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JORNALISMO FEMININO
A verdadeira mulher brasileira

Parabéns, imprensa é respeito, dignidade, inteligência e tudo de bom! Vocês conseguiram mostrar realmente o que esperamos da nossa primeira-dama, que ela represente a verdadeira mulher brasileira, batalhadora, simples e realista.

Silvia Solange

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BAIXARIA NA TV
Laboratórios humanos

Quando se diz que os reality shows vieram para ficar lembro que filmes como O show de Truman já preconizavam a vinda desses "laboratórios humanos" para a programação da TV. Na época da estréia, muitos críticos arriscaram o palpite de que o filme criticava a manipulação da mídia. Não percebi comentários que fossem além dessa análise. E olha que boas dicas do que seria o fenômeno, ou melhor, a catástrofe dos reality shows, não faltaram.

Podemos entender como a própria televisão nos avisou a respeito disso retornando aos programas de auditório: a velha e recauchutada "pegadinha". Parte-se do princípio de que o público se diverte diante do inesperado, quanto maior a intensidade da reação – ou melhor, quanto maior o papel de bobo – maior satisfação do público, e conseqüentemente, um aumento dos pontos de audiência.

A televisão não abriu mão desses programas, e sim os intensificou. No seu rastro vieram Cidade Alerta, Ratinho, Leão e o zoológico inteiro, para a infelicidade da TV brasileira. Imagens estrategicamente pensadas e editadas para que fizessem do "mundo cão" o maior aliado na busca pela audiência. Atendendo à normas das emissoras, ratinhos e leões amenizaram na dose de aberrações, mas não demorou muito e Márcias expuseram a "vida como ela é". Com direito a repetir, para quem quisesse ouvir: "Se mexeu com você, mexeu comigo."

Além de utilizarem os problemas humanos como carro-chefe, os programas legitimam a forma na medida em que produzem no público a sensação de que "não importa o ridículo porque eles resolvem mesmo" – mais uma vez os fins justificam os meios. O mais impressionante é como fazem questão de deixar claro que as pessoas não passam de cobaias do "grande laboratório humano". Como exemplo, cito a cena em que a apresentadora do Hora da Verdade, Márcia Goldschimidt, tenta entrar em contato com a família dos pais do bebê que foi arremessado contra o pára-brisa de uma Blazer após um acidente. Ela faz um discurso do tipo "que horror, isso é um absurdo", e chama pela "fonte". Não estabelecendo contato, diz com uma naturalidade de mestre: "Enquanto não resolvemos o problema de comunicação vamos falar do hidratante elle e ella."

Depois disso, não dá para dizer que não fomos avisados sobre a vinda do furacão reality show. Show de Truman apontava uma saída mercadológica para TVs em crise. A receita do sucesso foi apresentada diretamente de Hollywood para os brasileiros e quem mais quisesse saber. O negócio não vai parar, pois se "tem platéia, tem palhaço". A solução seria, sem nenhuma demagogia, investir em profissionais criativos. Não adianta dizer que esses programas têm que ser substituídos por outros educativos se esses últimos não agradarem ao público. A programação tem de ter qualidade e rentabilidade. Eu acredito que temos potencial para tanto, mas não descobrimos argumentos suficientes para mudar a lógica dos donos das emissoras. É justamente esse o ponto de partida: como convencê-los de que a audiência pode ser conseguida de uma forma muito mais digna.

As respostas são várias e muitas levam a caminhos experimentais. Quem vai querer arriscar? Trocar o certo pelo duvidoso? Quem seria o louco? Não se mexe em time que está ganhando. Pois é, o arsenal de frases prontas é grande e persiste há décadas só para confrontar com as propostas de mudanças. Concordo com Millôr, mas acho que se permite o trocadilho: hoje é preciso ser ninguém para ser alguém.

Mariana Rocha, Belo Horizonte

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A TARDE
Sudeste também tem coronel

Com relação ao artigo do jornalista Chico Bruno, "A Tarde, mudanças no maior jornal do Nordeste" [ver remissão abaixo]: constrangedor, e é essa minha pretensão discutir, o velho preconceito quando se refere a qualquer eventualidade relacionada ao Norte-Nordeste.

Termos como coronelismo, oligarquias, crime de mando etc. são apanágio dessa região. Infame! O eixo Rio-São Paulo vivencia a mesma situação referente aos termos citados anteriormente, mas tem um vocabulário próprio para os seus desmazelos. Revistas e jornais de renome nacional (O Globo, Veja) sempre foram e ainda são dominados por oligarquias político-eletrônicas. Em termos de coronelato, só para citar paulistas, coronel Maluf e coronel Quércia continuam dando um banho nos coronéis mais antigos, com sua roupagem e linguagem de modernidade. Com relação a crimes de mando, o eixo Rio-São Paulo dá show (vide manchetes recentes).

Seria conveniente explicitar se concessões de veículos de comunicação, historicamente obedeceram a critérios diferenciados, ou seja, para cidades da Região Norte-Nordeste, liberação para coronéis da política, enquanto para cidades do Sul-Sudeste, liberação para grupos de jornalistas independentes.

Qualquer mudança que signifique melhoria redacional, incremento do senso crítico, validação do contraditório (como acontece no OI) será sempre bem-vinda. Com certeza, críticas devem ser feitas, mas sem conotação regional.

Alair Castro, médico, Itabuna, BA

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