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DESAFIO AOS LINGÜISTAS
Sofisticação em alto grau
Lendo o bobajol de Caia Fitti, fiquei surpreso ao descobrir que sou um analfabeto funcional. Nasci em 1962, a universidade brasileira acabou em 1964 e, desde então, ninguém sabe ler nem uma manchete do Extra sem tropeçar. A descoberta me desconcertou: logo eu, que me julgava um bom leitor de Machado e Rosa e um escrevinhador de certos recursos, como a gente se engana nessas auto-avaliações! Daquela parte dos artigos que, com grande dificuldade, consegui compreender, soletrando em voz alta os trechos mais complexos (com a inestimável ajuda da velhinha que mora no apartamento ao lado), concluo que:
1) qualquer pessoa que considere quixotesco o projeto de Aldo Rebelo, por não acreditar que se regule língua por lei (a única exceção é a ortografia) e também por saber que o buraco cultural é muito mais embaixo, qualquer pessoa que pense assim é salafrária, entreguista e sócia do analfabetismo funcional;
2) todos os economistas lotados em instituições públicas devem ter seus salários congelados enquanto não resolverem o problema da distribuição de renda no Brasil.
Beleza. É exatamente de raciocínios com esse grau de sofisticação que o país precisa.
Sergio Rodrigues
Para entender textos
Um bom exemplo de problema de leitura que não tem nada a ver com analfabetismo funcional é esse debate. Você me atribuiu afirmações que não leu no meu comentário (por exemplo, que acho que o que eu ensino está bom). Pode reler. Há mais coisas sobre entender textos do que o analfabetismo funcional (que todos já descobriram).
Sírio Possenti
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DIPLOMA EM XEQUE
Grupo dos não-diplomados
Salve, Ewaldo Oliveira! Que momentos felizes vivemos no Brasil, graças a Deus pessoas não-diplomadas e que trabalham como jornalistas, que estão podendo enfrentar de peito aberto a tentativa de reserva de mercado dos sindicatos e outros herdeiros do regime ditador militar. Proponho que aproveitemos o bom astral da matéria e tudo que se espera de países onde se respeita a liberdade de expressão para formarmos um grupo oficial de jornalistas não-diplomados, para que em qualquer revés jurídico possamos apelar e fazer frente ao lobby dos "donos" de sindicatos e escolas de padronização de futuros colegas.
Maurício P. Lomas, jornalista profissional sem diploma
Famigerada exigência
Parabéns, Ewaldo Oliveira, pela matéria sobre a famigerada exigência de diploma para o exercício do jornalismo. Algo, que desde 1969, sob o governo Costa e Silva, nos envergonha a todos. Como justificar tamanho cerceamento da liberdade de expressão a não ser pela defesa dos interesses pessoais dessa camarilha em extinção, que há séculos nos enoja? Exatamente como uma grande família mafiosa, com tentáculos internacionais, apoderou-se do poder político nesse país. Basta observar a cara dos corruptos e ouvir seus últimos gritos e lamentos. Em especial essa asquerosa tentativa de aprovar a "Lei da Mordaça", que prevê foro especial (privilegiado) a ex-presidentes da República, algo estendido a boa parte da canalha que governa esse Brasil. Uma pena reconhecer isso. Mas como fugir a essa realidade escancarada?
Ricardo Faria
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