JORNAL NACIONAL
Contra a fast-food
Grande jornalista Claudia Rodrigues, você conseguiu sintetizar em algumas boas (boas não, ótimas!) palavras aquilo que nos angustia enquanto telespectadores: o fato de sermos bombardeados por informações vindas de todos os lados (diga-se canais) na telinha. O que se traveste de mera informação não passa de tentativa de induzir o coletivo dos assíduos olhares e ouvidos à TV a um pensamento do que é pautado nas redações desses telejornais. Redações que defendem interesses "esquisitos", como você bem disse, e eu acrescentaria "nefastos". Lamentavelmente, grande parcela da população de nosso país (acredito que da humanidade) não tem como característica criticar a informação que recebe, seja de quem for. A absorve como fast-food. Gosta do sabor, que convenhamos é delicioso, e ainda transmite aos outros como um "remédio" para aplacar a fome. Pouco sabendo que por trás de suas gorduras está o mal que decretará sua morte. Assim é a relação mídia-consumidor de mídia.
Na edição passada do Observatório da Imprensa na TV vejo uma enquete propondo se a imprensa é bode expiatório ou não. Digo que as críticas feitas a ela (imprensa) vêm daqueles que não se deixam enganar por jornalistas de faces hollywoodianas, ou bem versados no português. Há os que criticam, e criticam com veemência, por entender que o papel da imprensa é o de bem-informar e propor a análise crítica. Não o de deformar. Porque, felizmente, ainda há os que são adeptos da boa comida.
Carlos Aguiar
Buscando ar puro
Texto primoroso e desalentador. Quem sabe algum telejornal consiga fazer sua autocrítica ao ler isso? Quem sabe o Heródoto e Cia. tenham um pouco de bom senso e admitam o que está expresso nas palavras da Cláudia e, então, possamos respirar ar puro na TV brasileira.
Ismael Freitas
Mal necessário
Concordo em gênero, número e grau, principalmente no trecho que diz que um dos motivos do desemprego é "a obsessão pelo excesso de lucro, sempre usado para aumentar a produção e o faturamento, com a velha desculpa de que isso gera empregos". Só para ilustrar, eu tinha um bom emprego num banco que foi absorvido por outro, maior, e esse banco maior demitiu quase todos os sete mil e tantos funcionários do antigo banco, e recentemente anuncia lucro de quase um bilhão e meio de reais no trimestre!
Qual o motivo, segundo a diretoria? Estamos num sistema capitalista, em que os acionistas precisam de mais e mais lucro e o emprego, ora, o emprego é um mal necessário. Afinal para nossas empresas, a pessoa não é o fim, e sim um meio de se atingir um fim; assim, é algo menor.
Alexandre Soares Cavassin, Curitiba
A PM sugere
Acredito que estamos diante de uma oportunidade impar de discutir como deve realmente ser o relacionamento entre a PM e a imprensa. Acho que é o momento de união de forças, no combate ao crime. Muitas vezes a PM tem informações valiosas ou é a imprensa que tem. Estamos no momento de esquecermos um pouco as vendas, os lucros e pensarmos juntos em conseguir melhorar a qualidade de vida de nosso povo. Poderíamos, como sugestão reunir assessores de imprensa da PM e jornalistas dos principais jornais do Brasil para um debate amplo e objetivo.
Gedir Christian Rocha, capitão PM,
assessor de imprensa da PM de Minas Gerais
Arma de poder
Acredito que o historiador e o jornalista poderiam fazer uma excelente parceria nessa questão. O primeiro, pela capacidade de contextualização, de pegar um fato atual e analisá-lo historicamente, fazendo com que o jornalista possa realizar uma abordagem mais abrangente da questão, fugindo de superficialidades generalizantes, que é a verdadeira arma de quem está de posse dos "poderes" dominantes.
Anna Jansen
Leia também
Sempre de acordo – Cláudia Rodrigues