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TRIPÉ SATÂNICO
Cobrança indevida

Todos os provedores habilitados para o Speedy cobram pelo acesso ADSL de R$ 45 a R$ 60 aqui no estado de São Paulo, enquanto nos estados do Sul o ADSL sai por menos que R$ 15 por mês. A única diferença é que aqui em são Paulo temos a Telefonica. A Anatel, de sua parte, protege operadoras como a Telefônica, obrigando o usuário de ADSL a contratar um provedor: a operadora cobra do usuário e cobra para manter o provedor habilitado.

Hélio Aparecido Justino

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GOOGLE NEWS
Robô faz jornal sozinho

O Google criou um sítio chamado Google News, que ainda está em versão de testes. Um software-robô simplesmente faz varredura e cruzamento de informações em 4 mil sítios de imprensa cadastrados ao redor do mundo (mais fontes serão certamente agregadas), e publica as notícias mais relevantes do planeta naquele momento. As notícias são divididas em tópicos: World, US, Tecnologia, Saúde. Tudo feito por computador, que constrói um jornal automático que é revisto a cada instante e com todos os links para as fontes. É incrível. Vale a pena. Anotem o endereço: <news.google.com>.

Paulo Ricardo Weissenberg

 

PROGRAMA DO JÔ
Mulher, idade e palavrão

Não entrarei no mérito da indignada manifestação. Minha indignação vai mais longe: a expressão que chama a psicóloga Tânia Zagury de "sofisticada loura quarentona (cinqüentona?)". Se a loura em questão fosse uma "oxigenada" do entretenimento televisivo ninguém iria se referir a ela como uma "despudorada loura vintona (trintona?)". Aliás, para muitos equivocados neste país, ter 20/30 anos é o mesmo que ainda ser uma "garota" ou uma "menina". Mulher, para esse pessoal, é quando passa a ser "quarentona", "cinqüentona", "centenária", e o termo passa a ser usado como palavrão. Passam de "garota" ou "menina" para coroa ou vovó. Como já aprendemos, mulher – gênero – e mulherão são termos díspares. Pobres coitados, que copiam a cultura americana, e sua "girl" – que até meados do século passado era chamada de.. ."baby"! – mesmo que estivesse em sua quase quarta década de vida! (E para quem esqueceu, "girl" também significa "empregada, criada", nos dicionários. O que não deixa de ser significativo, em sociedades machistas ...)

Outro dia, um pastor americano se referiu a uma mulher de 30 e poucos anos como a "little young girl" e o tradutor não hesitou em verter para "a garota". A "trintona", digo eu – já que o termo balzaqueana caiu em desuso -, para fazer jus à quarentona ou cinqüentona psicóloga brasileira do leitor indignado!

Marli Ribeiro

 

Falta de qualidade notória

A falta de qualidade do programa é tão evidente que é mal percebida. Explico: em geral, as coisas mais óbvias são as menos notadas. No caso do programa "capitaneado" por Jô Soares, a não-percepção se dá justamente por isso: a humanidade está pior e a juventude ainda pior que a humanidade. Então, um apresentador que fala sei lá quantas línguas, toca, dança e conta piadas é prato cheio para o apetite pseudo-cult de um seguimento da classe média, que nele vê um ícone da cultura geral. Já foi o tempo em que assistir ao Onze e Meia chegou a ser ritual. Mas isso era no SBT, o qual, com tudo de ruim que produz, parece sempre dar espaço para um contraponto. O que não acontece em hipótese alguma na Vênus Enferrujada. Só mesmo uma humanidade e, mais ainda, uma juventude relapsa, néscia e imbecilizada, vê futuro em postar-se à frente da telinha ouvindo plim-plim pior que blá, blá, blá.

Jô passou a fazer parte disso no momento em que assinou um contrato. Será puro acaso o fato de os primeiros momentos do programa serem dedicados a entrevistas insossas com "artistas globais"? Por mais incrível que possa parecer (aos outros), é perfeitamente possível simplesmente não se ver mais a Globo. E nem por isso ficaremos menos informados. E nem precisa ser via TV assinada, pois tanto no SBT como na TV Cultura um jornalismo dinâmico e envolvente está acontecendo.

É fantástico, um verdadeiro show da vida ouvir, entre uma notícia e outra, as tiradas geniais e bem-humoradas do Heródoto Barbeiro. Tanto como é triste e entediante acompanhar os comentários ensaiados a laquê dos apresentadores do Bom Dia Brasil (bom dia pra quem?). E sabem tanto sobre vinhos, tênis, ameixas azuis da China Meridional... Como dizemos aqui, no Nordeste (é, Nordeste), vixemaria, vôte!

Leo Mittaraquis

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