EXCESSOS E OMISSÕES
Âncoras indigestos
A despeito de prezar o Estado democrático, em que a liberdade de expressão e de imprensa são itens sagrados, tenho visto na mídia jornalística atuações muito negativas de profissionais, depondo contra a nobre profissão em que atuam, de modo a ferir a necessária confiabilidade existente entre o órgão de imprensa e a opinião pública. O maior emblema nacional existente, na minha opinião, é o Sr. Boris Casoy. Comenta as notícias com alto grau de subjetividade, criando no telespectador sensações e impressões que variam da aprovação ao mais profundo desgosto.
Certa feita li na revista Imprensa crítica feroz feita por jornalistas conceituados a este tipo de ancoragem. Concordei em todos os aspectos abordados. Esta semana, assistindo ao programa Cidade Alerta, também da TV Record, fiquei estupefato com as bravatas do apresentador que mostrava reportagem sobre a Operação Anaconda. Bradava aos quatro cantos do estúdio sua felicidade em ver os desdobramentos da "espetacular" ação policial, prendendo pessoas sem o devido julgamento (em claro cerceamento do direito de defesa), em atitude banalmente pirotécnica, sem a menor responsabilidade social sobre aquilo que fazia. Chegava ao ridículo. Está claro a todos que prezam o estado de direito que isso tem que mudar. Não podemos continuar assistindo passivamente a tais acontecimentos que trazem em si males tão graves ao país.
Eduardo Soveral, arquiteto
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Show antiético – Beatriz Sidou
Do contra ou vendido
Por que se referiram ao comentário de Lula sobre a capital da Namíbia como uma "gafe"? Por que julgam o Lula por um trecho de seu discurso para diminuí-lo ou tentar atacá-lo? É só ler o contexto de sua declaração, completa, que veremos que ele continua verdadeiro e consciente do seu papel e posição. Quem viu "gafe" só pode ser do contra ou, pior ainda, estar a soldo de interesses escusos do mau jornalismo.
Eusebio Mattoso
Beócios e cretinos
Antonio Ermirieta, digo, Maria Antonieta, já disse, se não têm pão comam brioches. E vamos filosofar de barriga cheia!
Humberto Crivellari
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O homem que calculava e o homem que calcula – Deonísio da Silva
Pobreza e preconceito
A edição 802 da revista Exame do dia 1º de outubro traz estampada na capa, em letras enormes, a frase "Como vender para pobre". Assim que a recebi em casa, a título de brinde da editora, minha primeira preocupação foi escondê-la numa gaveta, preocupado em não causar constrangimento à moça que trabalha para nós, que é muito pobre, gente simples mesmo, e que é um doce de criatura.
Como eu, suponho que tantas outras pessoas tenham ficado incomodadas com aquilo. Será que estou sendo exigente demais? Acho que não. Os dias se passaram e eu não consegui me libertar daquele título. Pensei na luta da comunidade cristã, com seu milhares de voluntários, que oferece ajuda de toda espécie a esse povo de Deus, além de motivá-los a batalhar por um lugar ao sol, a lutar, progredir e vencer. Pensei no governo federal que, enfim, parece disposto a dar aos carentes a atenção que eles merecem, lhes oferecendo muito mais que o feijão com arroz: vida, com respeito e dignidade. Por fim, pensei também nas ONGs que se espalham por aí (pró-isso e pró-aquilo), que congregam as pessoas que também pensam nos outros, e que têm por lema a luta pela igualdade e pelo bem-estar de todos.
Penso que seja essa união de forças, voltadas para o próximo, que ainda mantém um certo equilíbrio nesse mundo maluco. E o que faria todo esse batalhão, pessoas consagradas ao bem, se fosse analisar o problema à luz do preconceito? Certamente não sairia às ruas, ficaria cada qual no seu canto, gozando as coisas boas da vida, não é mesmo?
De repente, na contramão dos fatos, vem a revista e publica essa capa infeliz e discriminatória – a despeito da matéria em si, que é interessante e bem feita. Uma demonstração de arrogância que dá pena. Pior: não há igreja, nem Fome Zero, nem ONG que consiga erradicar a pobreza de espírito.
Cláudio Selles Ribeiro, aposentado
Consumismo idiota
A mídia, sem nenhuma idéia na cabeça, se agarra a qualquer futilidade sobre celebridades para sobreviver. E os concorrentes pegam carona na mesmice do pão amanhecido para aumentar vendagens, incluindo até biografia de jogador de futebol. Servem em uníssono a mesma receita, o mesmo cardápio. E o povo consome.
Beijamim Ribeiro
Só bobo acredita
Eu acho que a mídia não difere de nenhuma oligarquia que detém poder. Nunca li na mídia conservadora nada que me mostrasse o contrário. É tão corporativista quanto qualquer outra categoria. Mas adora meter o pau nos outros, como se fosse um primor de virtudes. Gosta dos privilégios, da ajuda do contribuinte quando está em dificuldade, mas posa como se não tivesse nada com isto. E, além de tudo, hipócrita. Eu me lembro, principalmente da dona Veja, que alguns anos atrás descia o pau nas estatais, fazendo discurso favorável à iniciativa privada. Tudo tinha que ser privado. O privado é que era o máximo. O público, a desgraça. As empresas, segundo a revista, teriam que vencer pela competência. Agora, a própria mídia na desgraça (ainda bem) vem pedir à viúva (contribuinte) que a ajude.
Onde está a competência? Se eu perco o emprego ninguém vem me ajudar, por que ajudar a mídia? Ah, sei, a desculpa que gera empregos. O pequeno também gera empregos e ninguém o ajuda. Aliás, se é para ajudar, que ajudem as rádios comunitárias, que são comprometidas com a comunidade, com os interesses das pessoas, e não com o interesse do capital, dos poderosos, como é a mídia burguesa. Torço para todas elas quebrarem, e que rádios, revistas e jornais alternativos prosperem.
A propósito, gostaria de ver alguma reportagem sobre a situação atual das empresas que foram privatizadas, o grau de satisfação/insatisfação dos usuários e se geraram mais emprego ou desemprego. Pelo que observo, a qualidade do serviço caiu muito e as tarifas dispararam, só não vejo ninguém falar nada. O desemprego também aumentou, mas a grande mídia está calada, certamente tem interesse por trás, depois diz que é independente. Só bobo acredita.
Rosângela Sabino, Belo Horizonte
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Frias abriu o jogo e o jogo vai mudar – Alberto Dines
Meia maratona
Embora consideremos utópico, o sonho por uma imprensa imparcial persiste. Já viemos de mais longe. Contudo, a safra que esta geração nos oferece, infelizmente, é de baixa qualidade. Para nosso consolo, todavia, restam, dentre poucos, um Observatório da Imprensa, de nível internacional de qualidade, que tem posto seus olhos em prol da vigilância – esta sim, da esperança que tem resistido ao medo – das instituições brasileiras.
Consideramos a imprensa como uma instituição e como um quarto poder, pela relevância dos serviços que presta às nações e aos povos ao redor do mundo em qualquer tempo, reconhecendo, entretanto, a proliferação do joio numa crescente redução do trigo. Porém, tais arrazoados não nos possibilitam sair atirando a esmo em todas as direções; além da sandice poderíamos estar sacrificando inocentes. A imprensa que cumpre o seu papel equivale a meia maratona atingida, caso contrário... Resta-nos, a nós outros, vigiar e orar.
José Pessoa Martinez
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Apontamentos sobre um sonho adiado – Wladir Dupont