12/08/2003

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Edição de Marinilda Carvalho

Alguns pensamentos desta edição:

** Quantas vezes assistimos a notícias totalmente deturpadas sobre determinado fato, que nos causa indignação e revolta? (Ricardo Pereira)

** Lamentavelmente, grande parcela da população de nosso país (acredito que da humanidade) não tem como característica criticar a informação que recebe, seja de quem for. A absorve como fast-food. (Carlos Aguiar)

** Só quem é dono de jornal tem poder de fazer jornalismo, se este for o seu objetivo. (Benjamin Ribeiro)

** Como estudante do último ano de Jornalismo, acredito que os nossos dias estão contados. (Jailde Barreto)

O leitor do Observatório anda abalado...

Ânimo, amigos! Façam como o João Thiago Cunha: "O bom jornalismo, como se fazia na época dos repórteres americanos do Washington Post, ainda não voltou. Mas voltará. Eu creio."

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Nota da Redação: O Observatório da Imprensa não publica mensagens assinadas com pseudônimo ou iniciais. E se reserva o direito de solicitar ao remetente o número de seu telefone para eventuais checagens de informação. Cartas só serão acolhidas quando claramente identificada sua autoria.

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A NOVA GENI
Visível responsável

O x da questão é que quando a imprensa erra, erra por despreparo, falta de senso ético e má-interpretação dos fatos (má no sentido escolar mesmo, como um aluno que interpretou equivocadamente o tema proposto e segue sem responsabilidade, porque vai arranjar uma cola ou porque alguém lhe ensinou o "macete" da fórmula). Pior é quando não erra mas é mal-intencionada; parece-me que é essa imprensa que está na mira.

Quando um repórter se aventura numa cobertura do MST, por exemplo, ele está exposto ao mesmo perigo que aquelas pessoas à margem da sociedade se expõem, ao mesmo tempo em que, no reverso da moeda, representam uma ameaça ao movimento, porque "a quem estariam aqueles repórteres representando?" Quantas vezes assistimos a notícias totalmente deturpadas sobre determinado fato, que nos causa indignação e revolta? (Quem não presenciou um fato qualquer que depois foi mostrado distorcido na notícia, pelo poder econômico dos conglomerados de informação?)

Por isso acho que a imprensa continuará sendo a nova Geni, porque não há maneira de separar joio e trigo com mil câmeras e microfones na cara, nem saber quem está empunhando a "pena". Mas ela agora tem uma oportunidade única de e por causa disso, arrumar a casa, limpar a cozinha, redirecionar seu papel social. A despeito dos outros segmentos citados no texto, a tarefa de trazer transparência à imprensa cabe potencialmente à própria imprensa, sob a conseqüência de ocorrerem mais tragédias como essa, em que o caos foi o mais visível responsável.

Ricardo Pereira

 

Da denúncia à incitação

Aqui em Criciúma, SC, o jornal Tribuna do Dia <http://www.tribunadodia.com.br>, fez uma serie de reportagens que denunciam a violência em bairros da cidade. Algumas pessoas nestes bairros foram proibidas de falar com a imprensa e, ainda por cima, autoridades locais (promotoria) estão culpando a imprensa pela onda de violência e dizendo que o referido jornal vai ser processado pelo Ministério Público por incitação. É nessas horas que eu realmente me preocupo sobre o rumo que o nosso pais está tomando.

André Abreu

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A culpa é sempre da mídia – Alberto Dines

 

Anabolizante ideológico

O título no alto da página ("Como sempre, a culpa é do mensageiro") seria emblemático e digno de pena ao "carteiro" se realmente a realidade fosse essa – a do mensageiro ser apenas o portador das notícias. No caso de alguns jornalistas da imprensa brasileira não é, sabemos disso. Poderia até citá-los, mas deixo para outra oportunidade. A instituição imprensa no Brasil é participante-responsável das mudanças substanciais ocorridas no país nos últimos anos. E isso é tradicional. Apenas nos momentos em que as ditaduras de triste memória se implantaram é que tivemos um hiato informativo, mas que não levou muito tempo, pois a cada brechinha conquistada dos tacões truculentos da censura lá estavam abnegados senhores e senhoras da informação a trazer aos brasileiros o que se passava pelos porões do país.

Poderíamos fazer aqui uma inacabada lista de homens e mulheres que literalmente (sem trocadilhos) deram seu sangue pela divulgação das notícias. Graças a esses "heróis" o país mudou, e amadureceu. Contudo, diversos jornalistas não são apenas os divulgadores da notícia, como se pensa. São condutores, ou seja, como taxistas às avessas, decidem aonde querem levar seu passageiro. Com todo o respeito que merece a instituição, por seu papel histórico, alguns profissionais estão usando a ideologia como forma de conduzir os desígnios do Estado, movidos por não se sabe o que (ou será que sabemos?).

Apenas para ficarmos nos últimos governos, Sarney, Collor, Itamar e Fernando Henrique não sofreram tanta pressão da imprensa durante os mandatos como Lula, agora, apenas em seis meses de governo. Não quero usar esse espaço para desfraldar uma bandeira lulista e declarar meu voto, mas é preciso entender o que está ocorrendo. Apenas nos piores momentos do governo Collor é que se viu um bombardeio feroz contra aquilo que já era inevitável.

Luiz Weis coloca em seu artigo que a imprensa junta todos os aspectos da conjuntura num único balaio, e eu ainda ressalto que isso é feito sem análise crítica séria, como se fosse estabelecido um pacto, em que todas as opiniões devam ser canalizadas para mostrar o que ocorre sob uma ótica negativa. Dou razão a Frei Betto sim, quando fala em hipertrofia da mídia, pois as matérias divulgadas sofrem uma injeção de anabolizantes ideológicos, de tal natureza, que o estrago feito mais adiante se torna muito difícil de recuperar.

A pertinência deveria ser a palavra-chave nas matérias, ao se propor a divulgar um assunto na mídia, de forma a evitar o estado de ejaculação precoce a que estão submetidas as redações. A situação de quebra do Estado que está sendo imputada por essa imprensa a Lula não é de agora. Há muito tempo que a governabilidade da nação está prejudicada, por tudo o que foi historicamente agregado por aqueles governos. Talvez a prudência tenha sido deixada de lado por se perceber que agora serão realmente mexidos interesses antes intocáveis. Basta ver quem está "esperneando". Então, surge uma pergunta: será que a imprensa, ou esses jornalistas, que representam uma instituição de histórias combativas e guerreiras em nosso país, se prestarão ao papel de fantoches desses interesses?

Nós, que respeitamos as tradições dessa instituição, esperamos que não, que tudo não passe de um mal-entendido. Ou uma má condução.

Alexandre Carlos Aguiar, biólogo, Florianópolis

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Como sempre, a culpa é do mensageiro – Luiz Weis

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