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Edição de Marinilda Carvalho
O leitor está farto da informação-espetáculo, farto da notícia-bobagem, farto da desinformação, farto do achismo. É o que demonstra a maioria das cartas desta edição. E, pelo jeito, está farto também da omissão.
Cinco leitores reclamam da falta de cobertura de três episódios que a mídia cisma em manter longe do noticiário: a greve dos servidores públicos, entre os quais se incluem os professores de universidades federais; o arrendamento aos Estados Unidos da base de lançamento de foguetes de Alcântara (MA); a CPI das ONGs. Um sexto leitor até cobra do Observatório mais informação sobre a dança das cadeiras na redação do JB.
Que estranho mistério leva uma redação a ignorar uma greve geral de servidores federais? É um acontecimento importante, que afeta gente em todos os estados e, conseqüentemente, afeta leitores. E a CPI das ONGs, por que não explicar os objetivos, a motivação, as investigações do grupo de congressistas empenhados nos trabalhos da comissão? As ONGs têm forte e crescente presença do Brasil. Não é portanto de interesse público a cobertura de tal CPI? Quanto à base de Alcântara, quem tem email já recebeu certamente mensagem-corrente denunciando que o acordo com os EUA fere a soberania nacional. Por que a imprensa não apura seriamente estes fatos?
Vamos trabalhar, reportariado. O público quer ler notícia!
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Nota da Redação : O Observatório da Imprensa não publica mensagens assinadas com pseudônimo ou iniciais. Cartas só serão acolhidas quando claramente identificada sua autoria.
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CASO ABRAVANEL
Descobri a diferença
A diferença óbvia entre os dois seqüestros – e conseqüente efeito da cobertura da imprensa – resume-se numa frase, ignorada pelo articulista: o de Patrícia ocorria em local e por autor desconhecidos, enquanto o de Senor ocorria em local conhecido por autor conhecido. A imprensa tem a obrigação moral de sonegar a informação sobre o primeiro e o dever profissional de relatar o segundo.
Paulo Travaglini
Pegadinha e seqüestro
Eu estava assistindo no domingo, como milhões de brasileiros, ao programa Topa tudo por dinheiro. Buscava alguma declaração, crítica ou agradecimento do principal personagem da TV nas últimas semanas. O que me surpreendeu foi a aparente "normalidade" do programa, inclusive uma imitação das famosas pegadinhas, utilizando atores com a roupa da Polícia Civil. Isto me fez lembrar um programa em que o "telegrama" simulava o seqüestro armado de uma repórter em pleno ar. Será que isto também não deveria ser questionado? Infelizmente a TV tem o poder de informar e desinformar muito facilmente, dependendo do interesse dos anunciantes e da audiência.
J. Guimar
Pequena, fraca, despreparada
Como jornalista e telespectadora, repudiei profundamente a cobertura do seqüestro de Silvio Santos pelas redes de televisão. Senti repúdio e, por que não dizer, tristeza, por ver que nossa imprensa é tão pequena, tão fraca, tão mal preparada. Ao ler os textos do Caso Abravanel, tive que lhes escrever, porque concordo com absolutamente tudo o que foi escrito. As pequenas especulações, como disseram os textos, as adivinhações dos repórteres, tudo isto fez com que a imprensa brasileira mais uma vez ficasse desacreditada. Talvez realmente seja preciso que mais um ou dois FDPs apareçam para qualificar a imprensa brasileira.
Patrícia Linden
Seqüestro é com o Gugu
Caro Nelson, devo admitir que seu texto sobre o seqüestro está bem escrito, porém não concordo em um aspecto. O telespectador não precisa saber sobre o seqüestro de ninguém, quer seja conhecido ou não. Isso não é notícia de interesse público, quem gosta de acompanhar seqüestro é a imprensa sensacionalista, que nada tem a acrescentar. Eu quero saber é se vão confiscar os bens do Lalau, se Jader Barbalho vai pagar pelos desvios. Acidente de helicóptero com modelo e empresário e acompanhamento de seqüestro de Silvio Santos ou qualquer outra pessoa é notícia para Gugu ou Cidade Alerta.
Lucimar Ramos da Cruz
Nelson Hoineff responde: A roubalheira do Legislativo ou do Judiciário é notícia de interesse público. A segurança pública também. De interesse público é ainda, e sobretudo, a certeza de que a imprensa não esteja sonegando à sociedade informações sobre um e outro. Perder a confiança na imprensa é muito mais grave do que perder a confiança no Lalau. N.H.
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Tudo e nada, ao vivo e em cores – Nelson Hoineff
Contra o pecado, o rigor
Estamos de acordo com a infração do código maior nos três primeiros itens. Em desacordo nos dois últimos. Nas tábuas da lei não está dito que se deva ter rigor com o criminoso. Relembrando Santo Agostinho, diríamos: perdão para o pecador, rigor contra o pecado.
Jorge Pio, Rio de Janeiro
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Os mandamentos de Patrícia Abravanel – Alberto Dines

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