GAZETA MERCANTIL
Empresários dispensáveis
De fato, a agonia da Gazeta Mercantil não se insere na crise geral que atinge o mercado brasileiro de comunicação. Ela não tem origem na queda do volume de publicidade na mídia ou em endividamentos em moeda forte. A Gazeta – e sobretudo seus funcionários, ex-funcionários e credores em geral – são vítimas da mais profunda incompetência administrativa do Sr. Luiz Fernando Levy. Megalômano, equivocado, mal-assessorado e perdulário deixou seu império, formado pela mais pura nata do jornalismo econômico brasileiro, se transformar numa republiqueta de quinta categoria.
Hoje a Gazeta é um jornal risível, incompleto, mais preocupado em fazer publicidade do que jornalismo. Sem crédito na praça, vive de caça-níqueis, de inventar "projetos" a serem vendidos a esta ou aquela empresa na tentativa de levantar algum dinheiro que raramente vai para a conta dos funcionários. Para não pagar o que deve – e ele deve muito a muitos – Levy e seus diretores lançam mão dos argumentos os mais patéticos, infantis e pouco sérios: dizem que vão pagar salários num determinado dia e, na data anunciada, nada acontece. A mentira é o argumento. Levy deve salários (alguns referentes a 2001), 13º e verbas rescisórias. Os depósitos nas contas do FGTS dos funcionários são absolutamente irregulares e incompatíveis com o tempo de trabalho. Não raro, há descontinuidade nos planos de assistência médica.
Mesmo assim, os jornalistas e demais funcionários da casa, na esperança de um dia receber o que lhes é devido, mantêm o título vivo, mesmo sem receber salários. Se param, o título morre. Se continuam, trabalham de graça. Uma armadilha humilhante. No fundo, o arresto da marca Gazeta Mercantil pela associação transformou-se em algo muito cômodo para Levy: mau patrão, lava as mãos e deixa aos funcionários a difícil tarefa de manter sua empresa viva, uma empresa financiada por salários não pagos e/ou negligenciados de funcionários explorados ao limite. Cômodo e fácil demais para quem se diz empresário, para quem deveria dar exemplos.
O Brasil não precisa desse tipo de empresário. Precisa, sim, de homens competentes, conscientes de seu papel social, que gerem emprego. E não só isso. Que gerem empregos e paguem salários. Há muitos exemplos a serem seguidos. Basta olhar a realidade e não viver alienado num mundo de quimeras, de mentiras, onde a adulação é a moeda de troca. Hoje, os credores da GZM vivem a mais perversa das incertezas. Eles sabem que mesmo uma vitória na Justiça (e as ações contra Levy se multiplicam) em nada garante o recebimento de seus atrasados. Levy também não respeita acordos judiciais.
Carlos Oliveira, jornalista, ex-editor
sênior e credor da Gazeta Mercantil
Chato, muito chato
Absolutamente incompreensível este suposto pauperismo da Gazeta Mercantil. Principalmente em tempos de financialização da economia, das donas de casa, dos intelectuais, dos executivos e demais trabalhadores que nada têm a ver com a economia, a não ser o recebimento (ou, melhor, não-recebimento) de salários... Quero crer que a maioria de seus assinantes só a tinha por status, enquanto o bolso deles agüentava. Por outro lado, leitores gatos pingados em altos escalões do governo ou da universidade jamais formariam volume apreciável de arrecadação. Quanto à publicação de balanços aliada a quase zero anunciantes, não sei nem se dá nem para pagar a conta telefônica da empresa. No que se refere a apresentação, diagramação, conteúdo e clareza – convenhamos, colega – a Gazeta Mercantil foi e continua sendo sempre um jornal chato, muito chato... Que tal um novo projeto editorial?
Moisés Mishel Levy, professor de Jornalismo
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