustadoramente o uso da internet? Será que a liberdade de expressão está livre? Quanto mais deixarmos os manipuladores articularem esses meios ficaremos sempre recebendo o beabá, e o direito de nossa sociedade dialogar e discutir nossa cultura e nossas idéias vai ficar sempre para a elite.

Luiz Antonio

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Nichos literários na internet – Deonísio da Silva

 

A boca do luxo

Investigar a prostituição não é para qualquer um. Estou produzindo matéria sobre o comércio da prostituição, e a cada entrevista fico mais espantada com a maturidade das meninas e a forma natural como encaram a vida na noite. Estou investigando o contrário, "A boca do luxo". E eu, ainda uma foquinha, estou amando trabalhar com esta pauta. Parabéns aos autores, as pessoas precisam saber que por trás da prostituição existe uma história de vida.

Palmira Petrocelli, jornalista, Revista Circuito Social

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Um mapa da prostituição – Armazém Literário

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