12/08/2003 9/10

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EXCESSOS E OMISSÕES
Clichê básico

Esse quadro pintado por Luiz Garcia, sobre as "boas intenções" da imprensa, estará sendo exposto onde? Poderia fazer milhares de xerocópias e vendê-las, pois ficará rico em pouco tempo. O quadro é maravilhoso, além de surrealista, de deixar Dalí perplexo. Evidentemente que o Stedile falou mais do que o tamanho de sua língua comporta. A pregação de violência para resolver nossas mazelas sociais está longe de ser a melhor solução. Parece que tem muita gente ainda lendo os teóricos marxistas do começo do século 20, ou dormiram lendo esses autores e continuam sonhando com isso. Esquecem também que o próprio Marx defendia o dinamismo do processo de formação do Estado socialista, enquanto a revolução pregada por esses "ideólogos" restringe-se a algumas pauladas, cortes de cercas, fixação de barracas e discursos maoístas. É um clichê básico.

Mostrem, gente do MST, o projeto em todo o seu conteúdo e digam a que vieram. Apresentem a formação de um novo Estado, com as metas a serem atingidas, políticas econômicas, relações jurídicas, enfim, apresentem à sociedade esta nova ordem. Como fez Lênin, se for para seguir um conceito. Nos espaços (poucos é verdade) destinados aos seus argumentos, não se tem conhecimento disso. Apresentem um programa de governo, se chegarem ao poder. Resumindo, façam uma contaminação ideológica na sociedade, de forma a arregimentar seguidores. Mas se não têm o que dizer, não digam bobagens.

Por outro lado, o articulista de O Globo dizer que há imparcialidade em alguns meios de comunicação, que divulgam com o mesmo peso as matérias sobre esses conflitos, que não se envolvem ideologicamente com o assunto, é desmerecer a capacidade intelectual dos leitores. Francamente! Ninguém merece, como dizem os cariocas.

Carlos Aguiar

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A chamada me enganou

Às quatro e meia da manhã de 9 de agosto ouvi a seguinte chamada para o bloco seguinte do Jornal do SBT: "Juiz de Presidente Prudente foi morto por causa de uma dívida de drogas". Fiquei espantado, pois até então a mídia dava conta de que o juiz era muito honesto e rígido com os presos. Esperei a notícia completa: Resumindo: o sujeito que matou o juiz o fez a mando do PCC em troca de uma dívida de dois quilos de cocaína.

Ora, o juiz não foi morto por dois quilos de cocaína, ele foi morto a mando do PCC, o quilo de cocaína na história foi pagamento ao criminoso. Senti-me enganado pela manchete.

Darlan Moreira

 

Morte em Watergate?

Depois da queda do presidente Nixon nos EUA, que outro caso com cobertura séria teve tamanha repercussão? Nenhum. O motivo maior é que o público esperava da imprensa aquele comportamento que tiveram Carl Bernstein e Bob Woodward: pesquisa de relevância, e não criação de factóides. O que a imprensa brasileira faz hoje é dar assunto para que o povo comente na esquina e no barzinho, com muita superficialidade e sem discernimento. Publicar informações é fácil. Difícil é formar uma opinião e deixá-la clara aos olhos do grande público, sem mentiras, sem falso moralismo, sem culpa.

A política do furo é perigosa. O número de jornalistas atuando hoje em dia cria uma massa excedente de mão-de-obra que força o profissional a buscar o estrondo. O profissional hoje quer (e precisa) de furos. Aquele que não consegue, por mais superficial e baseado em suspeitas, um furo, uma capa, corre o risco de ser substituído por outro. Esta histeria coletiva é traduzida na falta de apuração, profundidade e observação das matérias.

Bernstein e Woodward passaram perto de perder seus empregos quando descobriram Watergate. Eles tiveram faro jornalístico e seguiram as pistas para onde elas os levavam. São usados como exemplo até hoje, pois agiram com responsabilidade e pulso firme. Sabiam que tinham uma grande história nas mãos. Hoje, casos como o do esquema de lavagem de dinheiro investigado pela revista IstoÉ são raros, mas são os que ainda me fazem ter esperança o bastante para perseverar na minha profissão. Ainda existe uma esperança. Porém, o bom jornalismo, como se fazia na época dos repórteres americanos do Washington Post, ainda não voltou.

Mas voltará. Eu creio. O compromisso com a verdade, mais que uma opção, é uma condição para o bom jornalismo. E, se lançarem pedras, a verdade está nas mãos. Não existe "síndrome de mulher adúltera" quando a verdade está em suas mãos.

João Thiago Cunha

 

Atenção aos radialistas

Creio que deveria haver uma regra estipulada para que a profissão de jornalista não fosse vulgarizada ou descaracterizada, como muitos profissionais alegam. Porém, não posso deixar de frisar que muitos profissionais da comunicação não-formados em Jornalismo merecem ter sua situação revista. É o caso dos radialistas (os verdadeiros), por exemplo, que têm qualificação profissional diferenciada dos jornalistas, devidamente amparados por lei, e acabam exercendo a função de repórteres. Ora, é inegável que há uma dubiedade nesses casos, e acredito que valeria às entidades competentes, como a Fenaj e a ABI, estudarem a concessão do registro a classes que se englobem neste perfil. Tal possibilidade poderia ser analisada com afinco para que se regulamente a questão sem prejuízos para qualquer dos lados que, na verdade, sempre lutaram pelo mesmo objetivo, o da informação com responsabilidade.

Bruno A. Azevedo, Volta Redonda

 

Um filme de Buñuel

È o surrealismo em estado puro, nós não vivemos num país, e sim dentro de um filme – talvez de Buñuel. Neste caso não há meio termo, nem há inocentes entre os participantes desta encenação. Por um lado temos os ingênuos pensando que basta escrever seus desejos e, num passe de mágica, resolvem-se profundos problemas sociais. De outro, os que sabem que é pura demagogia. Qual é a diferença que faz colocar ou não nos anúncios essas informações? Se o empregador não quer contratar pessoas acima de determinada idade, ou com qualquer característica não vai contratar e ponto final. A escolha final é dele, e certamente não será o texto do anúncio que mudará isso. Esta é mais uma medida inócua e irrelevante, mas o pior é que esse tipo de atitude faz com que a população perca o respeito com a legislação. Assim como não levará a sério essa medida sem nexo, também deixa de respeitar normas muito mais importantes.

Carlos Landini

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