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COBERTURA ECONÔMICA
Amigos do poder
Parece-me que os jornalistas e comentaristas econômicos querem "fazer bonito" junto aos donos do poder: não podem perder o emprego. Por outro lado, o governo federal – com apoio silencioso dessa "imprensa oficial" – vem, a todo custo, tentando fazer crer aos assalariados e à população em geral que a economia não está indexada. Ora, desde que os serviços de telefonia e distribuição de energia foram "privatizados" os preços das tarifas estão indexados pelo maior índice de variação de preços: o IGP-M. Há mais de ano os preços dos combustíveis estão indexados ao câmbio. Com essa escola oficial todos aprenderam rápido. Agora qualquer empresário – do produtor de soja ao vendedor de coco – tenta reajustar seus preços de acordo com o valor diário do dólar. E se a população continuar a comprar – mesmo com o preço elevado pelo câmbio especulativo, ante às dívidas públicas a vencer – o preço dificilmente voltará aos níveis anteriores. Os bancos investidores em títulos cambiais forçam a alta do dólar para obter os maiores lucros do mundo. O Banco Central os ameaça sem muita convicção e no fim aceita o jogo especulativo. Quem paga a conta é a população assalariada e os que nem salário têm... e a bomba está armada para o próximo governo.
Hoje são bem poucos os preços não indexados e, certamente, um dos que continuarão longe dessa corrente de indexação, graças aos argumentos propagandeados pelos mais espertos, é o preço da mão-de-obra, isto é, o salário. Será que eles acham que ainda conseguem enganar alguém?
José Renato M. de Almeida, Salvador
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DENUNCISMO
Escola Base "encheu o saco"
Todas as vezes em que se critica o "denuncismo" de certos veículos da imprensa cita-se o terrível exemplo da Escola Base. É indefectível e, aparentemente, o único exemplo que esses próceres da ética do jornalismo têm a nos apresentar. Sinto-me desconfortável em defender uma prática que sei não ser adequada ao bom jornalismo, mas o que fazer, se os poderes constituídos na nossa tão festejada democracia não se mostram capazes ou dispostos a cumprir seus papéis constitucionais com a devida seriedade?
Há um "acordo de cavalheiros", ou trato de cúmplices, entre os integrantes das nossas elites – econômica, política e jurídica – que lhes garante a impunidade. O ideal é que seus malfeitos nem sejam descobertos, mas se o forem, uma operação-abafa é imediatamente acionada. Às vezes, não tem jeito, é necessário um julgamento e condenação, sempre com sentenças ridículas, totalmente desproporcionais aos crimes cometidos. Por exemplo, após o processo do Nacional arrastar-se por muitos anos, os banqueiros foram condenados... a penas de 3 a 5 anos de trabalhos comunitários.
O artigo do Bernardo Kucinski tem um mérito inegável, evidenciado no trecho "As histórias também impressionam porque em sua maioria tratam de casos e personagens e processos já conhecidos. E que não deram em nada. Foram arquivados, esquecidos em alguma gaveta, adiados ou abafados. Percebe-se que há um vazio deixado pela inoperância da Justiça no combate à corrupção e aos crimes de colarinho branco. Nesse vazio, floresce o jornalismo denuncista". Perfeito! Mas logo em seguida volta à Escola Base...
Posso dar uma sugestão? Para cada artigo denunciando o denuncismo publiquem um outro denunciando os podres poderes da nossa "democracia", que no mínimo explicam, talvez justifiquem, essa prática abominável da imprensa. E, por favor, arrumem um outro exemplo, porque o da Escola Base, com todo o respeito ao sofrimento das suas vítimas, já encheu o saco!
Luiz Candido Borges, Rio de Janeiro
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Imprensa faz justiça com as próprias mãos – Bernardo Kucinski, no Entre Aspas (rolar a página)
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