12/08/2003 7/10

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FESTA EM PARATI
Para pop-star

Estive na festa literária de Parati e fiquei decepcionada com o tratamento recebido. Como não era pop-star, fui simplesmente ignorada em todos os sentidos. Os organizadores pediram com antecedência um apoio financeiro aos "amigos do evento". Eu fui uma das pessoas que contribuíram, e não recebi nada em troca pela benesse. A festa foi um evento só para a imprensa e inglês verem. Espero que no próximo ano os organizadores se lembrem do grande público e proporcionem um mínimo de conforto aos escritores de meia idade como eu. Nada contra sentar no chão uma vez ou outra, mas quatro dias seguidos é plenamente dispensável. Mesmo que seja para ouvir colegas escritores e personagens como um historiador inglês de fama mundial.

Silvana Vargas

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ZIRALDO CENSURADO
Também aplaudo

Ziraldo é um escritor fantástico, e surpreendeu mais uma vez. Essa questão levantada na matéria é muita séria e traz à discussão, no mínimo, "os que detêm o saber", de forma responsável e com competência, a educação do povo brasileiro. Não tenho um "elevado conhecimento" do método de ensino ora suscitado, mas observo com pesar que vem sendo usado em alguns lugares de forma irresponsável. Sistema que precedeu os ciclos educacionais, deixou a desejar quanto ao salto qualitativo que "pregava" em sua essência, mas que serviu apenas para estampar um excelente "índice de aprovação", para absolver, quem sabe, uma política educacional imposta.

O povo brasileiro, nós merecemos e precisamos, uma educação de nível superior, se pretendermos ser uma nação de verdade e para que possamos crescer – coisa que há algum tempo não acontece. São muitas questões a serem levantadas em relação à política educacional que devemos adotar, mas o cidadão tem o direito de se expressar livremente, isso é um direito constitucional e inalienável, conquistado a duras penas. Por isso, também bato palmas para o Ziraldo. Mas, como bem dito na matéria, existem boas exceções. Vivemos um período político propício para discutirmos educação de forma responsável, para que não se resuma à retórica usada por tantos, mas cuidada por poucos.

José Carlos Fagundes

 

Não aplaudo

Causou-me profundo estranhamento saber do fato ocorrido, tratando-se de um escritor que admiro, apesar de não concordar com alguns de seus textos, como Ziraldo. Será que ele já leu algum livro de Emília Ferreiro? Analisou quantos alunos têm "verba" para comprar seus livros? Se vão ler é outra reflexão. Sou pedagoga, nasci e recebi minha formação na fase da ditadura militar. Não considero a minha uma geração de leitores e escritores. Busquei pesquisar sobre o porquê de ter acontecido isso com minha geração, e sabe o que descobri? Cartilhas que nos alfabetizaram, nos ensinaram a ler o que queriam que fosse lido, escrever e copiar (memorizar) o que acreditavam os autores ser importante, para todos de forma igual. Em Roraima encontrei três professoras alfabetizadas em cartilhas iguais à minha.

Disse uma: "Sabe o que mais me irritava naquela cartilha? Era apresentar a vogal "U" com a palavra uva, como se aqui em Roraima todos conhecessem a fruta. Só consegui provar a tal uva adolescente, em viagem ao Rio de Janeiro..."

E o que isso tem a ver com o construtivismo? Ele não é um método de ensino, com manuais de como ensinar a ler e a escrever. Trata-se de pesquisa realizada por Piaget, que não era professor, e sim biólogo, que nada mais queria do que compreender como o ser humano aprende, chega ao conhecimento estruturado, e não àquele decorado. Emília Ferreiro, que participava de sua pesquisa, quis ir além e focalizou leitura e escrita. Pesquisou como as crianças aprendem, e não como os professores ensinam. É uma versão contrária de ótica de ensino e aprendizagem.

Enquanto os autores de cartilha investem em metodologias, e cada vez mais ficam ricos em vendê-las de Norte a Sul do país, os construtivistas buscam compreender suas crianças e adequar suas propostas de trabalho à realidade local. Buscar materiais impressos em embalagens, jornais, livros de literatura etc. é a melhor forma de incentivar o aluno a decifrar o código escrito. Dizer que a geração educada na ditadura é melhor ou pior do que a de hoje é absurdo. Na ditadura, não existiam celulares, computadores, internet, TV a cabo. Tudo muda, tudo se cria... mas na educação alguns "ignorantes" ainda insistem em afirmar que devemos caminhar como caranguejos e nada mudar.

Viajo por todo país, e o construtivismo é ainda tão novo nas escolas da periferia do Rio de Janeiro como para os professores do interior da Amazônia. Ziraldo e seus companheiros, autores de cartilha: vocês já pararam para pensar há quanto tempo nasceu a cartilha Caminho suave? Quando a enterraremos? Quando marcarem oficialmente o velório, por favor, me convidem, pois não gostaria que sobrevivesse até a vinda de meus netos.

Kátia F. Médici dos Reis, pedagoga

 

Aplauso duvidoso

Não sou professora. Sou mãe de uma aluna da 8ª série e formada em Ciências Sociais. Aliás, por formação acadêmica sou professora de Sociologia e Estudos Sociais para o 1º grau, mas nunca exerci a profissão. Aposentei-me como bancária. Da maneira como o autor conta, não acho que tenha havido propriamente censura a Ziraldo. Acho que ele foi até bastante emotivo. Devia ter colocado o que o desagradou sobre a Sra. Emília Ferreiro. Agora, sobre os aplausos, parece que existe, infelizmente, sempre uma tendência a aplaudir pessoas famosas. Além disso, critica-se muito o nível cultural dos nossos professores. (...)

Carmen Gomes Simioni, Cachoeiro de Itapemirim, ES

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