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FÓRUM SOCIAL MUNDIAL
Mais audácia e ação
Realmente, tudo o que se viu no 3º FSM não foi noticiado integralmente pela mídia brasileira. Perguntamos às pessoas que não foram a Porto Alegre e elas, na maioria, não sabem opinar sobre o assunto porque estão totalmente alheias ao que aconteceu na capital gaúcha durante o Fórum. Se estão alheias ao que aconteceu em Porto Alegre nesse período, estão mais alheias ainda ao que acontece na América Latina. Eu estive em Porto Alegre e vi a grande participação dos países vizinhos do Brasil, como Chile, Argentina, Paraguai, Uruguai. Devemos ser mais audaciosos e ativos, para, pelo menos, chamar a atenção dos brasileiros para a situação em que nos encontramos.
Rui Costa Pena, estudante de Jornalismo, UFPA
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TRAGÉDIA NO ESPAÇO
Desencontros imponderáveis
Um acontecimento como o acidente do ônibus espacial Columbia inevitavelmente traz à tona a (difícil) questão do jornalismo científico no Brasil. O artigo "O legado do Columbia", do Sr. Ulisses Capozzoli [ver remissão abaixo] aborda várias questões relacionadas a esse assunto ao criticar, em geral acertadamente, diversos pontos falhos na cobertura da imprensa sobre o caso. Contudo, em uma passagem, o Sr. Capozzoli afirma que o "pretenso" desencontro entre jornalistas e pesquisadores científicos é uma discussão falsa: a questão se resume à inteligibilidade, ou a sua ausência. Contudo este argumento não me parece muito acertado e um bom contra-exemplo pode ser tirado do próprio artigo em questão. Ao criticar, com razão, o uso da expressão "gravidade zero" o Sr. Capozzoli nos lembra que a força de gravidade da Terra nunca chega a zero em nenhum ponto do Universo e apresenta a explicação para a "ausência de peso" sentida no espaço.
Contudo a explicação apresentada pelo Sr. Capozzoli para a imponderabilidade (ausência da sensação de peso), ainda que não chegue ao absurdo da expressão "gravidade zero", está simplesmente errada! (Vide a explicação ao fim desta mensagem). Mais do que o erro em si, o que merece destaque é o fato de o Sr. Capozzoli ser mestre em Ciências pela USP, presidente da Associação Brasileira de Jornalismo Científico, além de editor da Scientific American Brasil, revista que, junto com Ciência Hoje e Pesquisa Fapesp, é um oásis no deserto do jornalismo científico brasileiro.
Se alguém com tamanha qualificação comete erros básicos na explicação de uma questão tão bem conhecida, não posso concordar que o problema entre pesquisadores e jornalistas científicos seja meramente de inteligibilidade, como defende o Sr. Capozzoli. Parece-me que os desencontros existem, sim, e são muito maiores do que aparentam. A explicação do Sr. Capozzoli está errada por dois motivos.
Em primeiro lugar, se o argumento de que a imponderabilidade é fruto do equilíbrio entre a força centrípeta e a "força centrífuga" (explicarei as aspas adiante) estivesse correto não deveria haver sensação de ausência de peso em uma queda livre, como no clássico exemplo dos passageiros de um elevador cujos cabos se partiram. Os passageiros em queda não estão submetidos a nenhuma "força centrífuga" ou força centrípeta, apenas à força gravitacional (seu peso) enquanto caem livremente. Mas ainda assim têm a sensação de ausência de peso.
No exemplo do avião numa turbulência, apresentado pelo Sr. Capozzoli, também não estão presentes as referidas forças. O que acontece é que, ao perder sustentação, o avião entra em queda livre por uma fração de segundo e é isso que gera a sensação de ausência de peso. Na verdade o que causa a imponderabilidade é o fato de estar-se em queda livre. Quando tudo ao seu redor (incluindo cada partícula de seu corpo) cai com a mesma aceleração, você simplesmente não sente a força responsável pela queda, no caso a gravidade!
Essa sensação de ausência de peso não pode ser facilmente sentida na Terra, pois a resistência do ar impede qualquer queda de ser realmente livre. Só podemos ter a sensação por uma fração de segundo, no início da queda, quando a resistência do ar ainda é muito pequena devido ao fato de que a velocidade da queda ainda é pequena. Além disso, temos que lembrar que a aproximação do solo não permite que a situação de imponderabilidade dure muito.
Em um veículo em órbita o que temos é uma queda livre eterna, pois, devido à curvatura da Terra e às características do movimento e da força gravitacional, o veículo "cai" sempre "além do horizonte" e nunca atinge a superfície do planeta.
Mas o fato de se ter uma órbita fechada não é essencial. Qualquer trajetória de queda livre fora da atmosfera resulta na sensação de ausência de peso. Esse era o caso dos primeiros astronautas americanos, que não chegaram a entrar em órbita e fizeram apenas vôos suborbitais. O mesmo se aplica às missões Apollo durante suas trajetórias Terra-Lua: não havia uma órbita fechada ao redor de um corpo celeste, mas sim uma longa queda livre.
É necessário também ressaltar, em nome do rigor, que imponderabilidade não significa ausência de peso, pois este, que é a força gravitacional da Terra sobre um corpo, continua presente. Imponderabilidade é a sensação de ausência de peso numa situação em que o peso não pode ser percebido (Imponderável = que não se pode pesar).
Mas e quanto ao equilíbrio entre "força centrífuga" e força centrípeta? Aí entra o segundo erro mencionado acima, a explicação para as aspas ao referir-me à "força centrífuga". A questão é que a "força centrífuga" não existe. Ela é o que se chama em física de força fictícia. O que existe é a inércia de todo corpo, que o leva a seguir uma trajetória reta e a velocidade constante quando nenhuma força atua sobre ele. Pela segunda lei de Newton, para que o corpo descreva uma curva é preciso que haja uma força que o desvie da trajetória reta. Essa força, que a cada instante aponta para o centro da curva, é chamada de centrípeta.
Se realmente houvesse uma "força centrífuga" que equilibrasse a força centrípeta a força resultante das duas forças seria zero, e o corpo seguiria uma trajetória reta, e não uma curva. A sensação que as pessoas têm numa curva da estrada da "existência" de uma "força centrífuga" é a ilusão criada pela necessidade de se apoiar ou segurar em algo para não "passar reto" na curva.
As forças fictícias são um tópico muito interessante da física, pois, assim como a força gravitacional tais forças dependem apenas da massa dos corpos sobre os quais atuam e não da composição destes. Essa semelhança termina por levar à Teoria da Relatividade Geral de Einstein, mas isso, obviamente, foge ao escopo de uma simples mensagem como esta que, a propósito, já se alonga demais.
Randall Guedes Teixeira
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