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MÍDIA NA COPA
O sagrado direito de escolha
Nesta Copa do Mundo, as transmissões pela televisão aberta, rádio e TV a cabo, somente Globo, Sportv e Rádio Globo, apenas emissoras do Sistema Globo, estão transmitindo os jogos da copa do mundo. Essa situação deixa os telespectadores não-assinantes Net ou Sky e ouvintes de rádio apenas com uma opção, gostando ou não das transmissões da Rede Globo.
Pelo que sei a Globo ofereceu os direitos a outras emissoras, o que não foi aceito por nenhuma por motivos financeiros. Cogitou-se que Globo codificaria os sinais de parabólicas convencionais durante as transmissões, deixando milhões de pessoas no Brasil sem ver os jogos, o que não foi permitido pelo governo.
O jornalista José Trajano (ESPN Brasil), respondendo a pergunta de um assinante, sobre exclusividade e falta do direito de escolha do telespectador, disse que na Alemanha apenas duas emissoras públicas estão transmitindo os jogos. Em 1982, a Globo também tinha exclusividade, mas TVE e TV Cultura transmitiram os jogos como alternativa.
Em eventos de grande porte e com grande apelo popular, como Copa do Mundo, Olimpíadas, Campeonato Brasileiro e outros, não deveria ser obrigatória, por lei, a existência de uma alternativa, para que o público possa exercer o direito sagrado de escolha?
Rogério Machado Lima
Futebol manipulado
O maior problema: o descrédito que vem de um futebol aparentemente (aos olhos de cá) manipulado por patrocinadores e interesses não claros aos quais os órgãos de transmissão também aparentemente (aos olhos de cá) têm de se submeter. É hora de repensar e de fazer os patrocinadores e outros interessados verem se eles mesmos não estão matando sua própria fonte de renda.
Cláudio Santiago
Escândalo revisitado
No programa Terceiro Tempo, da Record, o ex-técnico da Seleção Vanderlei Luxemburgo discutia com um jornalista no estúdio, dizendo-se vítima de um "massacre" da imprensa que, segundo ele, teria sido a única responsável por sua queda do posto.
O assunto Vanderlei é velho mas, em tempos de Copa, quando todos os microfones estão virados para este Felipão e sua turma, pode render alguma coisa. Terceiro Tempo é o sucessor do SuperTécnico, uma mesa-redonda dominical que Milton Neves apresentava na Bandeirantes, reunindo os treinadores para uma rasgação de seda recíproca, tudo no maior corporativismo.
Bernardo
de Mello Franco, estudante de Jornalismo
da ECO-UFRJ
O meu, o seu, o nosso
A exclusividade da Globo para a transmissão dos jogos da Copa é conseqüência do fato de ela ter sido vitoriosa em uma concorrência internacional, na qual os demais grupos nacionais se desinteressaram face aos altos valores em jogo. Cremos ser óbvio, também, que a Globo somente se saiu vitoriosa porque ela estava escorada na subvenção do governo federal – via BNDES – para sanear as dificuldades financeiras do grupo.
Por conseguinte, o prejuízo final, já confessado, da operação foi bancado pelo meu, o seu, o nosso bolso. Naturalmente, o mérito e os seus louros são de exclusividade do grupo da família Marinho.
Amaury Borges
Dedo na ferida
Parabéns pela matéria: colocou o dedo na ferida, coisa cada vez mais rara na mídia.
Francisco Muniz, Rio de Janeiro
Tudo dentro da lei
Caro Dines, primeiramente saiba que sou seu fã incondicional. Mas lendo o seu texto "As verdades no caneco", fiquei com a impressão de que a Globo agiu de forma ilegal ao comprar os direitos de transmissão da Copa. A Globo não tem culpa se somente ela conseguiu quantia suficiente para adquirir os direitos de transmissão. Se eles têm bastante dinheiro, deve ser por causa de sua competência. Quanto ao futebol, bom, este é um produto sim – um fato irremediável – assim como qualquer esporte, seja basquete, tênis, automobilismo, vôlei etc. Qualquer um que tenha o mínimo de apelo ao público. Como a Fifa é a entidade máxima do futebol, é natural que só ela possa vender os direitos, por mais que isso contrarie a teoria do mercado livre, do unilateralismo jornalístico etc. Isto acontece com o futebol, afinal é o esporte mais popular do mundo, mas poderia acontecer com qualquer outro, com qualquer federação.
E de que forma você puniria a Fifa ou a Globo, já que, em princípio, eles agiram dentro da lei? Uma empresa quer vender um produto (futebol) e procura compradores. Mas somente um se dispôs a comprá-lo (Globo). Que culpa tem a Fifa? Que culpa tem o grupo nacional?
Andre Dexheimer
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As verdades no caneco – Alberto Dines
Vale o que diz Galvão
Nesse negócio de espinafrar o Brasil ocorre que, como notou Alberto Dines na TV, só tem a Globo transmitindo, e o que fica é a interpretação das jogadas feita pelos "homi" dos Marinhos; não há diversidade de opiniões, vale o que disseram o Galvão Bueno et caterva. Para piorar, ninguém se dá ao trabalho de entrar nos "sites" de jornais de fora e conferir. Eu dei uma passada d'olhos pelo L'Equipe e o Le Monde, da França – nossos inimigos, né? –, e só vi elogios ao time do Brasil, nenhum toque depreciativo ao juiz e muito menos que o pênalti não existiu. O que o L'Equipe comentou é que a encenação do Rivaldo foi totalmente desnecessária; e mais nada. E olhe que a França deveria ter o maior interesse em prejudicar a equipe brasileira.
José Maria Leitão
Duas mancadas
Algumas considerações sobre o artigo a respeito da cobertura da Copa. Entendo e concordo com muito do dito pela articulista, mas ao chamar as estatísticas da Folha como de "coisinha esquecida chamada apuração" aplicou a duas coisas diferentes grandezas semelhantes. A estatística diz: "O ataque foi melhor até do que o da Alemanha." Confesso minha perplexidade, uma vez que o objetivo do jogo é fazer gols. Nosso ataque fez um e precisou de uma ajuda para fazer o outro, como podemos ter sido melhores do que uma seleção que fez oito? Perdemos muitos gols, criados de formas muito diferentes entre si, enquanto os alemães fizeram seus gols em cruzamentos, bolas aéreas, o tradicional jogo aéreo de lances muito parecidos uns com os outros.
E isso não é um fenômeno desta Copa: sempre tivemos um ataque mais criativo que o deles. Simplesmente jogar números com uma interpretação muito sucinta, no limite do forçado, é enganoso, especialmente em futebol, quando se pode analisar uma ficha ou uma súmula de partida em que um time fez 3 a 0 no outro mesmo sendo inferior a maior parte do tempo (e isso é bastante plausível...).
E por último, apenas para que seja corrigido ainda em tempo hábil um equívoco cometido pela autora. Certamente por haver citado a Nigéria antes, na partida contra a Argentina, ela deve ter se confundido e mencionou novamente os nigerianos ao tratar do adversário da França (Senegal), como demonstra o seguinte trecho:
"A França que o diga: o diário Libération deu com destaque matéria da Reuters sobre a queda na Bolsa de Paris, logo após o fracasso diante da Nigéria, das ações da TF1, a emissora francesa que detém os direitos de transmissão das partidas. Isso é que é ângulo inédito em cobertura de Copa!"
Carlos André Moreira
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