12/08/2003 6/10

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RUMOS DO JORNALISMO
Saber, diploma e cartório

A questão do diploma continua na berlinda e vai permanecer até que haja possibilidades no país de se trabalhar fora da tutela do Estado. A Folha, tão criticada, não exigia diploma, mas fazia o que se faz no mundo democrático. Submetia o candidato a um verdadeiro vestibular, avaliava a capacidade técnica e intelectual e depois o submetia a uma série de entrevistas com figuras diferentes, nas quais os mais variados temas eram abordados. Teatro, cinema, literatura, política internacional, política nacional. Enfim, investigavam se havia algo mais que cabelos na cabeça que se propunha ser jornalista. Comigo foi assim: só depois de aprovado é que quiseram verificar se o que eu havia colocado na ficha de inscrição correspondia à verdade. Acabaram exigindo o registro de jornalista. Felizmente eu tinha. Anos depois verifiquei que na Universidade de Cambridge, na Inglaterra, onde passei uma temporada, faz-se a mesma coisa. Há muitos jovens que saem da Alemanha sem terminar a graduação, vão a Cambridge, fazem aplicações e entram direto no mestrado.

Se você sabe, não é possível ignorar isso, como aprendeu não interessa, não é possível haver fraude nessa questão, ou sabe ou não sabe. A Finlândia, famosa pela excelência de sua arquitetura, terra dos mestres Alvaar Aalto e Eero Saarinen entre outros, pasmem, não exige diploma de arquitetura. Você projeta uma casa ou um edifício e apresenta o projeto à prefeitura. Se estiver dentro das normas exigidas e passar pelo exame (exigente) da equipe técnica do município, é aprovado e fim de papo. As exigências para a aprovação impedem que um leigo consiga sucesso. Por essa razão, quem decide trabalhar com arquitetura procura uma escola para aprender. Se preferir, pode estudar por conta própria, caminho possível porém árduo. Nada é capaz de substituir um bom professor. Aliás, um dos maiores arquitetos do mundo, o japonês Tadao Ando, nunca pisou numa sala de aula para estudar arquitetura, só para ensinar. Na juventude, resolveu ser arquiteto e, em vez de procurar uma escola, pegou um bloco de papel canson, muitos pedaços de crayon e saiu pelo mundo estudando os grandes mestres.

Praticamente redesenhou todas as obras que contam a partir da Grécia. Viveu na França, na Itália, na Alemanha, onde estudou a obra de Mies van der Rohe, e de outros mestres da Bauhaus. Redesenhou cada detalhe de Ronchamps, barroca, porém única, uma das muitas obras-primas de Le Corbusier. Passou os olhos pelos trabalhos de Niemeyer, onde se deteve longamente e apreendeu, enfim, embebedou-se dos mestres. Enquanto desenhava e incorporava a arte da beleza e da harmonia de formas que permeia a boa arquitetura, ganhava a vida como pugilista profissional, dando e levando socos sobre os ringues dos lugares onde viveu. Como é dual a alma humana! Depois de 20 anos voltou ao Japão, abriu um escritório e a partir daí ficou conhecido mundialmente como um dos maiores criadores do século 20. Seus projetos limpos, secos, diretos são um convite à reflexão e uma amostra das possibilidades criativas do homem. Ele é de fato um mestre. Ainda bem que não nasceu no Brasil, terra de cartórios.

Sidney Borges

 

Sem espaço

E nós, estudantes do último ano de Jornalismo? O que fazemos para mostrar à mídia nossos talentos e capacidades de sermos profissionais, de sermos jornalistas? Como estudante do último ano de Jornalismo, acredito que os nossos dias estão contados. Mesmo que alguns não concordem, o espaço para aqueles que sempre quiseram atuar em veículo de comunicação será mesmo a assessoria de imprensa.

Jailde Barreto, Mogi das Cruzes

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MÍDIA & SAÚDE
Arrastão na sociedade

Prezado Domingues, obrigada por seu texto. Destrincha todo o arsenal de besteiras da matéria. Realmente é irritante. Mas parece que você, eu e outros que vêem o ser humano sob um ponto de vista que não o cartesiano, mercantil, é que estamos completamente à margem da sociedade. Ontem escutei uma chamada de telejornal que anunciava uma matéria sobre "a importância da aparência". Folha, Estadão, para todos a onda é parecer. Fazer tudo para parecer. Assim, não se assuste se logo a mídia começar a anunciar a cirurgia para deixar quadrados os queixos dos homens e a especial lipo para inverter os efeitos da malhação da última década. Sempre digo, a mídia aliada à medicina hegemônica é a parceria imbatível, é o maior arrastão já feito na sociedade moderna. E atinge ricos e pobres. Todos cobaias e escravos da informação mercantilista.

Cláudia Rodrigues

 

Leviandade intencional

A reacionária Veja se utiliza de uma construção discursiva manjada para "montar" sua matéria. Parte de uma falsa premissa: de que a "civilização" só ocorre com o aperfeiçoamento de técnicas que permitam a acumulação de capital e o surgimento de uma "sociedade de classes". A partir dessa falsa premissa, constrói toda a argumentação, dando-lhe um caráter científico e, portanto, um caráter de "verdade absoluta". Com isso, está-se a um passo das velhas argumentações de superioridades étnicas, sexuais e sabe-se lá mais o quê. Daí a importância de espaços como o Observatório, procurando colocar em sua devida perspectiva questões tratadas de maneira intencionalmente levianas. Resta-nos indagar: por quê?

Anna Jansen

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Até depois de morto

Maravilha. Quanto será que a FSP faturou para ampliar o terrorismo da máfia de branco? Qualquer dia desses eles vão lançar um produto para enterrar o defunto "ereto". "Saúde" até depois de morto!

Luiz Paulo Santana

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O homem-pênis da Folha – Cláudia Rodrigues

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