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Edição de Marinilda Carvalho

A matéria sobre o médico alemão que praticou uma autópsia* ao vivo num programa do respeitado Channel 4, assistido pelo professor Antonio Brasil quando estava na Grã-Bretanha, suscitou quatro cartas de espanto e uma de quase-aceitação: se tiver caráter educativo, por que não?, pergunta o leitor. Deve ser por isso que as TVs cada vez mais avançam (no mau sentido) no rumo de uma programação, digamos, escatológica: elas sabem que há audiência para tudo mesmo!

Também merece destaque a carta do leitor que anuncia a demissão de O Dia do colunista Aldir Blanc, por ter falado mal numa crônica do casal Garotinho. A carta chegou ao Observatório em cima do fechamento da edição, por isso não foi possível obter alguma manifestação do jornal a respeito. O que com certeza já teremos na semana que vem.

A propósito, Rosinha Garotinho interpelou judicialmente colunistas do Globo, por menções humorísticas a sua pessoa, menções estas que considerou ofensivas. A governadora eleita do Rio de Janeiro, obviamente, tem o direito de processar a quem bem entender. Mas que lhe cairia bem alguma orientação sobre relações com a imprensa não resta a menor dúvida. Do contrário, seu governo estará em conflito permanente com a mídia.

* Sei que os médicos usam necropsia, mas neste caso fico com a palavra popular; os sociolingüistas hão de me dar razão ao menos nisso...

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Nota da Redação: O Observatório da Imprensa não publica mensagens assinadas com pseudônimo ou iniciais. Cartas só serão acolhidas quando claramente identificada sua autoria.

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O DIA
Demissão de Aldir Blanc

O músico e compositor Cláudio Jorge fez o seguinte pronunciamento em 9/12 na Rádio Viva Rio, sobre censura no jornal O Dia. Eis o link para a crônica do Aldir Blanc: <http://odia.ig.com.br/odia/opiniao/op091203.htm>

Fábio Padilha

"O nosso Mora na Filosofia de hoje é curto e grosso. O compositor Aldir Blanc, um dos maiores poetas e escritores do nosso tempo, autor de pérolas como O bêbado e a equilibrista, e aquela "Oi que foi só pegar no cavaquinho pra nego bater..", Saudades da Guanabara e tantos outros sucessos, foi vítima de uma arbitrariedade. Aldir era contratado do jornal O Dia, onde escrevia suas crônicas desde 1995. No dia seguinte em que escreveu uma bronca contra o casal Rosinha e Anthony Garotinho foi demitido sem nenhuma explicação. O texto do Aldir era uma indignação contra as palavras de Garotinho, de que iria desinfetar o Palácio Guanabara após a saída da governadora Benedita da Silva.

Quero assinalar aqui a solidariedade do programa Nas rodas do samba ao artista Aldir Blanc, a minha crítica indignada à diretoria do jornal O Dia e a minha preocupação com o futuro cultural da cidade do Rio de Janeiro. Numa atitude solitária, usando o bom humor que os cariocas sempre usam na hora do sufoco, o mínimo que posso fazer nesse momento é propor a todos os boêmios, sambistas, poetas, músicos e jornalistas da Cidade do Rio de Janeiro que expulsem o chope garotinho dos bares da nossa cidade, na hora do prazer do encontro com os amigos, adotando de imediato o chope Benedita Blanc, que é aquela caldereta de chope preto, na pressão, deliciosa e linda. Claudio Jorge"

JORNAL DO SENADO
Mordaça amordaçada

Envio-lhes cópia da minha manifestação a respeito do pronunciamento do senador Belo Parga (ele tem todo o direito de fazê-lo) a respeito do "adjetivo" mordaça, que pretende eliminar do noticiário do Jornal do Senado. A carta foi encaminhada à Agência Senado e aos editores do Jornal do Senado, nesta data.

Montezuma Cruz, Brasília

Ilustre Diretora Maria da Conceição Lima Alves e Senhores Editores do Jornal do Senado e da Agência Senado

Mordaça

O zeloso senador Belo Parga estranha o termo mordaça, quer aboli-lo do noticiário e manifesta o desejo de "coibir que o jornalismo opinativo penetre no Jornal do Senado". Entendo que a palavra mordaça vem sendo utilizada pela Imprensa Brasileira desde quando surgiu. O Jornal do Senado não adjetiva em títulos, subtítulos ou matérias, por livre e espontânea vontade. Atende, sim, ao conhecimento e às exigências dos seus mais de 200 mil leitores (imagino ser esse o público), entre os quais, as próprias agências de notícias e redações em todas as regiões brasileiras. Na falta de pessoal e em função dos chamados "temas do dia", todos eles são, hoje, pautados pelo Jornal do Senado e a Agência de Notícias desta Casa.

Prevalecendo o raciocínio do senador Parga, informações contidas em títulos e consagradas por serem mais compreensíveis ao leitor – Lei do Combate à Pobreza, Ato Médico, Lei da Similaridade, Lei de Newton, Desarmamento, Lei Pelé, Lei do Silêncio, Lei do Ventre livre, Lei Zico, Lei da Reforma Agrária, Lei das Diretrizes e Bases, também estariam sob semelhante crivo. Basta que algum senador as refugue.

Leis são consagradas pela sua importância. Que mal faz o jornal noticiar mordaça? Por que haveria de ocorrer censura no Parlamento, expressão das liberdades individuais deste País? Falar em adjetivos "indesejáveis" implica longa discussão: recorde-se o caso das polonetas, no governo do general Ernesto Geisel. Todas as manchetes incluíam polonetas.

O senador diz que mordaça em título emociona e pede a imparcialidade do jornal. Imparcialidade na imprensa brasileira? Conheço três jornais com o nome "O Imparcial": um em Araraquara (SP), outro em Presidente Prudente (SP) e outro em São Luís (MA), a capital do senador Belo Parga. São? Nem eles, nem os outros. No máximo, um é mais bem feito que o outro.

Entendo que o senador estaria vendo tempestade em copo d’água. Adjetivar com termos conhecidos da população em geral não é "tomar partido". Ou ele retrocede aos usos e costumes do controle sobre as redações, comuns em outros períodos?

Não há crime algum. Há mais, muito mais com o que se preocupar.


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