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PROBLEMA TÉCNICO
Volte, Boletim do OI
Caros responsáveis pela divulgação online do Observatório da Imprensa, estou escrevendo para pedir que vocês continuem a enviar para este meu e-mail aqueles tópicos semanais sobre as edições do Observatório. Eu adorava quando às terças, após o meio-dia – na verdade, cadastrei-me e passei a recebê-los somente a partir deste ano – abria o meu e-mail e lia aqueles interessantes artigos do OI. Mas sem que nem pra que vocês pararam de mandar. Há três semanas, nadica de nada. Será que vocês enjoaram do meu e-mail? Inclusive, na semana passada, fiz novo cadastramento e nada. Rogo pelo que há de mais ético e sagrado nesta terra para que vocês voltem com aqueles boletins tão fundamentais para minha vida. Por favor. Um grande abraço para toda a equipe que faz este importante instrumental de crítica.
Raimundo de Santana
Nota do OI: Caro Raimundo, seu e-mail continua devidamente cadastrado no banco de dados do Observatório da Imprensa. A questão é que estamos com um problema técnico de servidor e, enquanto não for resolvido, infelizmente não será possível enviar os boletins. Mas a equipe de web já está mobilizada para fazer com que a entrega dos boletins volte à ativa. Obrigada pela preocupação e pela participação. Um abraço, (Beatriz Singer)
CINEMATECA DO MAM
Extinção não mobiliza a mídia
Como conseqüência de uma série de desmandos (federais, estaduais, da própria instituição), a Cinemateca do MAM, principal centro para a pesquisa de cinema no Rio de Janeiro e marco na história cultural da cidade, está prestes a fechar as portas. Os filmes iriam para a Cinemateca Brasileira, em São Paulo; o destino do resto do acervo ainda é incerto. É um duro golpe para a pesquisa de cinema ora em desenvolvimento no Rio e para a já indigente cinefilia alternativa.
Ante o prenúncio de mais essa grave lacuna no panorama cultural da cidade, esboça-se a reação, bem-vinda mas um tanto tardia, de alguns setores, com uma grande lista correndo pela internet <http://207.159.134.82/cgi-bin/miva/cinemateca/cinemateca.hts> e gestões feitas a órgãos e autoridades.
Ao contrário da gritaria que se verificou, por exemplo, quando da promulgação da lei que taxa em 3% a importação de programas pelas TVs a cabo, a imprensa mantém um quase- silêncio sobre o assunto, revelando o quanto a propagação de um ideário dito neoliberal pela mídia brasileira encontra nos cadernos culturais a sua mais conformada – e mais nociva – manifestação. Que por vezes se transmuta em mera omissão.
Maurício Medeiros
DENÚNCIA NO RN
Repórter flagra maracutaia
Sou estudante de Jornalismo e atuo como repórter em Natal. Seguindo uma denúncia feita por telefone, consegui me infiltrar numa reunião de representantes de construtoras civis, onde assisti a um sorteio de obras do governo do estado (cujos organizadores, representantes de empresas tradicionais do RN, utilizaram-se de copinhos descartáveis com papeizinhos com o nome das empresas postulantes para dividir o "bolo" de obras, o que constitui fraude).
Com a descrição das obras, identifiquei-as e conferi que o processo de licitação estava aberto. Fiz o que na hora achei de dever. Denunciei à Promotoria de Defesa do Patrimônio Público e de Combate à Sonegação Fiscal do Rio Grande do Norte. Os promotores aguardaram o resultado, que saiu 21 dias depois publicado no Diário Oficial do Estado do Rio Grande do Norte, confirmando: das quatro obras descritas como vencedoras no depoimento, três haviam vencido as licitações e uma das vencedoras não enviou proposta.
Busca e apreensão nas empresas envolvidas, Tribunal de Justiça devolvendo provas contundentes, e, enfim, o caso está na Procuradoria da República do estado, que na metade de abril começou a apurá-lo. Isso tudo de março deste ano até agora.
Pergunto: nacionalmente, o caso deve permanecer obscuro até que terminem as investigações? Essa denúncia poderá prejudicar minha carreira como jornalista? Tenho 23 anos e assino Alex Viana em O Jornal de Hoje (Natal)
Alex Viana
FOTO CHOCANTE
Imprensa pouco responsável
Na página 2 da edição de sábado dia 1º/6 do Correio Braziliense, no espaço destinado à "foto do dia", que ocupa quase meia página, o jornal publicou a foto de um adulto "desequilibrado" agachado e agarrado a um garoto (em total desespero), de 4 anos. O sujeito tinha um furador de gelo encostado nas costas do garoto. O texto-legenda dizia mais ou menos o seguinte: "A brutalidade desta cena foi muito além disso. Na frente de câmaras de TV, "fulano de tal", aparentemente drogado, tirou um garoto das mãos de seu pai e sem sequer usar o menino como escudo (como se previa) deu várias estocadas no garoto até matá-lo, depois foi morto pela polícia."
Acho até que poderia ser dada uma nota sobre o caso. Afinal ele aconteceu. Mas uma foto enorme, com uma legenda como esta, é intragável. É o mais puro sensacionalismo. Ressalte-se que os dois, adulto e menino, ocupam praticamente todo o quadro da foto, e a cara de desespero e pânico do garotinho, que chorava olhando para o fotógrafo, ou para alguém a seu lado, é indescritível. Aliás, este é outro ponto, além da discussão sobre a conveniência da publicação da notícia na forma como o jornal a fez: como alguém, no caso o fotógrafo, pôde ficar imune a uma cena como esta e privilegiar seu trabalho em vez de defender a vítima, por mais difícil que fosse a situação?
Acho mais fácil outro desajustado ver em tal atitude uma oportunidade de aparecer, repetindo o "feito", do que impedir-se que fatos como este voltem a acontecer. No sou o primeiro a propor esta discussão, muitos já o fizeram antes. Mas a publicação de certas notícias no podem passar em branco. A imprensa serve para informar, óbvio. Mas até que ponto alguns fatos merecem ser publicados, principalmente com fotos e/ou textos to chocantes como o aqui comentado? Disfarçar, mostrando a foto do antes, mas descrever em texto o depois, foi o mesmo que mostrar a cena inteira.
Em que a publicação de uma foto como esta pode colaborar com o conhecimento e o melhoramento humano (a meu ver, como jornalista que sou, um dos principais aspectos de nossa profissão). Qual benefício se pode tirar daí? Denunciar a violência do mundo?
Em protesto, não passei da segunda página do jornal. Estou com o estômago embrulhado até agora, seis horas depois. E mais chateado ainda, por ter visto a foto em um jornal que vem inovando o conceito de imprensa, diria, com qualidade e critério.
Esta crítica vai para o Correio Braziliense. Não sei quantos outros veículos mostraram o assunto, nem quero saber. Não leio mais jornais hoje.
Aprigio Nogueira
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